Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Colunas Impressas » De Olho na Política

Aquele que foi sem ter sido

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 21/01/2020 Colunista: Carlos Pinto

 “O início da sabedoria é a

admissão da própria ignorância.

Todo o meu saber consiste em

saber que nada sei.”

(Sócrates)

 

           A demissão do então Secretário de Cultura do Governo Federal, além de se constituir em um ato necessário, comprova o que já escrevi antes sobre tal nomeação: estivesse o Governo bem informado sobre a vida pregressa deste ser, jamais pensaria sequer em lembrar do seu nome para cargo tão importante. Quem o conhece de tempos áureos em que era conhecido por suas atuações insensatas, dos tempos iniciais dos Parlapatões, estranhou sua indicação e nomeação.

Mas além dele existem outros menos famosos, cujas nomeações ou permanência nos quadros da cultura federal, está a exigir reparações. Já escrevi sobre isso em comentário no início de dezembro, ocasião em que o pessoal da área teatral e de literatura ficou calado. Agora que a raposa foi retirada do galinheiro, vejo inúmeros comentários. Não tenho por costume bater em cachorro morto, o que parece ser o gosto de alguns esquerdistas de botequim.

Comenta-se que o Presidente Bolsonaro, convidou a atriz Regina Duarte, para ocupar a função ora em aberto. Comenta-se também que o ator Carlos Vereza, seria outro a ocupar o lugar. No caso da Regina, estaria ela pleiteando que a Cultura voltasse ao status de Ministério, com carta branca para atuar. Se tal ocorrer, dependendo de quem ela vá levar para sua assessoria, poderemos ter uma sensível melhora no relacionamento do Governo com a classe artística.

Regina Duarte, com quem já mantive amizade nos tempos em que atuava no teatro, é uma figura simples, corajosa, e de fácil trato. Poderá fazer um belo trabalho, caso não seja prejudicada pelos pombos correios que agem nos corredores dos palácios em Brasília. Conhece da área e não é nenhuma arrivista. Sempre teve uma atuação política bem delineada, e nunca foi carreirista.

Quanto ao Vereza, além de um grande ator, sempre foi ligado ao antigo PCB, do qual se desligou já a algum tempo. É um cara sério. Com bom conteúdo cultural, o que facilitaria sua atuação. Como no caso da Regina, teria que conviver com os pombos correios do planalto, o que para ele será inaceitável. Não é de levar desaforos para casa, e não tem papas na língua.

O grande problema do Bolsonaro, é estender seu desentendimento com a Globo, para o restante da classe artística. Com isso a política cultural do seu governo não existe, o que acarreta o sem fim de dificuldades. Separar o joio do trigo, deve ser atividade permanente do governo e da classe política bem intencionada. É preciso calar quando necessário, e falar quando é preciso. O restante dos grupos culturais por todo este imenso país, não se resumem em um pedaço do Rio de Janeiro. Mas o que hoje ocorre, é que todos estão sendo enfiados na mesma cacimba, o que considero lamentável.

Rezemos para que novos ventos, limpem as nuvens negras que ora ocupam os setores culturais do governo no planalto.