Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Colunas Impressas » De Olho na Política

O Natal da nossa desesperança

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 26/12/2017 Colunista: Carlos Pinto

 

“Não basta que todos sejam

iguais perante a lei. É preciso

que a lei seja igual perante todos.”

(Salvador Allende)

 

Há um descaramento total nos meandros da política nacional. O recente decreto de indulto promulgado pelo Presidente Temer, é um verdadeiro escárnio e premia os vários condenados por atos de corrupção, num aval governamental para que os crimes contra o patrimônio do povo brasileiro, continuem sendo praticados. O Natal desta canalhada foi pródigo, inclusive daqueles premiados com os habeas corpus aprovados pelo senhor Gilmar Mendes, que vem se tornando o inimigo público número um da Nação.

Enquanto isso, estão todos os brasileiros preocupados com as deturpadas festas natalinas, envolvidos na compra de presentes, de preparação de lautas ceias, enquanto grande parte do nosso povo não tem nem um pedaço de pão para dar aos filhos. Como já frisou Brecht, em seu poema “Aos que virão depois de nós”, mesmo assim eu como e bebo, sem me importar se faz falta a quem tem fome ou que tenha sede.

Produzem-se dispositivos legais de acordo com os interesses da quadrilha, enquanto se negam ao povo os mínimos direitos a uma vida digna. E

quando aparece um delegado aprofundando investigações sobre os malfeitos de algum membro da gang, prontamente é transferido para outra localidade, fato ocorrido recentemente no porto de Santos. Quando um juiz se rebela contra decisões pouco republicanas de algum membro do STF, ninguém quer saber de apurar suas denúncias, mas sim, de investigar o juiz rebelado.

Estão transformando o País em um estado bandido, incluindo os marginais e traficantes, mais os políticos corruptos que infestam a política nacional. E a tudo isso o povo assiste calado, como se fosse um bando de ovelhas a caminho da tosquia. Atrasam-se pagamentos de salários por meses a fio, pois o dinheiro ficou curto para as efetivas maracutaias. Os funcionários do Rio de Janeiro ainda não receberam o décimo terceiro salário de 2016, quanto mais o de 2017. Vários municípios estão atrasando os pagamentos salariais e o referido décimo terceiro, pois seus cofres foram raspados por má gestão e obras inacabadas.

Cresce a insegurança, o crime avança, o sistema educacional está falido, juntamente com o atendimento à saúde dos trabalhadores, e de toda a sociedade. Quando um governo destina cinco milhões pela Lei Rouanet para o tal de Pabllo Vittar, está na hora de pedir para o mundo parar para que possamos descer. Enquanto isso, projetos culturais de valor para a sociedade, simplesmente são colocados de lado porque não atendem ao emburrecimento que o governo quer impor ao povo brasileiro. Nem durante o regime militar vimos coisas semelhantes.

Na visão de Victor Hugo, “entre um governo que faz o mal e um povo que o consente, há uma certa cumplicidade vergonhosa.” Ou mais, nas palavras de Georg Lichtenberg, “quando os que comandam perdem a vergonha, os que obedecem perdem o respeito.”