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Enfim, temos um novo ministro na Cultura

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 22/07/2017 Colunista: Carlos Pinto

Enfim, temos um novo ministro na Cultura

 

“ Não existe vento favorável

para o marinheiro que não

sabe aonde ir. ”

(Sêneca)

 

Após mais de dois meses sem titular definido, o Ministério da Cultura volta a ter um novo residente, nomeado recentemente pelo Presidente da República. Sérgio Sá Leitão transita pelo MINC há vários anos, tendo ocupado a chefia de gabinete de Gilberto Gil, e uma diretoria da ANCINE – Agencia Nacional de Cinema. Exerceu assessoria no BNDES e também a presidência da Rio Filmes, na Prefeitura do Rio, onde também acumulou o cargo de Secretário Municipal de Cultura.

Em abril passado retornou ao Governo Federal, novamente, para a ANCINE, cargo que ocupava quando foi nomeado para o Ministério. Conhecedor das entranhas do MINC, Sá Leitão sabe, ou deveria saber, dos desafios que o aguardam, já que vai comandar uma pasta que não agrada aos políticos manhosos encastelados em Brasília. Tanto é, que o referido Ministério estava acéfalo desde 18 de maio, portanto a dois meses, sem que ninguém o reclamasse. Ministério sem verbas, e sem orçamento, não interessa a nenhum político, pelo menos aos atuais de plantão.

Quando assumiu a Presidência da República, era intenção do senhor Michel Temer, liquidar com o MINC, transformando-o em uma simples secretaria. Diante da gritaria geral da classe cultural do país, deu uma recuada, mas em contrapartida esvaziou os cofres do Ministério, tornando impossível a qualquer um, gerir a referida pasta. Basta verificar quantos ministros por lá passaram, durante o breve tempo do senhor Temer, que resolveram pegar o boné e ir tratar de suas vidas.

Sá Leitão conhece do ramo, e se for prestigiado, poderá desenvolver um bom trabalho, retirando o MINC do atual ostracismo em que foi literalmente jogado pelo atual governo Temer. Não estão distantes da memória, os problemas que levaram Marcelo Calero a se demitir do cargo, segundo ele, em função das pressões exercidas por Geddel Vieira, que queria porque queria que o IPHAN aprovasse um parecer técnico, ao arrepio da legislação em vigor. Contra isso Calero se manifestou, tendo sido devidamente degolado do cargo.

Roberto Freire, outro ocupante do cargo, também pediu as contas em função, segundo ele, das denúncias de prevaricação do Presidente. Seu sucessor temporário, o cineasta João Batista de Andrade, também pediu para sair, já que era contrário à nomeação de Sá Leitão, para a ANCINE. Suas preferências recaiam sobre Debora Ivanov, produtora de vários filmes, entre eles, “Querô”, sobre a obra de Plinio Marcos, filme esse rodado em Santos. Basta saber se o novo ministro terá o apoio da área econômica do Governo, que vem retendo as verbas do Ministério, oriundas das loterias federais. São mais de dois bilhões de reais que vem sendo represados desde o governo de dona Dilma Roussef.

Será a eterna luta da cultura com o poder econômico, já que os ministros e secretários dessa área, tem um entendimento errado sobre a questão cultura. Tal qual a educação, a área cultural não tem que trazer lucros e dividendos financeiros para os governos. São duas áreas que tratam da formação educacional e cultural da sociedade, portanto, com responsabilidades diretas sobre a formação da cidadania. O futuro dirá até onde o ministro Sá Leitão, terá condições de seguir dentro de um governo que já deu provas imensas, de sua ojeriza ao setor cultural.