Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Colunas Impressas » De Olho na Política

Das invasões francesas e da guerra das lagostas

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 25/08/2019 Colunista: Carlos Pinto

 “A esperteza quando é muita,

cresce, fica grande, vira bicho

e come o dono.”

(Tancredo Neves)

 

          Remonta ao século XVI o início da expansão marítima francesa, e logo após a chegada dos portugueses ao nosso litoral, eles começaram a marcar sua presença em nossas terras. Entre armadores e corsários que aqui aportavam, principalmente em busca do pau brasil, obrigou Portugal a enviar uma frota sob o comando de Cristóvão Jaques, que passou a enfrentar os franceses, chegando a prender vários deles. Desde essa época o Brasil já estava incluso nos objetivos colonialistas da França.

 Até que em 1555, eles invadiram o Rio de Janeiro e ergueram o Forte Coligny, em uma das ilhas da baía de Guanabara, objetivando a fundação da chamada França Antártica, um sonho que durou cinco anos. O Governador Geral de então, Mem de Sá, detonou o sonho francês colocando-os para correr. Mas eles, através de corsários e comerciantes não desistiram de furtar nossas riquezas, e deram continuidade ao tráfico do pau brasil e demais especiarias.

 Fizeram tentativas no norte e nordeste do Brasil, comercializando com os índios, as madeiras de lei, as peles, a pimenta e demais produtos, iniciando também um tráfico de animais, tais como macacos e papagaios. Essa farra durou até 1584 quando foram expulsos onde hoje se localiza a Paraíba, e posteriormente nas áreas onde estão o Rio Grande do Norte, Sergipe e Ceará.

Foram definitivamente expulsos em 1616, do último pedaço de terra que ocupavam no Pará, indo se instalar onde hoje é a Guiana Francesa. Mas seus corsários continuaram a faina de atacar portos e cidades brasileiras, para roubar o ouro extraído de nossas minas, conforme ocorreu no Rio de Janeiro. Posteriormente, já no século 20, houve a invasão cultural através da literatura e do teatro, esta última derrotada pelo nosso grande dramaturgo Nelson Rodrigues, através da histórica montagem de “Vestido de Noiva”, com a direção do Zienbienky.

 Os franceses sempre tiveram um olho voltado para o nosso território, principalmente para a nossa biodiversidade e nossos minérios. E após a célebre frase de seu presidente, Charles De Gaulle, de que não éramos um país sério, veio a chamada Guerra das Lagostas, isso em meados de 1961. Pescadores franceses foram pilhados em pleno litoral norte do Brasil, pescando lagostas em nossas águas territoriais. Estabeleceu-se uma crise entre as nações, que por pouco não chegamos as vias de fato.

 Eis que agora, o senhor Macron, que não consegue conter uma simples manifestação dos coletes amarelos, que tem parte de seu território envolvido em queimadas que produziram um êxodo de dez mil pessoas da área envolvida, resolve se meter em assuntos que não são de sua culinária. Não vi qualquer manifestação desse cretino, sobre os incêndios da Califórnia, da Espanha, Bolívia e de Portugal, mais devastadores que os que ocorrem no Brasil. Na verdade, seus escusos interesses sobre a nossa floresta amazônica, estão diretamente ligados ao nióbio, ao ouro e a prata, além de outros.

 Mandou bem o Presidente Bolsonaro em colocá-lo em seu devido lugar, e adotar as medidas para colocar ordem na região amazônica, onde mais de cem mil ONGs, subsidiadas por vários países, concorrem para as manifestações idênticas as do senhor Macron. Inclusive seguidas por muitos brasileiros acéfalos, seguidores da cantora Anitta, que resolveu desbancar a senhora Dilma Roussef, para ocupar o lugar de anta-mór do país. Oposição ao governo é uma coisa. Oposição ao país, é coisa bem diferente. Cheira a seguidores de Calabar.