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Nossos poetas estão mortos

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 25/02/2020 Colunista: Carlos Pinto

 “Todos estamos de visita neste

momento e lugar. Só estamos de passagem.

Viemos observar, aprender, crescer,

amar e voltar para casa.”

(proverbio aborígene australiano)

          A semana que passou deixou a cultura brasileira mais pobre. Dois expoentes de nossa classe artística nos deixaram, praticamente no mesmo dia. A Música Popular Brasileira, perdeu a presença do poeta, cantor e compositor, Paulo Costta. O cinema fica vazio sem a presença de uma de suas figuras mais marcantes: Zé do Caixão, como sempre foi conhecido o cineasta José Mojica Marins.

Ambos têm um traço em comum. Nunca foram reverenciados pelos brasileiros, da forma como deveriam ser. Paulo, natural de Bandeira do Colônia, Bahia, desde cedo enveredou pelos caminhos da música, primeiramente, como roqueiro, tendo participado como baterista de uma banda pop de Salvador. Posteriormente, em São Paulo, participou da banda Papa Poluição, conjunto que unia o rock à música nordestina, mas aos poucos a bossa nova tomou conta da sua carreira.

É autor de várias composições, sendo que várias delas sobre poemas de Mabel Veloso, que deu origem ao show “Meu Recôncavo”, e ao disco com o mesmo título. Residiu por vários anos em Paris, onde recebeu o título de Embaixador da Bossa Nova, outorgado pelo Ministério da Cultura francês. Residiu por algum tempo em Santos, onde fez várias apresentações, nos teatros Coliseu e do SESC. Se apresentou em vários municípios paulistas, com o patrocínio do SESC, com seus shows “Sabor de Bossa”; “Ho Ba La La” e “Meu Recôncavo”.

Em 2010, foi o único brasileiro convidado pela UNESCO, para representar o Brasil no Dia Internacional da Diversidade Mundial, evento realizado na Maison da UNESCO, em Paris, em comemoração ao Bicentenário da Independência das Américas. Teve como parceiros em algumas composições, nomes importantes da nossa música, tais como: Tom Zé, Décio Pignatari e Thiago Araripe.

José Mojica Marins era natural de São Paulo, Capital, mais precisamente no bairro de Vila Mariana, filho de artistas circenses de origem espanhola. Sua vocação para o cinema aconteceu cedo pois assistia a muitos filmes na sala de projeção de um cinema onde seu pai trabalhava. Além de cineasta, foi ator, roteirista e criou seu personagem que o tornou conhecido: Zé do Caixão. Considerado por todos com o pai do cinema de terror no Brasil, teve suas passagens por filmes de faroeste, de aventuras e dramas, além de pornochanchadas. Por sua trajetória foi considerado como uns dos que inspiraram o movimento marginal no país.

Em sua filmografia temos as seguintes obras: “A meia noite levarei sua alma” e “O estranho mundo de Zé do Caixão”. São apenas duas citações de uma extensa obra cinematográfica. Durante um bom tempo foi desprezado pela crítica, porém, com sua persistência e seu trabalho, alcançou o sucesso e passou a ser reverenciado por essa mesma crítica que o desprezava.

Uma semana de perdas para a nossa cultura, principalmente de artistas que não tiveram a divulgação necessária na mídia nacional. Parte desta última anda mais interessada em derrubar governos, do que propriamente servir aos fins que se destina, qual seja o de bem informar a população. Saudades do amigo Paulo Costta e do Zé do Caixão.