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João Doria: um novo factoide colorido?

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 01/10/2017 Colunista: Carlos Pinto

 “Não roubar, não deixar roubar,

pôr na cadeia quem rouba. Eis

o primeiro mandamento da

moral pública. ”

(Ulysses Guimarães)

 

A política brasileira está repleta de políticos factoides, que tudo prometem e nada cumprem após serem eleitos. Apenas para exemplificar, recentemente tivemos o Sarney e o Collor, como luminares dessa excrecência, que iludem a população brasileira, e governam em proveito próprio e de seus parentes e apaniguados. São cheios de ideias, e de colocar esperança onde ela não cabe. Passam longe da seriedade que deveriam externar, em suas ações e comprometimento com a causa pública.

Eis que agora, estamos no limiar de uma nova figura a surgir neste pobre panorama de lideranças políticas. Eleito para administrar São Paulo, após assumir o cargo passou a agitar a cidade como gari, censor de grafites e outras baboseiras, culminando com a malfadada ação realizada contra os usuários da cracolândia, conseguindo ampliar para outros locais públicos, estes infelizes que se deixaram dominar pelo vicio, e pelos que vivem de sua exploração.

A cidade de São Paulo caiu no conto do candidato que não é político, e elegeu o senhor João Doria que, minutos depois de ser empossado, já se apresentou como pré-candidato a Presidente da República. Como um trator, a cria tenta passar por cima do seu criador, o Governador Alckmin, que também postula a alguns anos, uma vaga para concorrer ao cargo máximo da nossa tão sofrida república.

E aberta está disputa no ninho dos tucanos, só resta a um deles, sair do ninho em voo próprio a procura de outra moradia. Administrar a cidade de São Paulo, é coisa que o senhor Doria nem pensa em fazer. Seu tempo é gasto em viagens pelo Brasil, procurando alianças na tentativa de fortalecer seu novo hobby. Quanto aos paulistanos que acreditaram na sua lenga-lenga de não ser político profissional, devem estar se perguntando: onde foi que eu errei?

O Brasil não merece mais esta experiência pois, se eleito Presidente, no minuto após ser empossado vai se lançar a Secretário Geral da ONU. É bem verdade que a falta de candidatos com o estofo de estadistas, pode levar os brasileiros a cometer esta insanidade. E como o povo está sem paciência para com a atual classe política, é capaz de cair nesta armação ilimitada. Ligado a grupos da direita oportunista, pode abreviar a nossa frágil democracia, isto se a casa não cair antes das próximas eleições.

Os quartéis andam agitados, os generais não escondem mais sua insatisfação com esta corrupção que corre solta, e com a desfaçatez de boa parte dos políticos encastelados no governo e no Congresso Nacional. O povo perdeu quatorze milhões de empregos, e várias indústrias e empresas estão indo à falência, por conta dessa crise econômica criada pelos promessinhas.

Se o povo brasileiro fosse dado a leitura, e tomasse conhecimento de quanto bilhões de dólares saíram do BNDES para financiar obras em outros países, talvez ocorresse por aqui, uma reedição da Queda da Bastilha. Mas enquanto isso não acontecesse, só nos resta pedir aos Deuses que nos salvem desse novo factoide colorido.