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Cultura: o desmonte das orquestras

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 30/10/2017 Colunista: Carlos Pinto

 “O mal que os homens fazem,

permanece após sua morte. O

bem, esse quase sempre é

enterrado com seus ossos.”

(W. Shakespeare)

 

Os governos tucanos devem ter uma certa aversão pela Cultura, pois, não perdem as oportunidades para eliminar projetos da área, ou determinar o fim de conjuntos mantidos pela Secretaria de Estado da Cultura. A vítima da vez é a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, que foi criada em 1989, e era considerada como um dos principais grupos sinfônicos do país.

Conquistou em 1997, o reconhecimento internacional ao participar da 8ª. Conferencia da WASBE – World Association for Symphonic Bands and Ensembles, na Áustria. O referido conjunto tinha como atividades principais, a divulgação e a criação de um repertório original, tendo como principal característica a versatilidade ao produzir concertos sinfônicos populares, além de espetáculos de dança, ópera, cinema e teatro.

A Criação Musical Brasileira era um dos seus principais projetos, e em 1990 já se destacava com a estreia de obras encomendadas a compositores brasileiros, entre os quais: Ronaldo Miranda, Mário Ficarelli, Lelo Nazário e Amaral Vieira. Obras que reuniam em seu contexto as mais variadas tendências estéticas, e com o tempo, outros autores do cenário musical nacional foram sendo integrados ao referido projeto.

Entre esses autores está o santista Roberto Sion, acompanhado de Achille Picchi e Edmundo Villani-Côrtes. Até o ano 2000 foram várias estreias onde outros compositores se incorporaram ao projeto, entre eles Cyro Pereira, Marlos Nobre, André Mehmari e outro santista, Almeida Prado. Com isso foi abrindo novos caminhos, utilizando diferentes linguagens estéticas, que remetiam a outras áreas das artes, quebrando com isso as fronteiras invisíveis entre o erudito e o popular.

Várias dessas obras estão gravadas nos CDs “Suite Tropical” e “Fantasia Amazônica”. Composta por 82 instrumentistas, a Banda Sinfônica teve como regentes Roberto Farias, Daniel Havens, Abel Rocha e, ultimamente tinha como regente titular o maestro Marcos Sadao Shirakawa. Tudo isso foi defenestrado por uma atitude do Governador Geraldo Alkmin, que simplesmente liquidou com a Banda Sinfônica do Estado, demitindo maestro e mais 82 músicos, para contenção de despesas.

Aos poucos o governador de São Paulo vai destruindo todo um processo criado ao longo dos anos, por seus antecessores, e nos mostrando de que forma agirá se, eleito for, para a Presidência da República. Com tais atitudes por certo não ganhará maiores simpatias, e terá contra si uma boa parcela da sociedade que se beneficiava com as apresentações do referido conjunto musical. A Banda Sinfônica do Estado se apresentou várias vezes em Santos, no Projeto Tocando Santos, realizado em parceria com o SESC.

De minha parte, só tenho a lamentar mais esta atitude do Governador, que aos poucos, vai liquidando com boa parte da produção cultural paulista, notadamente na música orquestral. Meu voto jamais terá.