Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Colunas Impressas » De Olho na Política

O que aconteceu com a nossa música popular?

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 16/12/2018 Colunista: Carlos Pinto

  “A música pode fazer pela alma,

o que nenhuma atividade

perceptível aos sentidos

pode realizar.”

(El Morya)

A programação dos 65 anos da TV Record, nos brindou dias atrás, com uma reedição do programa “O Fino da Bossa”, que originalmente era comandado por Jair Rodrigues e Elis Regina. Para esta reedição os comandantes foram João Mariano (filho de Elis) e Luciana Melo (filha de Jair). E entre as apresentações dos artistas convidados, foram colocados vários trechos dos programas originais, reavivando nossa memória e nos levando para um tempo glorioso da música popular brasileira.

Entre os convidados tivemos Gilberto Gil, Alcione, Diogo Nogueira, Elza Soares, entre outros, que apresentaram músicas como “Domingo no Parque”, “Disparada”, e outras mais. Foi mais uma oportunidade para ouvir obras primas compostas por Tom Jobim, Edu Lobo, Gianfrancesco Guarnieri, Vinicius de Moraes, Newton Mendonça, e outros compositores da época. O advento da Bossa Nova foi na realidade a época de ouro da MPB, que se tornou conhecida mundialmente, e alavancou as apresentações de cantores brasileiros no exterior.

Hoje, o que temos como música é simplesmente um amontoado de sons guturais, onde despontam “artistas” como Anita, Wesley Safadão, Pablo Vittar e outros espécimes do mesmo naipe. Com o falecimento dos grandes compositores antes citados, a nossa música enveredou pelos caminhos estranhos do consumismo sensual, onde se salvam alguns compositores e interpretes da chamada música sertaneja. Assim mesmo, são poucos.

O interessante, é que após o grande sucesso alcançado pelo programa da TV Record, a TV Globo aproveita um programa do Pedro Bial, para “relembrar” a mesma época, contando com a participação de Gil, Caetano e Tom Zé. E novamente desfilaram várias músicas antes apresentadas na reedição do “Fino da Bossa”. O que se deduz é que a Globo passou a andar a reboque da programação dos concorrentes, traduzindo a queda de suas programações, que tem lhe valido a perda de preciosos pontos no IBOPE.

Seu jornalismo tem demonstrado uma total insensibilidade, saturando seus telespectadores até a exaustão, com campanhas explicitas contra fatos de importância irrelevante, ao passo que deixa de focalizar assuntos de real interesse da coletividade. Colocando seus interesses acima dos interesses da sociedade, a TV Globo caminha rapidamente para o ocaso de suas programações, onde, com exceção do Globo Repórter, pouca coisa ou quase nada, se salva.

Na expectativa de perder preciosos contratos governamentais a partir de janeiro próximo, seus dirigentes estão metendo os pés pelas mãos e abrindo céleres caminhos para a derrocada final. Seus concorrentes verificam a cada dia que passa, um crescimento gradativo de espectadores, seja através de uma programação mais ao gosto do povo, ou de evitar colocar os interesses da emissora, acima dos interesses de seus telespectadores.

Mas voltando ao “Fino da Bossa”, quando será que teremos de volta compositores e intérpretes daquela qualidade?