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A Odisséia de Orestes

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 28/12/2010 Colunista: Carlos Pinto

 

A ODISSÉIA DE ORESTES
 
 
“Você não pode escolher
como vai morrer ou quando.
Você só pode decidir como viver
para que não tenha sido em vão.”
(Joan Baez)
 
 
Ésquilo, grande autor grego e pai da tragédia ao voltar do exílio em Siracusa, após perseguição política movida por seus adversários no Senado da Grécia, brindou seus compatriotas com uma das mais importantes de suas obras elaborada no exílio: Oréstia.
Nesse texto analisa o regresso de Agamenon, rei e chefe militar da guerra de Tróia, que traído por sua mulher Clitemnestra, que trama seu assassinato para ficar com o poder, em conluio com Egisto.
Ao saber da morte do pai, Orestes, que havia sido educado longe da corte volta para vingar o crime, e na sequência dessa vingança, mata Egisto e com a colaboração de Electra, sua irmã, mata Clitemnestra.
Essa tragédia grega de Ésquilo obtém um êxito fabuloso, mas, no entanto não conseguiu transmitir ao povo, o que sua obra ocultava. Nela,  com muita clareza solicitava que a direção política de Atenas continuasse entregue ao areópago, um conselho de homens e juízes independentes, para conduzir a Grécia ao progresso e desenvolvimento capazes de propiciar ao povo, uma qualidade de vida superior.
Impotente perante os desmandos que ocorriam e as desgraças que se avizinhavam e de acordo com sua forma de pensar, só um Estado forte e apoiado em si mesmo e na força do povo, ostentaria condições de passar ao largo de tais tempestades que se pronunciavam. Os séculos se passaram e as lições de Ésquilo continuam vivas.
Por força do destino São Paulo viu nascer um político, coincidentemente chamado Orestes, com as mesmas visões e noções de progresso e desenvolvimento, e uma concepção de leis mais justas e sociais, com apoio às artes, à agricultura, à indústria e um incentivo às pesquisas cientificas.
Nascido em Pedregulho, pequeno município do nordeste paulista, aos quatorze anos desembarca sozinho em Campinas para procurar trabalho. Começa aí sua grande odisséia.
Trabalhando firme, aos dezoito já é proprietário de seu próprio negócio. Estudando e trabalhando constrói uma carreira que passa a ser denegrida por seus adversários, tal qual um Ésquilo revivido.
Foi deputado estadual, época em que o conheci, Prefeito de Campinas, o Senador mais jovem da República, até chegar ao governo de São Paulo. Nesse caminho se posicionou como um líder da resistência democrática enfrentando o estado de exceção instalado no país em 1964.
Como Governador acreditou na força do interior paulista e através da construção de novas e modernas estradas, alem da abertura de centenas de vicinais, abriu caminho para o escoamento da produção agrícola e industrial dos municípios paulistas.
Com isso efetuou verdadeira transformação social, que possibilitou a criação de grandes cidades, através da instalação de indústrias e demais equipamentos de produção, que aumentou consideravelmente o poderio econômico de nosso Estado.
Nessa caminhada fez inimigos e foi traído por amigos à quem muito ajudou. Tais desafetos se uniram em uma campanha difamatória que nunca logrou êxito nos tribunais. Algumas dessas vozes que o caluniaram se levantaram agora em sua morte, para elogiar seu caráter desenvolvimentista e seu trabalho de resistência ao regime de exceção de 1964. Creio que melhor seria se calados ficassem.
São Paulo perdeu um líder. Quando aparecerá outro?
Segundo Shakespeare, em seu drama “Julio Cesar”, no discurso de Marco Antonio, “O mal que fazem os homens perdura depois deles! Frequentemente, o bem que fizeram é sepultado com os próprios ossos.”   
 Que assim seja com Orestes Quércia.
Que o mal que lhe causaram injustamente, permaneça para a história. Quanto ao bem que realizou, nós, seus amigos nos ocuparemos de relembrar em toda e qualquer oportunidade.

Quércia não viveu em vão como a maioria desses detratores.