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Os dez anos da Escola de Artes Cênicas de Santos

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 10/08/2019 Colunista: Carlos Pinto

 “Um povo que não ama e não

preserva as suas formas de expressão

mais autênticas jamais será um povo livre.”

(Plinio Marcos)

          Quando assumi a Secretaria de Cultura de Santos, nos idos de 2001, existia o curso oficial de teatro, que funcionava em um casarão da rua Comendador Martins. Era casarão antigo, cheio de cupim, sem acomodações adequadas ao funcionamento de um curso dessa natureza. Quando a Prefeitura adquiriu o que restou do Teatro Guarany, abatido por um incêndio em 1981, surgiu a oportunidade de proporcionar aos santistas, um local digno para a montagem de uma escola de artes cênicas.

O Teatro Guarany, historicamente, foi o primeiro teatro da cidade, inaugurado em 1882, que recebeu personalidades como  Sara Bernhardt, Emanuel Giovanni, Gabriele Réjane e Artur Azevedo, apenas para citar algumas dessas personalidades. Serviu de palco para a assinatura da primeira e única Constituição Municipal do país, sendo também, o centro das manifestações abolicionistas, que tinha em José do Patrocinio, um dos seus líderes, e que também esteve no palco do nosso Guarany. Em 1896, recebeu o corpo de Carlos Gomes, que havia falecido na Europa, salvo engano, e que estava de passagem para Campinas, sua terra natal.

E foi neste espaço, após sua reconstrução, que instalamos a Escola de Artes Cênicas de Santos, que leva o nome de Wilson Geraldo, um dos grandes diretores teatrais de nossa cidade. A sala de espetáculos, recebeu o nome de Carlos Alberto Soffredini, outro grande expoente da direção teatral santista, que junto com Wilson  Geraldo, eram formados pela Escola de Arte Dramática da USP. Para a direção da escola, convidamos o competente, crítico e diretor teatral Roberto Peres, que deu vida a esse núcleo, que ora comemora seus primeiros dez anos de atividades.

A conquista do que tinha restado do Teatro Guarany, passou por longa conversa com o então Prefeito Beto Mansur. Ao final ficou acertada a compra, com as Secretarias de Cultura e Planejamento, então dirigida por João Paulo Tavares Papa, o pagamento da importância solicitada pelos proprietários. Seguiu-se a elaboração do projeto de restauro, com as ampliações para a acomodação da escola de artes cênicas, projeto esse que teve em Ney Caldato o vencedor, entre os demais que foram apreciados. Concluidas as obras, foi o Teatro Guarany, totalmente restaurado, entregue a sociedade santista em 8 de dezembro de 2008, e com as instalações da Escola de Artes Cênicas inclusas na obra.

Hoje, ao completar seus primeiros dez anos, a EAC já contabiliza inúmeros serviços prestados a cultura santista e regional, bem como, formou inúmeros artistas que já disputam o mercado teatral e cinematográfico do país. Aplausos para todos, que de uma forma ou outra, contribuíram para o sucesso desse espaço cultural, que raras cidades brasileiras possuem.