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O governo está de joelhos

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 29/05/2018 Colunista: Carlos Pinto

 

 “As leis são como teias de aranha.

Os pequenos insetos prendem-se

nelas, e os grandes, rasgam-nas

sem custo.”

(Anacorsis – 600 a.C)

 

Se os nossos governantes tivessem um mínimo de conhecimento sobre a história dos movimentos grevistas patrocinados pelos caminhoneiros, não teriam se envolvido com tanta insensibilidade na situação caótica em que nos encontramos. Foi uma greve nacional dos caminhoneiros no Chile, que precipitou o golpe que derrubou Salvador Allende. Da mesma forma, anos antes, na França, fato idêntico derrubou o governo francês. Mas se nosso olhar voltar alguns anos antes, foi uma greve de caminhoneiros liderados pelo lendário Jimmy Hoffa, que colocou o governo americano de joelhos.

O Governo brasileiro deveria ter prestado mais atenção quando as lideranças dessa categoria, no ano passado, começaram a alertar sobre uma possível paralisação nacional, se a pauta de suas reivindicações não fosse atendida. Diga-se de passagem, que tal pauta foi apresentada em 1998, e empurrada com a barriga pelo Ministro Padilha, que entra governo e sai governo está sempre empoleirado em um galho. Isso desde os tempos do regime militar. E mais uma vez o senhor Padilha, procurou jogar para debaixo do tapete, as justas reivindicações dos caminhoneiros autônomos e dos empresários do setor de transporte de cargas.

E o velho adágio popular tomou forma. O vaso tantas vezes vai a fonte que um dia quebra. Se em outubro de 2016, o Governo já sabia dos problemas enfrentados pela categoria, porque foi insensível e não adotou medidas para evitar essa paralisação? Porque vários itens da reivindicação de 1998/1999 não foram atendidos até hoje? Agora buscam desculpas para colocar as forças federais e até militares para contem os grevistas. Como se as Forças Armadas fossem a guarda pretoriana desse bando de corruptos que infelicita a nação.

E o que dizer desse guapo presidente do Senado, Eunicio de Oliveira, que quando viu o circo arder, tratou de pegar um jato da FAB e se mandar para o seu curral eleitoral no Nordeste. E alertado para o clima caótico do país, voltou no mesmo jatinho, um passeio que custou aos cofres públicos cento e vinte mil reais. Se os cofres da Nação estão vazios, porque não suspendem os tais cartões corporativos? Porque não acabam com o fundo partidário? Que tal por um fim no plano vitalício de saúde dos membros do Congresso Nacional? Que tal reduzir as polpudas verbas de gabinetes? E que tal colocar um fim nessa mordomia de Ministros, Deputados e Juízes do STF de utilizarem os aviões da FAB para seus roteiros turísticos?

A verdade é que estamos caminhando para um total desabastecimento, enquanto suas excelências brincam de gato e rato, com a saúde e a paciência dos brasileiros. Este governo que não nos representa, já foi longe demais. Enquanto o senhor Parente, Presidente da Petrobrás, não permite que os preços sejam colocados em patamares acessíveis, continua vendendo o mesmo combustível para os países vizinhos a preços de banana. Vendeu parte de um gasoduto da Petrobrás para uma empresa canadense, e agora paga aluguel para utilizar esse mesmo gasoduto. É um autêntico vendilhão da Pátria, que na minha opinião, está preparando a Petrobras para ser vendida ao capital estrangeiro. No governo do senhor Fernando Henrique, ele foi um dos principais articuladores da venda de várias estatais por preços de quitanda de bairro.

Apoiar os caminhoneiros é o que nos resta, enquanto pensamos de como expulsar esses políticos canalhas, que sugam os recursos do país, enquanto nossas estradas estão intransitáveis, nossa saúde foi pro buraco e a nossa educação está na beira do esgoto. Está na hora do povo aprender a votar, e deixar de vender seus votos por mentiras e cestas básicas.