Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Colunas Impressas » De Olho na Política

Os ralos do nosso erário

Voltar para listagem de colunas Inserida em: 11/09/2011 Colunista: Carlos Pinto
 

                                                                                              “Se os brasileiros desonestos

                                                                                                             voassem, nós nunca

                                                                                                        veríamos a luz do sol.”

                                                                                                                                     (DA)

 
O Jornal Folha de São Paulo publicou recentemente um caderno no qual avalia o custo da corrupção no Brasil. Segundo a matéria, seis bilhões de reais “desapareceram” por ano na última década, o que entendemos ser demais para o coração de qualquer mortal. É o nosso suado dinheiro recolhido em impostos de toda e qualquer natureza, que se esvaem pelos ralos dessa corrupção desenfreada.
E a pergunta que se faz neste momento é a seguinte: O que poderia ser feito em favor dos brasileiros, com a construção de moradias, escolas, casas de espetáculos, creches, unidades de saúde e tantas outras necessidades dos segmentos menos favorecidos de nossa sociedade? Outras perguntas que não querem calar:  quantas pessoas envolvidas nestas fraudes foram condenadas? Quantas estão presas? De quantas se confiscaram os bens conquistados de forma ilícita?
A partir dos episódios que envolveram o ex-presidente Collor e seu amigo PC Farias, passando pelos anões do orçamento, o escândalo da obra do TRT em São Paulo, as fraudes da SUDAM, do mensalão, dos sanguessugas e os implicados nas operações Anaconda e Navalha, entre outras, o dinheiro do povo se pulveriza em contas no exterior, enquanto somos escorchados cada dia mais, pagando impostos até para respirar.
Enquanto isso,  faltam recursos para tudo, a inflação cresce, o poder aquisitivo do povo vai decrescendo, e as medidas que obrigatoriamente se adotam, só fazem ruir as esperanças de que um dia este país sairá desta condição miserável de fazer parte do chamado terceiro mundo. São obras de infra-estrutura abandonadas após consumir milhões de reais, obras essas de vital importância como é o caso da construção de um canal para irrigar o sertão da Bahia, que se pronto, beneficiaria mais de três mil famílias.
E tem gente que ainda acha que denunciar tais fatos é pura perseguição da imprensa, e propõe medidas no sentido de colocar uma rolha nessa “perseguição”. E o que mais me espanta, é que os mentores de tal engenharia sofreram durante o regime militar, a tesoura da censura draconiana da época. Não vejo qualquer diferença entre as duas propostas, pois ambas alem de quererem silenciar a verdade, tem por escopo manter o povo desinformado da realidade.
É certo que a corrupção não é privilégio do Brasil. É praga que atravessa fronteiras e está presente em quase todos os países, exceto em Singapura, onde existe pena de morte para este tipo de crime. No entanto há uma luz no fim do túnel. Neste sete de setembro já ecoaram diversas manifestações em várias cidades do país. São poucas e com pequena parcela da população, mas representam um sintoma de que a sociedade não suporta mais tantas bandalheiras. Pelo menos o povo começa a deixar de lado outras marchas e passeatas menos edificantes, e está tratando de adotar posições em defesa dos reais interesses da sociedade brasileira.