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O mascate e os negócios da China

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 05/09/2017 Colunista: Carlos Pinto

 “Quando a política entra no

recinto dos tribunais, a justiça

se retira por alguma porta”

(François Pierre Guizot)

 

Os homens quase nunca escapam de suas raízes, que culturalmente, sempre são mais fortes que seus desejos. Assim, estamos observando nosso Presidente da República pelos mercados da China, procurando bons negócios para alguns empresários, e outros péssimos, para a soberania nacional. Para o grande público, escapa apenas o noticiário sobre a retomada da compra da carne brasileira pelos chineses.

Um pano de fundo em minha opinião, pois o que consagra esta nova visita aos chineses, tem por motivos a venda de nossas estatais de energia elétrica, nossos aeroportos e nossa dignidade. Aos poucos, os chineses estão comprando o Brasil, pedaço por pedaço, como se fosse uma pizza em qualquer padaria ou lanchonete desta Nação. E a tudo a sociedade brasileira assiste muda, sem reação, perdida em sua falta de amor à Pátria.

Enquanto isso, com a viagem do Presidente, quem assume é o ínclito dirigente da Câmara dos Deputados, cujas atitudes são sempre vistas com temeridade, pois sua fisionomia não inspira qualquer confiança. E para o seu lugar, o Brasil tomou conhecimento que existe um parlamentar chamado Fufuca, que passou a ser chamado de Nhonho, tal sua semelhança com este personagem do seriado Chaves.

E assim segue o país, neste quadro calamitoso em que foi colocado por esta malta de políticos safados, que hoje dominam o cenário nacional. A Procuradoria Geral da República continua solicitando ao STF, o enquadramento dos líderes de várias maracutaias que envolvem a Petrobrás, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil, os Correios e outras estatais, mergulhadas em escabrosas transações para favorecerem os ora denunciados.

E o que mais enoja, é observar os denunciados, em suas defesas, negando tudo com a maior cara de pau. É o caso da área na Amazônia, onde existem imensas jazidas de minérios de grande valor, que agora se sabe tinha uma parte reservada para a empresa mineradora da filha do Senador Jucá. Ainda bem que a Justiça desta vez funcionou, e o decreto presidencial foi devidamente defenestrado. E quando falo do funcionamento da justiça neste caso, é porque o assunto não caiu na alçada do senhor Gilmar Mendes, porque se tal acontecesse, tenho a certeza de que a filhinha do Senador voltaria a colocar as mãos no ouro, na prata, no nióbio e em outros minérios de alta qualidade e valor.

Ainda bem que a opinião pública desta vez funcionou, e as críticas através da mídia e, principalmente nas redes sociais, forçaram a uma atitude em favor da preservação do patrimônio nacional. O que nos resta agora, é aguardar a volta do mascate, e saber quanto do patrimônio do povo brasileiro, edificado à custa do sangue, suor e lágrimas de todos nós, foi negociado com os chineses ou com outros países que fazem parte do chamado BRICS.

Só espero que a língua pátria não seja negociada. Vai ser um saco ter que aprender o mandarim.