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São Carlos e seu piano enclausurado

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 28/04/2019 Colunista: Carlos Pinto

  “A arte existe

para que a realidade

não nos destrua.”

(Nietzsche)

            Esta semana, como parte das comemorações dos 50 anos do Teatro Municipal “Alberico Perdigão”, mais conhecido como Teatro Municipal de São Carlos, ocorreu a apresentação da Orquestra Filarmônica de Ribeirão Preto, sob a regência do Maestro Rubens Russomano Ricciardi. Com extenso currículo como compositor, arranjador, musicólogo e pianista, natural de Ribeirão Preto, o Maestro Ricciardi tem variadas graduações, em licenciatura pela ECA-USP, onde foi aluno do santista Gilberto Mendes.

Além disso, estudou na República Democrática da Alemanha, através de bolsa de estudos, onde se especializou em musicologia. Em Berlim frequentou classes de regência e composição, bem como realizou curso de extensão em composição e orquestração com Pierre Boulez. No Brasil, no período de 1992 a 1995, coordenou o núcleo de Ribeirão Preto do Festival de Música Nova, e posteriormente foi coordenador artístico e geral, ao lado de Gilberto Mendes, neste festival, nos concertos realizados em Santos, São Paulo e Ribeirão Preto. Trata-se de uma rápida pincelada nos atributos deste maestro, que hoje dirige a Filarmônica de Ribeirão Preto.

Esta apresentação, é um preambulo para a denúncia que o Maestro Ricciardi efetuou, logo após sua apresentação recentemente em São Carlos. Contou aos presentes, que foi obrigado a solicitar um piano por empréstimo, para poder realizar a programação de sua Orquestra. Tudo isso porque o piano do teatro, está totalmente danificado, pois durante as várias etapas da obra de restauração do teatro, sequer cobriram o piano para evitar que a poeira penetrasse em suas teclas e partes internas, quando o ideal, era retirá-lo para outro lugar fora do referido teatro.

Esse piano, que pertenceu ao pianista Caio Pagano, é resultado de um trabalho efetuado por Angelo Bonicelli e Nevio Dias, junto as autoridades de então, para conquistá-lo para São Carlos. Hoje, ele se encontra enclausurado em uma saleta ao lado de uma escada do palco, saleta essa fechada com uma parede com uma porta por onde o piano não passa. Quem realizou semelhante tarefa, é quem deveria estar enclausurado em uma jaula, junto com os responsáveis pela citada obra de restauração, cuja sensibilidade passa a quilômetros de um ser humano normal.

Adquirir nos dias de hoje, um piano de cauda de qualidade, terá que desembolsar mais de setecentos mil reais. Quando adquiri o piano que hoje se encontra no Teatro Coliseu de Santos, diretamente da fábrica nos Estados Unidos, já custou em torno de quinhentos mil reais. Uma aquisição para a qual tive a inestimável ajuda de Ronaldo Bianchi, então, Subsecretário Estadual de Cultura. Sobre esse piano, também tive notícias pouco edificantes, fato que irei comprovar in loco.

Resta aos amigos de São Carlos, realizar um movimento para que esse piano seja resgatado e, que se verifique se ainda tem recuperação. Caso isso seja impossível, deveriam acionar o Ministério Público, no sentido de penalizar os responsáveis por essa insensibilidade e destruição do patrimônio público.