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Em defesa da Lei Rouanet e do sistema S

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 11/11/2018 Colunista: Carlos Pinto

 “O homem de bem exige

tudo de si próprio. O homem

medíocre espera tudo de todos.”

(proverbio zen)

 

            Durante o recém findo processo eleitoral, tive a constatação, mais uma vez, de que para algumas pessoas valem mais seu egoísmo, suas vaidades e seus interesses pessoais, que o bem da sociedade como um todo. E nessa lida da velha prática da farinha pouca, meu pirão primeiro, muitas “amizades” foram para o espaço.

 Comigo aconteceu um fato interessante. Um cidadão que conheci nos anos 70, e que através do meu trabalho e de outros companheiros conseguiu uma bolsa de estudos para a Escola de Arte Dramática da USP, graças também ao seu talento, é hoje um dos destaques da Globo.

 Pois bem. Esse cidadão que milita no PT, o que para mim não quer dizer nada, sempre manteve um grau de amizade comigo. Certo dia compartilhei uma pesquisa feita para o mercado financeiro, e ele, que nunca havia antes me dado o prazer de sua visita na minha página do facebook, entrou para dizer que era uma “vergonha” eu postar os dados da pesquisa. Hoje sei porque da sua idiotice. Pesquisando os aquinhoados pela Lei Rouanet, encontro lá quatro aprovações em seu nome, num total de R$ 3.015.888,90. Para qualquer um poderia ser um motivo de sair gritando pelo fim dessa lei de incentivos.

 Não é o meu caso. Sempre fui um incentivador de sua aplicação dentro dos princípios básicos pelos quais foi elaborada e aprovada durante o governo Collor. Mas como tudo neste país, a Lei Rouanet sofreu “mutações” para atender aos interesses de governantes e de empresários pouco afeitos a honradez. E neste caminho vários artistas, mesmo sem precisar, resolveram chafurdar na lama propiciada pelos vícios criados na sua aplicação. E o que vemos hoje é uma gritaria geral pelo fim da referida legislação.

 Em se agir de tal forma, temos também que rasgar a Constituição Brasileira, que vem sendo aviltada desde sua promulgação, para atender aos interesses de políticos de governos instalados neste país nos últimos trinta anos. Hoje é um documento que mais parece uma colcha de retalhos, de tantas investidas que já sofreu, tanto por parte do Executivo, como do Legislativo.

 A Lei Rouanet, dentro dos princípios básicos que a criaram, é um ótimo instrumento para garantir o amparo ao folclore nacional, aos grupos artísticos do interior dos Estados brasileiros, na reconstrução de prédios históricos e outros itens de grande valia na construção e manutenção da cidadania nacional.

 A reconstrução do Museu Nacional no Rio de Janeiro, deve merecer o amparo dessa lei de incentivos, para que se resguarde o que sobrou de incêndio que foi fruto da desatenção e da má gestão de recursos de um determinado reitor. Simplesmente liquidar a Lei Rouanet, é cometer um crime contra a cultura nacional, e um atentado a cidadania brasileira.

 Da mesma forma a investida que se pretende com relação aos recursos para o Sistema S. Para quem desconhece, o Sistema S configura o grupamento formado pelo SESC, SESI e SENAI. Se alguma coisa funciona neste país, é exatamente o trabalho desenvolvido por estas entidades, nos campos da educação, da cultura, do esporte e do social.

 Acompanho desde a segunda metade dos anos 60, o trabalho desenvolvido por essas entidades, razão pela qual sei do seu valor e do carinho que os funcionários desses sistemas, aplicam no desenvolvimento dos seus trabalhos. Amputar os recursos do Sistema S, é cometer mais um crime contra a cultura e a cidadania do Brasil.

Os membros da equipe econômica do presidente da República recém eleito, deveriam falar menos e procurar mais, formas de solucionar nossos problemas sem atentar contra aquilo que está funcionando, como é o caso dessas instituições acima mencionadas, cujo trabalho no Estado de São Paulo é primoroso, e merece ser cada vez mais incentivado, e tornado exemplo para todo o país.

 Até entendo o desespero das pessoas escaladas para colocar ordem na economia brasileira, mas um pouco de bom senso e um estudo acurado de quem é quem neste cabaré em que o país foi transformado, vai exigir muita paciência e objetividade.

 Voltando ao meu “amigo” que resolveu me censurar no facebook, esclareço que não respondi a provocação. Pelo contrário. Fico aqui raciocinando e recriando em meus pensamentos, o desespero que o acomete e a outros oportunistas aproveitadores, com a certeza de que vai perder essa teta em que foi transformada a Lei Rouanet, É só aplicá-la em seus princípios básicos, e fim de papo.