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Cultura: o ministro já disse a que veio

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 29/07/2017 Colunista: Carlos Pinto

 “ Um povo que não ama e não

preserva as suas formas de expressão

mais autênticas, jamais será

um povo livre.”

(Plinio Marcos)

 

Em seu discurso de posse no Ministério da Cultura, o senhor Sá Leitão já disse a que veio. Ao pedir aos artistas e produtores culturais que poupassem suas críticas ao Governo Temer, profetizou um cala a boca em toda e qualquer reivindicação que parta da classe cultural. Em síntese, é mais um a tentar modificar o rumo da história, no sentido de retirar da arte e da cultura, a sua histórica posição de vanguarda nas reivindicações sociais.

Em sua fala arriscada, propõe que sejamos a retaguarda e que nos aliemos a tudo de errado que ocorre neste país. Vai ficar querendo, ele e seu governo ilegítimo. Seria mais apropriado, até com sua biografia, que nos falasse de seus planos e, de como vai fazer para que o governo devolva aos cofres do MINC, os dois bilhões de reais represados desde o Governo de Dilma Roussef. Dinheiro esse oriundo das loterias administradas pela Caixa Econômica Federal.

Não é dinheiro de impostos, mas sim, de apostas efetuadas pelo povo, nos vários jogos da banca governamental. Se é que esse dinheiro ainda existe, ou se foi devidamente defenestrado nessa onda de corrupção que assola o país. Lamento essa fala inicial do Ministro, visto que seu passado na área cultural, principalmente durante as gestões de Gilberto Gil e Juca Ferreira, em muito contribuiu para a elaboração de um plano nacional para a cultura brasileira.

É verdade que tal plano, oriundo de profundos estudos e pesquisas realizadas em todos os municípios brasileiros, encontra-se bem engavetado até hoje. As metas ali propostas jamais foram aplicadas, sempre por falta de recursos financeiros, que nunca faltaram para aqueles que desviaram bilhões de reais dos cofres públicos.

Não existe um entrosamento entre o MINC e as Secretarias de Estado da Cultura, no sentido de somarem esforços visando um trabalho de valorização da arte e da cultura do país. Aliás, a Secretaria de Cultura de São Paulo, como de resto da maioria dos municípios paulistas, tem como ocupantes pessoas que não conhecem um palmo adiante do nariz neste assunto. São políticos carreiristas que jamais praticaram qualquer tipo de arte, estando muito mais preocupados em se eleger para qualquer cargo, do que realmente trabalhar pela cultura.

São tão distantes da realidade cultural de suas cidades, que nem sequer conseguem comparecer em eventos de suas competências. Preferem antes viajar para fazer proselitismo em outras cidades, na busca incessante de aparecer. Só nos resta aguardar os próximos movimentos do novo Ministro, e de que forma se conduzirá no cargo, ou se será mais um a jogar areia no deserto. O tempo dirá.