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Beto Mansur quer ser síndico

Voltar para listagem de Eleição Inserida em: 30/07/2012

Beto Mansur quer ser síndico

Em entrevista ao Espaço Aberto (EA), o deputado federal Beto Mansur (PP), ex-prefeito de Santos por dois mandatos (1997-2004), contou porque é candidato, como vê e sente a cidade e falou sobre projetos.

A entrevista publicada nesta coluna (Eleições 2012), do EA difere da publicação impressa em virtude da disponibilidade de espaço. Assim, ampliando o bate-papo, o deputado falou de sua relação com o PT, inclusive, do apelido “Beto Bom de Praça”  que ganhou de integrantes do partido.

 EA – Por que Beto Mansur quer voltar à Prefeitura?

Beto Mansur - Porque aos 61 anos acho que tenho energia, força e determinação para dirigir uma cidade. Comecei na política aos 38 anos (foi vereador, prefeito, é deputado federal pela terceira vez) e uma das grandes satisfações da minha vida foi ter sido eleito para administrar Santos por duas vezes e ter indicado meu sucessor. Quando assumi a prefeitura em 1997 encontrei uma situação financeira muito difícil, com duas folhas de pagamentos atrasadas, a população desmotivada e o governo sem expectativa. Quero voltar para fazer o que é necessário.

EA – E o que é necessário?

Beto Mansur – Obras de infraestrutura. O túnel ligando as Zonas Leste e Noroeste, cuja obra deixei pronta para ser iniciada. Faltou buscar dinheiro. Papa não fez. Obras do complexo viário, pois o trânsito hoje é um dos maiores problemas de Santos; a Zona Noroeste e a entrada da cidade estão impraticáveis; a questão do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) que pode ter outras opções; precisamos  ainda discutir a questão da ligação Santos/Guarujá, obra que pode ser tocada pela iniciativa privada, para que o Estado invista em saúde. Santos, precisa de grandes projetos, mas necessita ter um síndico, aquele que acorda cedo e vai dormir tarde, porque muitos problemas pontuais urgem por soluções imediatas, como a questão das calçadas e do lixo. Quero tornar Santos em uma cidade sustentável no dia a dia.

 - com relação às calçadas de Santos, alvo de inúmeras reclamações, especialmente no Centro Histórico, Mansur disse que a responsabilidade da conservação passará à prefeitura e quanto ao lixo, adiantou que pretende integrar os nove municípios da região para discutir a instalação de uma usina produtora de energia. “Isso é pensar em meio ambiente e sustentabilidade”. Disse ainda, que falta reciclagem e que a Prodesan opera com caminhões velhos na coleta do lixo domiciliar.

EA - Um dos maiores problemas da Zona Noroeste: enchentes; em que momento seu projeto de solução emperrou?

Beto Mansur – Este realmente é um problema grave e de grande impacto para o Governo. Na minha administração iniciamos um projeto para acabar com as enchentes na Zona Noroeste. Papa conseguiu financiamento internacional, mas o “Programa Santos Novos Tempos” está muito lento e o próximo prefeito precisa de forma urgente, tocar essa obra. Papa conseguiu recursos, mas não conseguiu viabilizar a obra. 

EA - A população prioriza três itens: educação, saúde e trabalho.

Beto Mansur - É preciso integrar a cidade para que a população usufrua da riqueza que ela propicia. Com o pré-sal, a possibilidade de concentrar parte dos benefícios, afinal surgem novos investimentos. Um exemplo, três torres da Petrobras serão erguidas no Valongo, gerando seis mil empregos. Então que estas vagas sejam para Santos e para isso, a Prefeitura e as Universidades, juntas, se programem para capacitar mão de obra. Saúde: um grande acerto do prefeito Papa foi a aquisição do Hospital dos Estivadores. Se eleito, vou procurar aparelhar o hospital e mantê-lo por meio de parcerias junto aos governos estadual e federal, para transformar a unidade em hospital metropolitano; reestruturar as policlínicas e aplicar uma nova política com relação à distribuição de medicamentos.

EA - E a questão da Educação?

Beto Mansur - Este é um capítulo à parte. Priorizaremos o desenvolvimento do aluno, com provas retomando a progressão avaliada, entregaremos material e uniforme no início do ano letivo e a capacitação e atualização do professorado. Em meu governo passado iniciamos esses processos com entrega de material escolar e uniformes, e financiamento de cursos de 3º grau para capacitação do professor no tempo certo, e deu muito certo.

EA - Se eleito, qual primeira providência?

Beto Mansur - A questão das enchentes na Zona Noroeste é uma prioridade e coisas pontuais... (depois de uma pausa)... Hoje temos um problema com a Sabesp. O prefeito Papa fez um novo contrato com a empresa que envolve esgotos clandestinos, canais, abastecimento nos morros e balneabilidade das praias. Desconheço os termos do contrato...

EA - O PP não coligou para o segundo turno, mas na possibilidade do segundo turno, o PP e PT santistas podem se unir?

Beto Mansur – A campanha municipal está estadualizada e federalizada. A disputa entre PT e PSDB acaba embolando nos municípios. Mas, não temos que discutir a questão em termos estadual e federal e sim o nosso dia a dia na cidade, mantendo o bom relacionamento com os dois governos.  Tentamos coligar com outros partidos em virtude do tempo na TV, mas não foi possível. Se meu tempo de TV é curto, vou andar mais; vou para as ruas e para as redes sociais e aguardar os debates. Estes sim vão definir para a população o que a gente pretende para a cidade. Quanto a coligação com o PT para um segundo turno não vejo problemas.  Me dou bem com a Telma (deputada estadual Telma de Souza, candidata à Prefeitura pelo PT) que também já foi prefeita de Santos. Cada um tem um jeito de governar. Se para o bem da cidade for necessária uma composição com ela, não vejo problema algum. Participamos de um embate político, mas não perdemos a ternura. Telma sabe disso.

EA - O deputado disse que se for necessário não vê problemas em compor com o PT. Isso não decepcionaria seus eleitores?

Beto Mansur - Não. Quem me conhece sabe que respeito o posicionamento de cada partido e com relação ao PT não diferente. Se no futuro for necessária essa composição, apesar da forma mais ácida do Partido Trabalhista encarar os embates políticos, me sinto responsável o suficiente para promover a parceria. Se for do interesse da cidade, nada impede de o PP e o PT desenvolvam, juntos, um projeto.

EA - Durante seu governo municipal, o PT santista o chamava de “Beto Bom de Praça”, alegando que seu trabalho se resumia a esses espaços. Como administrava a crítica?

Beto Mansur - Achei ótimo o apelido. Afinal, quando assumi a prefeitura, Santos estava judiada e a administração não tinha dinheiro. Fizemos um planejamento para arrumar a cidade para atrair e receber turistas. Investi na manutenção de praças, fontes, não apenas na orla, mas também nos morros. Melhoramos a iluminação, foram mais dezenove mil pontos de luz. Tudo isso deixou a população mais incentivada. Por essa razão achei o apelido “Beto Bom de Praça” ótimo. Se isso significava uma crítica, e era tudo o que a oposição podia falar da minha administração, só podia achar ótimo. Administrava a situação muito bem, porque o apelido era simpático e verdadeiro.

EA - Sua relação com o funcionalismo não foi muito boa, por conta dos “reajustes zero” “dados” á categoria. O que mudou?

Beto Mansur - De maneira geral, minha relação com o funcionalismo público municipal é boa. Se eu tivesse sido um mau administrador para a categoria, não teria passado oito anos (dois mandatos) sem greve. No primeiro ano de governo dei um reajuste, depois as dificuldades financeiras foram aumentando e trabalhávamos sempre no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. Se não pude dar outros reajustes, dei abono salarial e consegui entregar a Prefeitura ao meu sucessor (Papa), saneada.

EA - De maneira geral não é dessa forma que o funcionalismo analisa suas administrações e tece severas críticas.

Beto Mansur - O verdadeiro funcionalismo público municipal de Santos sabe o que eu estou falando. Trabalhei no limite financeiro e eles (funcionários públicos) sabem que sem eles, prefeito algum consegue trabalhar. Foi com o funcionalismo que eu aprendi tudo que sei sobre a cidade de Santos.

EA - Santos tem registrado significativo aumento da população de idosos, como analisa o futuro do município?

Beto Mansur - Eu quero envelhecer em Santos, porque a cidade é ótima para viver. É plana e dispõe de excelente infraestrutura  além de ótimos programas voltados para os idosos. O Brasil está envelhecendo e Santos é um reflexo. Se por um lado o índice de natalidade diminui, por outro o parâmetro de longevidade se alterou para mais. A sobrevida das pessoas hoje é maior em função de diversas situações, desde medicamentos ao meio ambiente e a cidade de Santos oferece qualidade de vida. Os Programas “Vovô Sabe Tudo” e “Vovonauta”, com o objetivo de transmitir experiências às novas gerações, começaram no meu governo. Dentro de cinquenta anos a longevidade das pessoas será bem maior e os próximos prefeitos precisam ficar atentos para que os idosos em Santos continuem sendo privilegiados com programas específicos e principalmente com qualidade de vida.

EA - E qual é futuro do deputado Beto Mansur que aos 61 anos diz que quer envelhecer na cidade?

Beto Mansur - Meu futuro imediato é ser eleito prefeito nas eleições de outubro próximo e num futuro mais distante quero continuar colaborando para com o desenvolvimento da cidade. Como quero viver até os 100 anos, ainda tenho muito tempo e disposição para colaborar.

 Em suas considerações finais, Beto Mansur disse que não se preocupa com pesquisas eleitorais (é o 3º colocado na mais recente pesquisa do IPAT- Instituto de Pesquisa A Tribuna). Noemi Francesca de Macedo