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Denúncia pode afastar Aquino da campanha

Voltar para listagem de Eleição Inserida em: 27/07/2012

Denúncia pode afastar Aquino da campanha

O que parecia uma campanha morna, tem tudo para esquentar nos próximos dias, com o pedido de impugnação da candidatura de Sérgio Aquino (foto), pelo PMDB, e ainda o enquadramento não só do candidato, como também do prefeito João Paulo Tavares Papa, em fraudes eleitorais para que se tornem inelegíveis pelos próximos anos.

Duas ações neste sentido já estão prontas para serem distribuídas à Justiça Eleitoral, com o propósito de barrar a candidatura de Aquino e ainda o processamento de outros dirigentes do Partido da Pátria Livre (PPL).

Nitroglicerina - Quem já teve acesso às petições à Justiça Eleitoral, afirma que se trata de “nitroglicerina pura”, capaz de implodir o poderio da frente “Santos Avançando”, coligação formada pelo PMDB, PDT, PV, PSD, PCdoB, PPL, PMN e PTN. Aliás,  é exatamente o ingresso do Partido Trabalhista Nacional (PTN) na coligação liderada pelo PMDB que desencadeou toda a celeuma e pode causar estragos na campanha do candidato indicado pelo prefeito Papa.

Segundo as ações que estão para ser propostas, o PTN já havia deliberado pela coligação com o Partido Popular (PP), que tem como candidato o deputado federal e ex-prefeito Beto Mansur. Entretanto, quando da abertura da coligação do PMDB, no dia 30 de junho último, todos os cartazes e painéis já constavam com o nome do PTN como integrante da coligação “Santos Avançando”.

No mesmo dia 30, simultâneamente, a direção provisória do PTN em Santos fazia sua convenção, que resultou no apoio a Beto Mansur. Em meio aos trabalhos, dois dirigentes do PTN, um do diretório de São Sebastião, e outro que se apresentou como representante da direção estadual em nome da presidente do partido em São Paulo, Renata Hellmeister Abreu, anunciaram que o processo de votação pela coligação estava errado. Disseram mais: “que de acordo com a determinação estadual o 'acerto' havia sido feito com o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB)”.

Ordem reiterada - Como houve resistência dos convencionais do PTN, os dois representantes do partido entraram em contato com Renata Abreu, que reiterou a ordem ao presidente do diretório de Santos, José Roberto Mota. Os dois representantes do PTN disseram, ainda, que todos os convencionais se dirigissem para o Mendes Convention Center, onde se realizava a convenção do PMDB.

Neste ponto, o que se extrai das petições e teria sido afirmado pelos convencionais, é que o pedido para que fossem para a convenção do PMDB partiu de Sérgio Aquino, Guilherme Cruz Costa, do PPL, e Clóvis Farinelli, estes dois últimos representantes da coligação “Santos Avançando”. No Mendes Convention, o chamado “acerto” ocorreria, e poderia ser “ampliado”, dependendo do que fosse “conversado”.

 Dois dias depois, Francisco Pereira da Silva, filiado ao PTN, foi chamado à sede do PMDB e informado por Leonardo Tavares, José Paulo Ferreira, Guilherme Cruz e Clovis Farinelli, que José Roberto Mota não era mais presidente do PTN, pois a “convenção do partido havia sido anulada”. Assim, se Francisco Pereira desejasse disputar a eleição para vereador teria que apresentar novamente toda a documentação, o que acabou fazendo, de boa fé.

Atas adulteradas - Mas não é só: a ação sugere que Comissão Executiva Nacional do PTN, presidida por José Masci de Abreu, também participou das fraudes, ao “forjar uma reunião”, no dia 8 último, cuja ata foi apresentada ao juiz da 118ª Zona Eleitoral de Santos, na qual comunica a substituição de Mota na Comissão Provisória do partido. O documento diz textualmente “I – Anula-se a coligação com o Partido Progressista – PP, tanto na disputa majoritária quanto na disputa proporcional; 2 – Anula-se qualquer apoio ao candidato Paulo Roberto Mansur; e 3 – Anula-se a candidatura de José Roberto Mota, sendo cancelada por contrariar os interesses do partido”. E mais: “Mantém-se as demais deliberações dessa Convenção”.

Mota já recorreu à Justiça e foi reconduzido ao cargo de presidente da Comissão Provisória do PTN.

Outro ponto abordado nas ações diz respeito ao fato de a presidente estadual do PTN, Renata Abreu, ter selado o apoio a Aquino, sem que isso representasse a manifestação de vontade dos convencionais do partido. O mais grave, apontam, é que ocorreu no Gabinete do prefeito Papa, com a presença do Chefe do Executivo, e de seu candidato, Aquino.

Esse ato é apontado como abuso de poder e crime eleitoral, pelo fato de o prefeito ter se utilizado de bens públicos, em horário de expediente, para beneficiar seu candidato.

(Na edição nº 459 – Julho/2012 do Espaço Aberto, fotos do acordo firmado na Prefeitura e da convenção do PMDB realizada no dia 30 de junho- veja edição).