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Misoginia não só nas normatividades

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 30/07/2011 Colunista: Alexandre Martins Joca

*Rogério Melo e Fábio Morelli

Estamos diariamente nos deparando com o tema sobre diversidade sexual, gênero, sexualidades dissidentes, homofobia, direitos humanos, etc.

Se dermos uma breve analisada nos enfoques dado a essa temática e à população LGBTT, aparentemente podemos não ter nos dado conta de que na maioria das vezes o foco é voltado para a homoafetividade masculina, sendo poucas vezes abordado a homoafetividade feminina.

Mesmo em programas de televisão, filmes, depoimentos, bullyng nas escolas; tudo está mais voltado ao masculino e não ao feminino, até mesmo os relatos de agressões enfatizados na sociedade.

Isso nos faz problematizar a existência de um binarismo mesmo dentro da diversidade, ou melhor, da multiplicidade sexual. Seria uma espécie de misoginia inserida até dentro dos debates que são pautados num discurso de diversidade?

Por que não pensar ainda numa lógica machista para além de relações pautadas em uma heteronormatividade ortodoxa?

Sabemos que, mesmo dentro da heterossexualidade a desigualdade de gênero é constatada em todos os níveis, desde o do trabalho até o da agressão familiar.
Será que isso aconteceria também no âmbito da diversidade sexual?

Dentro de um processo epistemológico, o movimento feminista na sua luta conquistou seu espaço e sua identidade, isso acontece também em relação às lésbicas.
Percebemos isso quando houve a exigência da mudança da nomenclatura da sigla GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e travestis) para a atual LGBTT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) que aconteceu pela reivindicação das mulheres do movimento lésbico. Justamente porque se percebeu que havia uma discriminação ou uma preferência por uma problemática masculina mesmo dentro de grupos que debatiam as questões referentes à diversidade e de alguma maneira contra os modos de subjugação de qualquer ordem e/ou origem.

Outro ponto marcante que vêm sendo “construído” aos poucos, tanto em textos, e-mails, ou alguma escrita entre essa população é a adoção do símbolo “@” substituindo os pronomes “o e a” na identificação dos sujeitos. Por exemplo: todos/todas por “tod@s”.

Uma adoção onde não há distinção ou algum tipo de grau de superioridade ou prioridade de algum dos gêneros. Pois podemos constatar na ordem ortográfica da nossa língua que, sempre colocamos a referência primeira ao masculino depois ao feminino. Inclusive quando se conjuga o verbo plural, pois no caso de haver uma mulher e dois homens o pronome a ser usado deve ser “eles”. Mas dentro de uma concepção de diversidade sexual, isso tem sido significante, até mesmo quando há encontros, congressos, simpósios, etc, onde existe articulação entre esse público.

Pensando nisso, nos perguntamos por onde andam as lésbicas? No sentido de uma possível invisibilidade pelo próprio binarismo heterossexual que pode ter sido engendrado nas relações da multiplicidade sexual e de gênero. Por que mesmo dentro de uma população que luta pela “igualdade” de direitos, ainda nos parece que a figura feminina ainda é vista como secundária. Lembrando que isto não quer dizer que não haja lésbicas, pois é do nosso conhecimento o trabalho de diversos locais que possuem como foco principal a construção das subjetividades e identidades lésbicas.

Entretanto, temos que nos questionar e nos policiar para não reproduzirmos equívocos discriminatórios e vexatórios sobre uma população histórica e culturalmente negligenciada.

Artigo assinado pelos colaboradores:
*Rogério Melo, Graduando em Psicologia na Universidade Paranaense – UNIPAR e membro do Grupo de Pesquisa de Estudos em Políticas Públicas em Saúde-(GEPPS) e do Grupo de Pesquisa Bioética, Direito e Cidadania e membro da ONG. Expressões, Direitos Humanos, Cultura e Cidadania.
*Fábio Morelli, Graduando em Ciências Sociais na UNESP/Marília e membro do Grupo de Pesquisa e Estudos Sobre Sexualidade (GPESS).