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O abandono dos teatros municipais e estatais

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 06/04/2018 Colunista: Carlos Pinto

         Em recente reunião do Instituto Cultural de Artes Cênicas do Estado de São Paulo, realizada em São Carlos, um dos assuntos mais debatidos foi a situação de abandono em que se encontram os teatros municipais em várias cidades do interior paulista. Relatos dos vários participantes, dão conta da situação precária em que muitos se encontram, ressalvando apenas os de Presidente Prudente, Garça e Piracicaba.

        Esse estado de coisas revela acima de tudo, a total falta de compromisso da grande maioria dos atuais prefeitos paulistas, no que se relaciona com a manutenção das casas de espetáculos municipais e, muito mais: a total falta de compromisso com a cultura de suas cidades. Boa parte desses teatros estão fechados, se deteriorando, em alguns dos quais ainda existe uma pequena maquiagem externa, para enganar a população.

        Boa parte desses relatos foram protagonizados pelo Ney Vilela, que tem visitado vários municípios para obter informações para a defesa de tese que fará brevemente, na PUC, sobre o teatro amador paulista nos anos 60 e 70. É certo que o país enfrenta uma de suas maiores crises econômicas, resultado das péssimas ações governamentais nos últimos anos, mas nada que leve o Estado de São Paulo, a produzir tantos maus exemplos em matéria de conservação dos próprios públicos. Seguramente, São Paulo, enfrenta uma leva de alcaides despreparados, que não separam grama de urtiga, mal assessorados, que estão transformando a vida de seus munícipes em um inferno na terra.

         Em São Carlos, o Teatro Municipal Alberico Perdigão, também está entregue às traças. Construído nos anos sessenta, passou por uma reforma durante administrações petistas da cidade, que o transformaram em um caixote de vidros e concreto. Perdeu totalmente suas características originais, e hoje vive fechado, sendo utilizado raramente. E assim sucessivamente, os teatros de Franca, Sertãozinho, Ribeirão Preto, Batatais e outros mais, se não estão fechados, estão entregues ao abandono.

         Em Santos, a situação não difere muito. Passar pelo Coliseu ou Guarany, a falta de conservação está evidente na falta de pintura e, no Guarany, o elevador que serve os camarins e a Escola de Teatro, está quebrado há mais de três anos sem que alguém tome alguma providência no sentido de consertá-lo. Recentemente teve problemas na parte técnica do palco e no seu sistema de ar condicionado.

        Mas a coisa é mais alarmante quando se tem notícias de outros Estados. No Rio de Janeiro, o Teatro Villa-Lobos, fechado a anos em virtude de um incêndio, está caindo aos pedaços, e o dinheiro recebido do seguro para sua restauração, simplesmente sumiu. Notícias de Brasília, também dão conta do mau estado de conservação dos teatros da Capital Federal.

Para os atuais mandatários dos vários municípios paulistas e brasileiros, fechar as casas de espetáculo representa economia, sem se aterem que se trata de prédios públicos pertencentes à comunidade. Não entendem que realizar manutenções periódicas, é mais econômico que deixá-los cair e, um dia, ter que reconstrui-los.

      A cultura é um bem da sociedade que não pode continuar a sofrer o desprezo de mandatários despreparados. Não dá para continuar aguentando jejunos, candidatos a vereador não eleitos, ocupando cargos na área cultural oficial. Não fomos nós que destruímos a economia do país. Quem o fez, anda por aí leve, livre e solto, fazem demagogia, e provocam o ódio entre os brasileiros.