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Os onze príncipes da república

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 10/11/2019 Colunista: Carlos Pinto

 “Aquele que mais estima

o ouro do que a virtude,

há de perder a ambos.”

(provérbio zen)

 

       A nossa república tem em seu seio um principado. É composto por onze príncipes, que entendem poder tudo, inclusive passar por cima dos interesses da sociedade em sua grande maioria e adotar posturas ao arrepio de qualquer entendimento. São príncipes que adquiriram esse título, por vários motivos, mas nunca, através de merecimento de um concurso público para a mais alta magistratura da nação. Está claro que tal apadrinhamento, reserva em sua rota, o momento do pagamento de tal benesse.

Alguns jamais foram aprovados em qualquer concurso em seus caminhos profissionais, tendo um que nem para delegado conseguiu lograr êxito. Mas se aproveitou de amizades familiares de um presidente de plantão, para alçar voo e conquistar um lugar no principado da justiça. Sempre entendi que toda a carreira de um magistrado, até a mais alta corte, deveria ser através de concursos públicos. E isso acontece na maioria dos casos, e exatamente na mais alta corte, é que surge esse apadrinhamento que conspurca todo o sistema.

A recente decisão do principado, a exemplo de outras pouco explicáveis, coloca em dúvida a necessidade de sua existência, pelo menos, na forma como hoje é composto. A postura de alguns, resvala até na falta de humildade e respeito por cidadãos aos quais deveriam servir. Ganham bem, tem altas mordomias, e trabalham pouco, e quando o fazem seria melhor continuar no ócio.

É urgente que o Congresso Nacional adote medidas, em conjunto com o Governo da República, no sentido de colocar um ponto final em posturas que nada contribuem para a paz social e para o crescimento do país. O nosso principado não foi composto para legislar ou determinar caminhos para a república. Sua função é julgar mal feitos em última instância, e nesse particular vem pecando muito ultimamente.

Outro fator do qual discordo, é o excessivo caminho após condenações, em que se constituem agravos e outros penduricalhos, que só fazem a alegria dos causídicos e seus clientes, no afã de retardar o cumprimento das penalidades aplicadas. Essa burocracia precisa ser eliminada, para que o trabalho da justiça se cumpra sem mais delongas. Receio ainda, que esta última decisão adotada pelo principado venha a nos trazer alguns dissabores. Está sendo criada uma perigosa divisão na sociedade, que pode afunilar e desaguar em um conflito sem previsões.

Vai ser preciso altas doses de tolerância, paciência e amor à Pátria, com a finalidade de evitar que gatunos e outros desclassificados, voltem a ditar ordens no país. Já fomos substancialmente assaltados nos últimos trinta anos, e o país necessita tomar seu rumo, seguir em frente, e ocupar o lugar que merece na comunidade internacional. Vamos cuidar do nosso quintal, e que os outros povos cada qual cuide do seu. Afinal de contas, cada povo merece o governo que tem.