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As traquinagens do Guri

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 05/04/2019 Colunista: Carlos Pinto

 “Não corrigir nossas faltas,

é o mesmo que cometer

novos erros.”

(provérbio zen)

 

        Para os que desconhecem o que seja o Projeto Guri, trata-se de um dos mais importantes projetos culturais deste país, que vem sendo desenvolvido no Estado de São Paulo a vários anos. Trata-se de um programa educacional, voltado para a formação musical das nossas crianças e jovens, nas faixas etárias dos seis aos dezoito anos. Tem mais de sessenta e quatro mil alunos em todo o Estado, em seus mais de quatrocentos pontos, instalados em mais de trezentos municípios paulistas. O Guri realiza cursos de canto coral, instrumentos de sopro, teclados, percussão e iniciação musical. É este projeto que o nosso Governador, juntamente com seu Secretário de Cultura, pretendia exterminar.

O Governador todos conhecem, mas o Secretário de Cultura, senhor Sergio Sá Leitão, é estranho no ninho. Assumiu a Secretaria um dia após ter encerrado sua passagem pelo Ministério da Cultura, portanto, como auxiliar do ex-Presidente Michel Temer. Um invejável cartão de visitas, que associado ao seu parco currículo como homem de cultura, deixou para trás tantos paulistas com maior e melhor merecimento para ocupar o referido cargo. Formado em jornalismo, tem livros publicados sobre futebol, e nos governos de Lula e Dilma, ocupou altos posto no referido Ministério da Cultura.

Nos governos petistas ocupou postos também no BNDES e na ANCINE – Agência Nacional de Cinema, de onde saiu para presidir a Rio Filmes, atendendo ao convite do então Prefeito, Eduardo Paes. Também ocupou a Secretaria Municipal de Cultura do Rio, ou seja: sempre acompanhando políticos que hoje, ou estão presos, ou estão em vias de vir a ser. Como Ministro não conseguiu realizar nada de relevante, o que também, deverá acontecer em São Paulo. Na primeira oportunidade, não teve a coragem necessária para enfrentar o senhor Dória, provando a ele a importância do Projeto Guri, e da sua continuidade.

Como o Governador já fez declarações no sentido de que a Cultura não é uma prioridade, e que a continuidade do Projeto Guri o fará retirar verbas de outros setores culturais, entendo que o senhor Leitão deveria pedir o boné e voltar para Copacabana que é a sua praia. Ao ser cumprida a aversão cultural do senhor Doria, vários outros programas sofrerão cortes ou mesmo ter seu fim decretado. Vários equipamentos e programas serão afetados por possíveis cortes, entre os quais a Fábricas de Cultura, a Orquestra Sinfônica do Estado (OSESP), o MIS – Museu da Imagem e do Som, o Museu Afro Brasil, e outros mais.

Quando começou a gritaria sobre o extermínio do Guri, o senhor Leitão deu entrevista onde disse que tudo era boataria, que o Guri não seria exterminado. Tudo balela, pois, vários Prefeitos receberam comunicados da Coordenadora do projeto, no qual informava o fim do Guri, enquanto falam que vários funcionários teriam recebido o aviso prévio. Isso teria ocorrido no município de Registro, e o Prefeito de Sarutaiá chegou a publicar o comunicado recebido, muito embora estivesse sem a assinatura da referida Coordenadora. Mas como colocam alguns experientes homens de nossa cultura, se é para diminuir custos, porque manter duas OS – Organizações Sociais, diferentes, para coordenar o Projeto Guri? Que as traquinagens do Guri, não se multipliquem, são os nossos votos.