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A invasão dos bárbaros

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 02/01/2018 Colunista: Carlos Pinto

  

Já viajei por várias cidades deste imenso Brasil, assim como, algumas de Portugal e Espanha. Em nenhuma delas me comportei como um bárbaro, agindo como um néscio, desrespeitando os moradores e destruindo jardins em uma total falta de civilidade. Não tenho nada contra turistas, mas aqueles que vem a Santos, e se comportam como tal, usufruindo das belezas naturais de suas praias, e locais de visitação pública.

Mas o tipo de turismo igual a esse que se observou neste final de ano, não é desejável a cidade nenhuma. Eram carros estacionados nos jardins, conforme fotos postadas nas redes sociais, jardins servindo de locais de refeições, com o resto delas deixados para satisfazer os ratos da orla da praia. Um trânsito insano e você, nativo, sem poder sair de casa para não perder sua vaga na garagem, em função da permissividade adotada por síndicos e funcionários dos condomínios.

Enquanto isso as autoridades constituídas fazendo vistas grossas a tudo, inclusive as demarcações de espaços na areia da praia. O cidadão arma dois guarda sóis e cerca uma área de alguns metros quadrados, para ficar sossegado com a família assistindo a queima de fogos. Para o nativo ir até a beira mar, era necessário ficar se esgueirando entre esses cercados, para poder cultuar Iemanjá. E a maioria num pileque só, parecendo até que brindando o fim do mundo, e não, o nascer de um novo ano.

Esse tipo de demarcação de espaços é proibido, mas quem fiscaliza? Carros nos jardins também é um atentado as leis de trânsito. E daí? É um verdadeiro festim de bárbaros, contra o qual, os nativos ficam atados. Santos vive hoje um estado de abandono, onde todo mundo faz o que quer e ainda sobra tempo. Falta autoridade aos eleitos, mais preocupados em grandes obras, e se lixando para o bem estar dos munícipes. Este comportamento é o resultado da falta de uma educação de qualidade, e de projetos culturais que proporcionem aos cidadãos, uma melhora intelectual e o discernimento sobre respeito e educação.

Não sou contra o turismo de baixa renda, mas isso não implica em permitir os desmandos verificados neste último fim de ano. Com isso, está se criando na cidade um desânimo e a vontade de sumir daqui, durante essas festividades. Saudade dos tempos do Prefeito Oswaldo Justo, que também herdou uma situação igual, mas, com pulso forte e atitudes, colocou ordem na casa.

Infelizmente vivemos tempos sombrios, e esses acontecimentos são frutos da desordem social que o país atravessa. Uma desordem praticada pelos donos do poder, cuja maior preocupação é manter o povo sem educação, sem saúde e sem emprego. Um povo nessas condições é presa fácil dos desígnios desses mandatários, mais preocupados com suas contas bancárias e seus golpes contra o erário, que propriamente com a população que, erroneamente, os elegeu.