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Mesquita, o Lorde Cascata

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 09/06/2020 Colunista: Carlos Pinto

                                  Mesquita, o Lorde Cascata

 “A grandeza não consiste

em receber honras,

mas em merecê-las.”

(Aristóteles)

            Tinha reassumido a Secretaria de Cultura a pouco menos de um mês, após a eleição do Prefeito Papa, e surge na minha sala o Alcides Mesquita. Estava sem emprego e me procurou para ver se havia alguma coisa para ele. Não tive dúvidas e o coloquei em um cargo de confiança, uma confiança que ele nunca traiu. Durante oito anos estivemos juntos nessa batalha pela cultura santista, uma batalha que se renova a cada dia em função das dificuldades do setor. Eu já conhecia o Mesquita de outras eras, da consolidação do MDB, e do dia a dia da política santista. Contei com a ajuda do Prefeito João Paulo Papa, na efetivação dessa nomeação.

Vinha com a experiencia de ter ocupado funções na Secretaria de Estado da Cultura, o que nos facilitou em muito, o trânsito junto ao setor cultural do Estado. Através dele conheci Ronaldo Bianchi, que foi subsecretário de Estado da Cultura, um dos responsáveis pela aquisição do piano de cauda que se encontra no Teatro Coliseu, e que era tão reclamado por parte da sociedade santista. Era um dos nossos interlocutores junto ao setor oficial da cultura paulista.

Na SECULT, Mesquita ocupou várias responsabilidades, entre elas a de cuidar dos teatros da Prefeitura, cargo que exerceu com muita propriedade. Cuidou da Orquestra Sinfônica Municipal, e batalhava em todos os eventos, notadamente no Festival de Teatro de Estudantes e Barca da Cultura. Era pau para toda obra. Estava sempre em alto astral, muito embora enfrentando as dificuldades que a vida nos oferece. Risonho e franco, alegrava os ambientes onde estivesse.

Tinha na bagagem o trabalho desenvolvido no Projeto Guri, e nos eventos da Sala São Paulo, bem como, assessor da Secretaria Estadual de Cultura. Sempre presente em todos os eventos da nossa pasta, foi um dos grandes batalhadores pela volta dos desfiles das escolas de samba. Por seu trabalho nessa área, eu o “batizei” no sambódromo, como Lorde Cascata. Era um grande incentivador dos cursos de ballet, sempre colaborando com as montagens das nossas escolas de dança, e colaborando com escolas do setor da iniciativa privada, e até de outros municípios.

Alcides Mesquita nos deixa em um momento em que o setor cultural brasileiro amarga enorme crise, seja em função da pandemia, seja em função da falta de uma diretriz na política cultural do país. Lamentavelmente o nosso Presidente, estendeu sua briga com a Rede Globo, para todos os setores culturais do Brasil, o que considero um grave equívoco. Mesquita fará falta em nossas atividades culturais, não apenas como produtor e incentivador, mas acima de tudo como figura humana, como companheiro de jornada, como o irmão que todos desejam.

Siga em paz pelos caminhos da eternidade. Seu nome já está gravado nos anais da cultura santista, paulista e brasileira, para servir de exemplo as futuras gerações de homens e mulheres voltados para o fazer cultural. Siga em paz meu amigo.(Foto:Divulgação)