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“Quem paga a banda escolhe a música”

Voltar para listagem de Eleição Inserida em: 19/09/2012

“Quem paga a banda escolhe a música”

Candidato a prefeito de Santos, o aposentado Luiz Xavier (PSTU) falou sobre plano de governo voltado para os trabalhadores e o resgate da credibilidade dos movimentos sociais, como prioridades, numa campanha cujo objetivo maior é despertar a população para um novo sistema de governo. Na entrevista para o site www.jornalespacoaberto.com o candidato explica que o partido quer discutir as consequências e os impactos do desenvolvimento desordenado.

  

Sem se preocupar com pesquisas, o funcionário público aposentado, Luiz Antônio Xavier, disputando a Prefeitura de Santos pela segunda vez, não deixa dúvidas, vive política partidária 365 dias por ano. São quase 20 horas diárias de trabalho na tentativa de convencimento da população, sobre uma nova ordem social baseada na conscientização dos trabalhadores não por uma eleição, mas pelo que considera uma infinita vontade da minoria de usufruir da riqueza que constroem. Essa determinação só é “esquecida” por algumas poucas horas no dia: quando está na aula de Francês ou quando brinca com a filha de 6 anos (fruto do segundo casamento) que dormia o sono dos anjos, em uma poltrona na redação, enquanto Xavier, explicava os objetivos do PSTU, do qual se diz apenas um instrumento na condução de uma campanha. Na entrevista ao Espaço Aberto, entre cubos de queijo e jujubas (afinal era fim de tarde e ninguém é de ferro), o candidato não poupou críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT), do qual o PSTU é uma dissidência.

 

EA – Por que Luiz Xavier, do PSTU é candidato a prefeito?

Xavier - Ser candidato é uma tarefa do partido.

EA – E qual é a tarefa do PSTU?

Xavier - Ao PSTU e outras organizações coube a difícil, a árdua tarefa de reconstruir a esperança e a crença do trabalhador no seu poder advindo do trabalho, aquele ideal que o antigo PT, a CUT e a Federação dos Petroleiros levaram 30 anos pregando, ou seja, defender o interesse do trabalhador. Atualmente os trabalhadores continuam fazendo greves para garantir direitos trabalhistas adquiridos e observamos que os governos continuam contra os trabalhadores.

EA- A sua candidatura ou a candidatura do PSTU é diferente das demais.

Xavier - Totalmente. O PSTU entende que as pessoas que trabalham e constroem a riqueza da Cidade é que devem usufruir dessa riqueza e isso ainda está longe de acontecer, por essa razão nossa tarefa para mudar esta situação é árdua. Santos está se tornando uma cidade elitizada e muito cara. Com isso está expulsando o trabalhador para outras cidades e acabando com a qualidade de vida futura, eliminando áreas verdes para dar lugar às torres de interesse de grandes empresários. Aí, fica claro que quem paga a banda escolhe a música e esta é uma das razões pelas quais o PSTU não aceita doações para a campanha.

EA - O que pode ser feito para mudar esta situação?

Xavier - Acabando com a especulação imobiliária. A insensatez de nossos políticos responsáveis pelo atual Plano Diretor Municipal que permitiu a construção de prédios altíssimos, com mais de 40 andares, comprometendo nosso solo e toda a infraestrutura da cidade ou falta dela, culpada pelo caos que se avizinha. Estou falando de atendimento na saúde, saneamento, trânsito, educação, etc. A cidade não tem estrutura para agüentar a demanda que se espera a partir do boom imobiliário. E não esqueçam que os novos moradores não ocuparão todos esses imóveis de luxo. A grande demanda vem para trabalhar na construção dessa futura realidade, e estas pessoas não tem plano de saúde, não tem dinheiro para pagar escola para os filhos e não ganharão para morar nos apartamentos que constroem. Não dá para considerar Santos uma cidade com qualidade de vida se ela está dividida em banda rica e banda pobre. Para reverter essa injustiça é preciso fechar a porteira aberta em 1998 com o atual Plano Diretor e colocar na Prefeitura, um administrador que pense no trabalhador.

EA- Então o Plano Diretor da cidade é responsável pelo empobrecimento de parte dos santistas que por questões financeiras buscam moradia em outros municípios?

Xavier – A administração municipal está preocupada apenas com os lucros do pré-sal, que sabemos não ficará na cidade e não analisa a situação dos santistas que não tem condições de pagar o alto custo de vida. Quando falo na especulação imobiliária é porque ela é evidente e responsável pela diminuição de nossas áreas verdes e por empurrar o trabalhador para fora, pois só constroem torres de alto custo e nossos políticos são responsáveis por isso. Foram eles que aprovaram essas torres de desequilíbrio do meio ambiente.

EA - O PSTU elencou os principais problemas de Santos?

Xavier – Naturalmente. Diante da idéia que querem passar aos menos avisados de Santos é uma Manhattan, diante da possibilidade da população fixa aumentar, isso aqui vai virar um inferno, em cinco anos no máximo. A maior preocupação do santista hoje é com a Saúde e como esse setor é um caos no País, defendemos a aplicação de 6% do PIB nessa área e o fim da privatização para termos Saúde universal.

EA- A Prefeitura já está reformando e reequipando o antigo Hospital dos Estivadores, mas para ter a saúde nos moldes ditados pelo PSTU a verba da Administração não é suficente.

Xavier - A Prefeitura gastou R$ 25 milhões na compra do hospital, vai equipá-lo e depois terceirizar sua administração. Defendemos investimento de 35% da receita corrente líquida na Saúde, sem prejudicar o orçamento para outras áreas, porque o município pode e deve pleitear verbas estaduais e federais para seus projetos. Nem preciso dizer que somos contra a terceirização.

EA – A deficiência no transporte coletivo na cidade tem sido tema recorrente para o PSTU. O Partido tem alternativas?

Xavier – Santos tem uma das tarifas mais caras do País. Entendemos que a aplicação de 2% no setor e o fim da privatização que satisfaz somente aos empresários, mudaria o quadro atual em benefício da população. O transporte tem que ser público e tarifa social. É um absurdo, numa cidade plana, uma passagem custar R$ 2,90. Não se sabe baseados em que, empresários e prefeitura chegaram a esse valor. Defendemos a volta dos cobradores, já que o único beneficiado com sua extinção foi o empresário. Por que será que os eleitos dessa cidade se calam sempre quando o tema é Piracicabana, empresa que explora o serviço?

EA- Você falou muito em habitação para o trabalhador. Qual é a proposta do partido?

Xavier – Santos não tem um plano de habitação popular. O projeto para erradicação dos cortiços parou no tempo. A cidade vive a espera de programas dos governos estadual e federal. No “Projeto Santos Novos Tempos” através do qual o prefeito promete ser a redenção da Zona Noroeste com o fim das enchentes, o maior problema dessa região que registra um grande número de subhabitação, há verba para a construção de moradias populares. Esse projeto redentor poderia reduzir o déficit habitacional de 16.876 moradias. O governo já recebeu parte da verba, mas o projeto continua se arrastando.

EA- Por que as críticas contundentes ao PT, se você foi um de seus fundadores?

Xavier - O PSTU é uma dissidência do PT. O nosso partido foi fundado em 1994, reunindo diversas organizações, sendo que a maioria dos fundadores vinha da ruptura com o PT. As mudanças no PT deixavam claro que o partido já não era uma alternativa para a construção de uma direção revolucionária para o País. E não nos enganamos. O PT perdeu sua característica, seu ideal de uma sociedade socialista. Hoje é evidente que não existe diferença entre o PT, PMDB e o PSDB. Em 1992 fomos expulsos do Partido dos Trabalhadores, que não apoiava a campanha “Fora Collor”, desenvolvida pela Convergência Socialista. Passamos então a discutir um programa e um estatuto para fundar um novo partido e em 1994 com a união dos setores revolucionários do País, fundamos o PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados. Hoje o PSTU é uma alternativa revolucionária para resgatar a credibilidade dos movimentos sociais em defesa dos trabalhadores. Temos que nos manter atentos, pois o PT com toda sua história, hoje presta um desserviço aos trabalhadores.

 

Finalizando, Xavier  enfatiza que o PSTU não aceita doações para a campanha, reafirmando que o partido entende que os trabalhadores não devem entregar seu destino nas mãos de alguém sem compromisso, ressaltando que a Cidade necessita de alguém que a administre e não que a domine. O vice na chapa do PSTU à Prefeitura de Santos é o funcionário público Samuel Rodrigues Lopes. (Foto: Helena Silva)