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Brasil, um país de oportunistas e de otários

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 08/07/2018 Colunista: Carlos Pinto

 “Há dois tipos de pessoas:                                                                                                                               as que fazem as coisas e as                                                                                                                             que ficam com os louros.                                                                                                                           Procure ficar no primeiro grupo:                                                                                                              há menos competição por lá.”

(Indira Gandhi)

Tenho um amigo que, vez por outra, sai com um adágio popular. Ultimamente, ele, em qualquer conversa do nosso grupo sai com essa: em ‘casa de malandro, vagabundo não pede emprego’. O quem vemos hoje neste país, é que a corrupção, em suas várias facetas, está impregnada no seio da sociedade. Quando digo várias facetas, é que furtar ideias, valer-se do trabalho alheio para angariar poder e empregos, ou mesmo faturar um ganho fácil, não deixa de ser uma forma de corrupção. Talvez a mais cruel, pois furta bens intelectuais desenvolvidos por outros. Porque rouba os resultados de um trabalho alheio, para o qual em nada contribuiu.

O oportunista está sempre de plantão, atento a tudo, para ver onde pode levar alguma vantagem com o menor esforço. O ex-prefeito de Santos, Oswaldo Justo, costumava dizer que, “cada homem pinta o seu retrato, seja através de suas ações ou omissões”.

E nestes tempos bicudos, o que mais se vê, é gente pintando seus retratos de mau caráter. Ainda hoje tivemos um exemplo claro disso, protagonizado por um desembargador do TRF-4, de Porto Alegre. Chegou onde chegou pelos bons serviços prestados a um time político, e agora chegou a vez de ele retribuir os favores recebidos. E isso se estende a outros juízes mais graduados, que mesmo sem qualquer qualificação para estarem onde estão, também estão retribuindo o favor que receberam, com suas nomeações para aquele colegiado.

No caso específico do Judiciário, entendo que tais nomeações de pessoas com ou sem qualificação, para as cortes judiciais, só deveriam ser efetuadas por concurso público. Entendo que um Juiz, deve estar alheio a qualquer interferência em suas decisões, e quando apanhado em flagrante desrespeito a tais princípios, deve ser punido com severidade, ou simplesmente, expurgado do Tribunal onde exerça suas atividades. É o que merece esse cidadão que hoje ocupa uma das cadeiras do TRF-4.

A cada dia que passa esses maus exemplos afloram do nada, surgem como aves de rapina em busca de seus “sonhos”, mesmo que para isso tenham que invadir a privacidade de outros. Soltam blefes nas redes sociais, procuram passar por aquilo que não são, vivem na maioria das vezes às custas de outros, e não se envergonham em destruir aquilo que outros construíram. Nossa sociedade está infestada desses tipos, e a limpeza desse país deve começar por baixo, execrando tais piranhas, cuja vergonha na cara há muito tempo deixou de existir.

Vamos ver que tipo de punição esse desembargador de porta de cadeia, vai receber. Lamento que a OAB até este momento não tenha se pronunciado. Por certo, seus membros diretores devam estar gozando férias, mas tenho fé que alguma atitude irá adotar. Caso contrário, podem fechar as portas dessa Ordem. Tenho fé que em breve, deixaremos de ser um país de oportunistas e de otários. Otários que aceitam tudo com resignação.