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Itamar: um exemplo de homem público

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 05/07/2011 Colunista: Carlos Pinto

“Os números não mentem,

mas os mentirosos fabricam

números.”

(Itamar Franco)

 

 

Com a morte de Itamar Franco, perde o Brasil um dos seus grandes homens públicos, que fez de sua participação na vida política nacional, uma profissão de fé na ética, na disciplina, e nas atitudes voltadas unicamente ao interesse público. Em sua curta passagem pela presidência da República, criou condições para que o Brasil fosse conduzido bem distante dos escândalos de corrupção que hoje somos obrigados a conhecer em quase todos os dias.

 

Ainda no sábado (2), logo após sua morte, assistimos o afastamento de quase toda a cúpula do Ministério dos Transportes, por suspeita de fraudes e super faturamento de obras. Durante seus quase três anos de governo, em substituição ao Presidente Collor,  cassado pelo Congresso, Itamar deu exemplos de dignidade e de conduta ilibada à frente do governo. Durante seu mandato presidencial, pelas mãos de seu Ministro Rubens Ricúpero,  foram realizados os primeiros ensaios do Plano Real.

 

O acaso pegou esse Ministro no contrapé, durante uma entrevista na Globo News ao jornalista Carlos Monforte. Uma indiscrição durante o intervalo foi captada pelos microfones da emissora, e Ricúpero foi envolvido em uma trama política que terminou com seu afastamento e a passagem de Fernando Henrique Cardoso para o Ministério da Fazenda.

 

No entanto a continuidade da aplicação do Plano Real seguiu em frente, e a estabilização da economia nacional, bem como o fim da inflação galopante que seguia na faixa dos 50%, definiu o acerto das medidas adotadas por Itamar.

 

Alem de Presidente da República (1992 a 1994), foi Governador de Minas Gerais, exerceu o mandato de Senador por 16 anos, tendo sido Prefeito de Juiz de Fora em dois mandatos. Ocupou os cargos de Embaixador do Brasil na Itália, em Portugal e na Organização dos Estados Americanos. Nasceu em um navio no trajeto entre o Rio de Janeiro e Salvador, e ficou órfão muito cedo o que lhe proporcionou uma infância pobre. Ajudou à mãe na entrega de marmitas, e mercê sua persistência nos estudos, formou-se em engenharia pela Escola de Engenharia de Juiz de Fora.

 

Alem de ter sido o principal responsável pela implantação do Plano Real, Itamar Franco assinou ainda a Lei dos Genéricos e a Lei Orgânica da Assistência Social, principio básico para o combate à fome, trabalho esse realizado através do sociólogo Betinho. Esta lei, que em governos seguintes obteve várias designações, até desaguar na Bolsa Família, Bolsa Escola e outras tantas, foi produto da visão social deste brasileiro que não se prendia a bravatas diante dos holofotes, sempre levando a sério suas atividades como político voltado às camadas sociais menos favorecidas.

 

Itamar Franco deixa um grande exemplo como homem público. O difícil no Brasil de hoje, é encontrar seguidores na atual classe política do país, quase sempre envolvida em manobras escusas e pouco edificantes. Nos fará lembrar o discurso de Marco Antonio em “Julio Cesar”, de William Shakespeare: “Aqui está um César! Quando aparecerá outro?