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O rio da hipocrisia que desagua no samba

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 15/02/2018 Colunista: Carlos Pinto

        Nada contra as apresentações das Escolas de Samba do Rio, no que se relaciona com os desfiles em si. Como sempre, os carnavalescos se esmeraram em novidades, com a maioria dos enredos bem explorados, belos sambas, e os componentes com a garra de sempre. O que pega, é a hipocrisia na exploração de alguns temas, como foi o caso da Beija Flor de Nilópolis, a Tuiuti e a própria Mangueira.

       No caso da Beija Flor, não escapa a ninguém que seu patrono, o “banqueiro” Anísio Abrão, tem em seu currículo duas condenações por contravenção e lavagem de dinheiro. Que está leve, livre e solto, graças a um habeas corpus concedido por um juiz do STF, já que está condenado em um dos processos a vinte e oito anos de reclusão, e em outro a pena é um pouco maior. Como então descer o porrete na corrupção? Corre nos meios carnavalescos, que o autor da ideia do enredo é um de seus filhos, que deverá sucedê-lo no controle da referida escola.

      Apesar de toda essa incoerência, entendo que sobra razão nas criticas efetuadas, mas ao mesmo tempo, soa como briga de quadrilheiros, que se desentendem durante a partilha do butim. Mas mesmo assim, a Beija Flor não abriu mão de sua parte nos 36 milhões destinados pela Lei Rouanet. Da mesma forma agiu a direção da Tuiuti, que também se refestelou com a grana da Lei Rouanet, e saiu atirando para todos os lados. Nada contra o tema, e seu desfecho na Marques de Sapucaí. O que me incomoda é o fato de um de seus dirigentes vir a público, falar de suas ligações com determinado partido político, envolvido até as orelhas em toda essa podridão que assola a política brasileira. Partido esse, cujos governos são os responsáveis diretos pela situação caótica do Brasil.

       Quanto a Mangueira, sempre certinha, sempre um exemplo de retidão, vir com aquele panfleto em um dos carros alegóricos, criticando o Prefeito Crivela, por ter cortado a verba das escolas. Em um momento de crise econômica das mais perversas, se aproveitando da Lei Rouanet como as demais. Quanto ao Prefeito do Rio, o Pastor Crivela, foi eleito pelos cariocas. Se votaram mal, vão ter que aguentar esse turista que abandonou a cidade durante a principal festa popular, para passear pela Europa, junto com mais alguns amigos, às custas da falida prefeitura, a guisa de que foi atrás de soluções para a violência que grassa na cidade maravilhosa.

       Da mesma forma agiu o Governador Pezão, responsável pela segurança do seu Estado, que tratou de sumir do mapa, deixando o barco da cidade à deriva, entregue aos bandidos pé de chinelo, que assaltaram o mais que puderam. E a polícia? Mal remunerada, com salários em atraso, com vários de seus integrantes sendo assassinados diariamente, tratou de se encolher para evitar novos confrontos com as AR-15 ostentadas pela bandidagem. O resultado disso é a intervenção determinada pelo Governo Federal, na Secretaria de Segurança do Estado.

       O que era a Cidade Maravilhosa, transformou-se no salve-se quem puder, e trouxa é aquele que ainda vai para lá turistar, passar férias ou ver desfile de escolas de samba.

       Se uma escola de samba quer participar da vida política nacional em seus desfiles, tem que dar os nomes dos canalhas, sem eufemismos. Agora, criticar e se dizer aliado do partido que mais afundou o país, não dá para aceitar. Já estamos fartos de hipocrisia, para ter que aturá-la também no carnaval.