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A Santa Inquisição da Globo

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 03/09/2018 Colunista: Carlos Pinto

A Santa Inquisição da Globo

As entrevistas realizadas no Jornal Nacional, da Globo, sob a batuta de William Bonner e Renata Vasconcellos, com alguns candidatos à Presidência, em muito se assemelham aos princípios da chamada Santa Inquisição. A falta de um roteiro que privilegie as propostas e programas dos candidatos, resolveram investir em assuntos pouco edificantes, que transforma o entrevistado em boi de piranha.

O que isso serve como informações para os eleitores, no meu caso pessoal, não resulta em nada. Nenhum dos entrevistados até agora terá o meu voto, mas no caso específico do Bolsonaro, se eu fosse um desavisado, tenderia a depositar meu voto nele. O teor das perguntas e o fato de perguntarem e na sequencia já tentam responder pelo entrevistado, nem na inquisição se viu algo igual. Os “jornalistas” da Globo se comportam como donos da verdade, e acabam caindo em suas próprias armadilhas.

No caso do Bolsonaro, que após essa entrevista subiu alguns pontos em seu IBOPE, fizeram papel de idiotas e acabaram com cara de moleque após alguma arte malfeita. O seu Bonner teve que engolir o assunto que levantou sobre o casamento, e acabou enfeitado como um cervo galheiro. A dona Renata foi se meter no assunto de salários iguais para a mesma função, e o Brasil todo ficou ciente que ela ganha muito menos que o Bonner. E assim as demais questões levantadas pelos dois ínclitos profissionais da mídia global.

O mesmo com relação aos demais candidatos que tiveram o aval da Globo, para participarem dessas entrevistas que não resultaram em nada. Apenas serviram para relembrar que o senhor Roberto Marinho foi um dos articuladores e linha de frente de primeira hora, da revolução de 64. Muito embora o senhor Bonner tentasse desmentir o fato, teve que engolir o que mentira nenhuma irá encobrir.

E o mais interessante é a discriminação com os demais candidatos que não são chamados para tais entrevistas. Essa democracia que é praticada na questão eleitoral, é coisa para ninguém botar defeitos. Tem candidato que, pelo fato do partido dele não ter nenhum representante no Congresso, é tratado como pária. No entanto, seu partido recebeu um registro que o habilitou a participar do pleito, e na hora de exporem seus programas, simplesmente são defenestrados por uma lei que passa a quilômetros de distância de qualquer coisa que se assemelhe a um estado democrático.

Junte-se a isso, a pouca confiança que se tem nessas urnas eletrônicas, que segundo alguns especialistas, não oferecem a menor segurança em matéria de confiabilidade. Não permitir que o eleitor retire uma cópia daquilo que depositou na urna, acirra ainda mais essa desconfiança, e eleva o grau de desconfiança na seriedade desse sistema. Quanto aos entrevistadores do Jornal Nacional, e outros de outras emissoras, poderiam prestar um melhor serviço à sociedade brasileira.

Se preparem melhor, e formulem questões relacionadas com o futuro do nosso país. Picuinhas, fofoquinhas, baixo nível, já temos demais, é só apreciar as novelas que a Rede Globo produz. Em sua obra “Pastores da Noite”, Jorge Amado criou uma frase singular: “Pastoreávamos a noite como se fossem um bando de cabras.” Nem todos fazem parte desse rebanho que ainda acreditam em Papai Noel. (Foto:Divulgação)