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TBC - um marco do Teatro Paulista e Brasileiro

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 16/09/2017 Colunista: Carlos Pinto

 “Um povo que não ama e não

preserva as suas formas de

expressão mais autênticas, jamais

será um povo livre. ”

(Plínio Marcos)

 

Construído e inaugurado em 1948, no Bairro da Bela Vista, em São Paulo, o Teatro Brasileiro de Comédia, ou mais simplesmente TBC, teve em Franco Zampari, industrial italiano dono das máquinas Vigorelli, seu grande incentivador. Contando com o apoio financeiro de uma parte da elite paulistana, Zampari ergueu aquele que se tornaria um dos maiores marcos do teatro paulista e brasileiro: o Teatro Brasileiro de Comédia.

De sua inauguração até meados de 1964, o TBC foi a sede de uma companhia teatral que levava seu nome, e os objetivos de sua criação era o de abrigar e servir como espaço para os amadores de teatro da Capital. Por seu palco passaram os maiores artistas teatrais do país, entre os quais podemos citar Cacilda Becker, Paulo Autran, Antonio Abujamra, Fernando Montenegro e Ziembinski.

Em 2008 cerrou suas portas para o público e, posteriormente, foi adquirido pela FUNARTE, órgão do Ministério da Cultura. Sua edificação é tombada pelo CONDEPHAAT, em atendimento a uma solicitação da Associação Paulista de Críticos de Arte. Com a expectativa de restaurá-lo a um custo aproximado de dois milhões de reais, em 2010, a promessa de entrega do imóvel devidamente restaurado, para outubro de 2013 não foi cumprida até hoje.

Os gastos com tal restauração, segundo a imprensa, já chegariam aos treze milhões de reais, estando nesta oportunidade em fase final. Pretende agora a FUNARTE, passa-lo para a iniciativa privado até o final deste ano, e contra isso a classe artística está se insurgindo. Liderados por Sergio Mamberti, Celso Frateschi e José Celso Martinez Corrêa, um grupo de mais de quarenta se opõe a esta entrega à iniciativa privada.

Fechado há dez anos, o TBC já consumiu algo em torno de vinte milhões de reais em sua reforma e restauração, e segundo o Ministério da Cultura, necessita de mais treze para concluir as obras deste prédio situado na rua Major Diogo. Alega ainda a FUNARTE, que não cabe ao governo federal gerir a parte administrativa e artística do teatro, razão pela qual querem privatizá-lo.

Como escrevi em artigo anterior, não levo qualquer fé nesse atual Ministro da Cultura, que insiste em lançar o edital de privatização até o final do ano. O grupo de artistas que se opõem a esta privatização, querem se reunir com o Ministro, e a direção da FUNARTE para discutirem as reivindicações da classe teatral paulista. Resta saber se outros teatros geridos pela FUNARTE em todo o país, também serão leiloados para a iniciativa privada.

Com este desgoverno que se apossou do país, nada é impossível diante da omissão e aridez da sociedade brasileira. Quanto ao senhor Ministro da Cultura, apenas está comprovando o que afirmei em artigo anterior, quando de sua posse.