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Novas eleições e velhas promessas

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 22/10/2018 Colunista: Carlos Pinto

 

“Há pessoas que transformam o

sol numa simples mancha amarela.

Mas há também aquelas que fazem

de uma simples mancha amarela,

o próprio sol.”

(Pablo Picasso)

 

O período eleitoral é pródigo em promessas que, após eleitos, boa parte deles esquece de cumprir. É o que estamos observando nos vários programas e entrevistas de candidatos ao governo de São Paulo, onde a ligação seca entre a Ilha de São Vicente e, a de Santo Amaro (leia-se Santos e Guarujá), é assunto de primeira página. Desde a segunda metade dos anos oitenta, este assunto é pauta obrigatória dos ‘promessinhas’, que elaboram projetos, executam maquetes, e nunca se decidem se a ligação será através de uma ponte ou de um túnel.

 Em recente comentário postado nas redes sociais, o jornalista Rodolfo Amaral, comenta a promessa de um candidato ao segundo turno da eleição paulista, que atualmente ocupa o Governo do Estado, de que vai construir a tal ligação e que a obra será entregue em 2020. Em sua entrevista a um jornal da região, o citado candidato coloca que a obra ficará a cargo da Ecovias, concessionária do Sistema Anchieta-Imigrantes, e que não haverão custos para o governo. Que a citada Ecovias será recompensada com aditamento ao contrato de concessão no referido Sistema.

 Além disso, disparou que o custo previsto dessa obra será o equivalente a um terço dos custos antes previstos, que seriam da ordem de três bilhões e duzentos milhões. Com isso, o custo total dessa ligação ficaria em torno de um bilhão e sessenta milhões de reais. Mas o que o jornalista contesta e que até agora não tivemos nenhuma ressalva por parte do candidato ou de sua assessoria, é a contabilização na divida interna na prestação de contas do exercício de 2016, onde surge uma rubrica de um empréstimo junto ao BNDES no valor de mais de duzentos e quarenta milhões, para a referida implantação de uma ligação seca entre Santos e Guarujá.

 A mesma rubrica com relação a prestação de contas de 2017, já coloca essa dívida no patamar de mais de setecentos e vinte e cinco milhões. E tem mais: em 30 de junho passado, essa dívida com o financiamento do BNDES, já está acima de oitocentos e dezoito milhões, sem que nenhuma obra tenha sido realizada. E seguem-se as perguntas do Rodolfo Amaral, pois se a obra não terá dinheiro público, como afirma o atual Governador, porque a citada dívida está contabilizada em favor do BNDES? Se a verba foi remanejada para outro projeto, o porque de se manter a mesma nomenclatura para esta dívida? Porque do silencio do Governo do Estado, em dizer que contraiu tal dívida para uma obra que já foi cancelada dezenas de vezes?

 De minha parte, entendo que cada vez que se faz um projeto, ou uma maquete para a citada obra, alguém foi remunerado por tal serviço. Foi em tais projetos para “adoçar” o eleitorado de nossa região, que o dinheiro foi aplicado? Dependendo do projeto ou de quem o elabora, tais serviços custam uma grana alta, e por vezes, podem se transformar em fonte de renda para algum corrupto. Enfim, o povo tem em mãos a forma de mudar tal prática. É só saber usar corretamente o seu voto.