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Fabião - A política precisa de oxigenação

Voltar para listagem de Eleição Inserida em: 08/06/2012

Fabião - A política precisa de oxigenação

O Espaço Aberto inicia um bate papo com os pré-candidatos à prefeitura de Santos, com o objetivo de fugir do tom político partidário, deixando fluir a conversa para amenidades, com o intuito de revelar o outro lado de quem aspira a administração da cidade sede do maior porto da América Latina.  As entrevistas no site, em razão do espaço disponível, não necessariamente serão idênticas as publicadas nas edições impressas do Espaço Aberto.

O primeiro prefeiturável é o ambientalista, biólogo, ecologista e professor, Fábio Alexandre de Araújo Nunes, o professor Fabião. Vereador em Santos pela terceira vez consecutiva, ex-secretário do Meio Ambiente em Santos, Fabião tem 46 anos. Professor desde 1988, lecionando há 20, no Cursinho Objetivo, engajado desde muito jovem nas questões ambientais, tem nesse tema, suporte para o desenvolvimento de suas atividades.

“A política precisa de oxigenação”

Emotivo, Fabião fala de três paixões: magistério, meio ambiente e a cidade,   motivos mais que suficientes para colocar na rua sua pré-candidatura à prefeitura de Santos

Pré-candidato pelo PSB à prefeitura de Santos, o ecologista Fábio Alexandre Nunes (Fabião), ex-secretário de Meio Ambiente e vereador em terceiro mandato, é direto no seu objetivo: “neste momento sou pré-candidato, e na sequência, candidato à prefeitura de Santos pelo meu partido e por um grupo de pessoas e não candidato de mim mesmo”.

Conhecido pela defesa intransigente da natureza e, consequentemente, da preservação do meio ambiente, Fabião, professor de Biologia há 25 anos, tem um discurso pronto, calcado na reflexão de um futuro sustentável, sobre as razões que o levaram a essa pré-candidatura, para a qual vem se preparando desde 2008.

 “Se eu não for candidato, o povo não tem como me escolher e para isso (ser candidato), venho preparando desde que entrei na vida pública há 12 anos, mas somente quando fui eleito vereador pela terceira vez, em outubro de 2008, decidi que ao final do “doutorado” na vereança, estaria pronto para novos vôos”.

Fabião considera a Câmara uma das mais importantes referências da democracia, por esta razão, por mais que lhe falem sobre a certeza de reeleição para mais uma mandato como vereador, diz que a hora é essa.

“Adoro o parlamento porque ele é a caixa de ressonância da democracia, especialmente pelos debates que produz e pela proximidade com o povo, mas entendo que o ser humano precisa se reinventar, e para mim, este é o momento. Fecho um ciclo, no qual pude como professor, como vereador e como secretário de Meio Ambiente, conhecer a biodiversidade de Santos. São doze anos na faculdade da vida pública: os primeiros quatro foram para graduação; depois mais quatro anos mestrado e agora estou no fim do doutorado, portanto apto a um novo ciclo. Dessa fase que encerro, não abro mão do magistério que é a minha essência”.

Política – Para Fabião, um utopista convicto, filho do ex-vereador Norton Nunes, a política necessita sempre de oxigenação.

“Respeito a história de todos os candidatos, mas não sinto que no imaginário dos santistas, a cidade precise resgatar dois bons gestores (referindo-se ao ex-prefeito Beto Mansur e ao atual João Paulo Tavares Papa). Ambos tem calcanhar de Aquiles o que naturalmente será lembrado na campanha, porque  a cobrança é sempre em cima do que ficou a desejar. Se fizeram boa administração, ótimo, mas isso é obrigação do gestor público. O que entendo é que a cidade está há anos sem debate, e a discussão de idéias é salutar” disse o vereador, ressaltando que o debate é imprescindível não apenas na disputa eleitoral, mas no exercício da democracia.

“A disputa eleitoral não é uma guerra e sim o momento de se apresentar e expor seus projetos à população. Os 324.225l eleitores santistas precisam sentir a verdade dos candidatos, cuja segurança na disputa é nenhuma, porque hoje trabalhamos pelo resgate da política com credibilidade”.

Desafio - Banir a relação candidato/produto, eleitor/consumidor, é uma das metas de Fabião, que sempre fez campanha percorrendo a cidade de bicicleta com um banner a reboque.

“Tenho um bom trânsito em todas as áreas da cidade e sempre procurei passar aos meus alunos (cerca de 60 mil, nos 25 anos de Magistério) que numa democracia o povo é soberano, e que uma campanha pode ser feita sem agredir o meio ambiente e que dá para se eleger sem gastar as cifras absurdas como as normalmente propaladas. O candidato precisa sensibilizar o eleitor, mostrar seu trabalho . Esse é o meu grande desafio e nos últimos doze anos tenho provado que isso é possível.O carro chefe de uma campanha deve ser sempre o recurso humano e não o monetário. É preciso banir da política,a relação candidato/produto, eleitor/consumidor”.

Utopia - Aos 45 anos, Fabião é um utopista convicto, que a exemplo de um de seus escritores favoritos, Henry David Thorreau (1817-1862), busca o ideal, mesmo sabendo que dificilmente o encontrará.  Mesmo assim não desiste, porque já provou que utopia também pode ter um final concreto, citando como exemplo sua eleição por três vezes consecutivas à Câmara de Santos, gastando o mínimo. Embora não cite cifras, sabe-se que elas não ultrapassaram a casa dos sete dígitos.

Enquanto Thorreau em seu livro “Walden” descreve o sonho de uma vida simples cercada pela natureza, Fabião vai mais além dessa perspectiva, explicando que a base para isso se aplica também nos governos independentes das esferas. E segundo o professor, no quadro político brasileiro, quem mais se aproximou desse estágio, foi o senador Cristovam Buarque (PDT), com iniciativas visando o resgate do governo de acolhimento.

“Os governos precisam se inovar cultivando o relacionamento humano, com qualidade de informação que também faz parte da qualidade de vida” afirma Fabião  ao assinalar que todo gestor público precisa  ter equilíbrio técnico associado ao potencial humano.

Propostas – Uma cidade na qual a economia verde esteja no contexto do desenvolvimento sustentável é o principal destaque nas propostas do pré-candidato, que por enquanto prefere classificá-las como idéias.

“Nosso trabalho será uma construção coletiva. Temos idéias conversadas nos mais diferentes espaços da cidade. E para estarmos mais próximo dos anseios da população, nessas conversas procuramos distanciar o Fabião como pré-candidato, aproximando-o da discussão, como munícipe simplesmente.

O grande diferencial das nossas ideias, futuras propostas, é desenvolver um governo colaborativo, porque Santos ainda tem um abismo social que precisa ser vencido. Precisamos conhecer quem está nos extremos, pois o grande desafio do município nas primeiras duas décadas desse século é administrar esse abismo. Vivemos hoje o desafio do petróleo e gás. Não podemos esquecer que trazem divisas, mas são recursos não renováveis. Precisaremos usar os recursos financeiros dessas fontes para resolver problemas do passado.

O abismo social não é privilégio de Santos, é mundial e esse é um dos grandes desafios globais, e para vencê-lo precisamos quebrar os paradigmas que sustentam a sociedade. Garantir a vida humana é o grande desafio de todos nós. Parece discurso distante da nossa realidade? Não é. É um tema que precisa ser encarado por qualquer gestor público, por isso faz parte das nossas idéias”.

Emoção – O biólogo, ambientalista e ecologista Fabião, pré-candidato à Prefeitura de Santos que tem assento no evento Cúpula dos Povos, que será realizada no período de 15 a 23, paralelo ao Rio+20 (13-22), quando o mundo se reúne para discutir o futuro do planeta, apesar de estar descepcionado com a presidente Dilma Rousself (PT) em relação ao veto parcial do novo Código Florestal, se emociona ao falar de três coisas: meio ambiente, ensino-biologia  e Santos. 

Os olhos chegam a lacrimejar quando fala nos 25 anos em sala de aula, sendo duas décadas no Objetivo lecionando para pré-vestibulandos. “O Magistério é a minha vida. Não consigo me imaginar sem esse aprendizado, porque professor é um eterno aprendiz. É o cara que não sai da escola e precisa sempre ter café no bule para despertar o interesse da juventude para as coisas certas da vida. Uma dessas coisas é o respeito ao meio ambiente. Santos... ah... ela é linda, é minha casa, minha paixão”, diz o professor, vereador que conclui o bate-papo confidenciando: “O meu grande desafio é tornar o Fabião conhecido dos santistas e fazer com que estes conheçam o trabalho e as idéias do professor Fabião”.

Economia verde - Pré-candidato a prefeito de Santos, Fabião se diz à vontade quando fala da dualidade da Região Metropolitana da Baixada Santista em termos de preservação de meio ambiente e economia.

“Nossa região vive um dualismo que precisa ser equacionado e muito bem trabalhado. Hoje, o mundo inteiro se volta para a economia verde, ou seja, a economia de baixo carbono. O mundo procura substituir a dependência do hidrocarboneto fóssil (gás natural, carvão mineral e petróleo) para garantir a sobrevivência do planeta. A humanidade entendeu que temos que acabar com o tipo de economia atual e implantar imediatamente a economia verde, ou economia de baixo carbono.

Ocorre que na atualidade nossa região tem a oportunidade de dar um salto econômico muito grande, com o petróleo e o gás, economia é à base de carbono.

O que fazer? Trabalhar com compensação, desenvolver políticas específicas na busca de soluções rápidas e seguras, porque não podemos prescindir desse petróleo. É bom deixar claro que o petróleo da região não será refinado e queimado, ele será utilizado na indústria petroquímica. Por esta razão insisto junto a todos os órgãos, que a educação ambiental é uma prioridade não apenas em Santos, na região, mas em todo o País”.

(Noemi Francesca de Macedo)