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“Atual governo deixou Santos à mercê das construtoras”

Voltar para listagem de Eleição Inserida em: 20/09/2012

“Atual governo deixou Santos à mercê das construtoras”

Santista de coração e por afinidade, a gaucha Eneida Koury, candidata à Prefeitura de Santos defende um governo com a participação popular, faz severas críticas à atual administração e diz que se eleita, reavaliará os contratos com a Viação Piracicabana (transporte coletivo) e com a Terracom (coleta de lixo) e inaugurará um novo sistema de representação pública.

Candidata à Prefeitura de Santos pela segunda vez, Eneida Koury (PSOL), mestre em Física e Química, atual secretária Geral do Sindicato dos Bancários, entre uma jujuba e outra, durante o bate papo na redação do Espaço Aberto (EA), abriu o baú de recordações onde estão guardadas suas lembranças sobre Santos do ano de 1967, quando aqui chegou aos seis anos de idade vinda de Porto Alegre (cidade natal).

 O mar, a sala de aula do Colégio Stella Maris, as amigas do Colégio São José, o grupo de jovens da Igreja Senhor dos Passos. Na adolescência, o vestibular na Universidade Federal de São Carlos, o retorno a Santos, já funcionária do Banco do Brasil, o trabalho com Irmã Dulce no distante Quarentenário em São Vicente.

A política partidária nos anos oitenta (1980) era inevitável. Estava se formando um novo partido, o Partido dos Trabalhadores (PT), cujas propostas e ideologia tinham tudo a ver com a jovem que aprendera nos bancos escolares, a visão de coletividade e que se inquietava diante das desigualdades sociais. No entanto, segundo Eneida, o partido da estrela vermelha mudou.

 “O PT mudou e o ver coletivo se dissipou acabando com a ideologia de justiça social para todos. Isso ficou evidente em 2003 e aos ideologistas não restava alternativa a não ser a criação de outro partido e assim surgiu o PSOL, inicialmente presidido pela ex-deputada federal Heloísa Helena. O PSOL é um partido novo e por enquanto o que estamos construindo atende as minhas expectativas que é a implantação de um novo sistema de governo em busca de uma sociedade igualitária”.

EA - Por que Eneida Koury quer ser prefeita de Santos?

Eneida - Primeiro porque represento um partido que tem um projeto coletivo. O PSOL entende que Santos deve ter a oportunidade de conhecer um governo com decisões políticas definidas pelas necessidades da população e não pelas necessidades de grupos econômicos que financiam as campanhas.

EA – A candidata elencou as prioridades que devem ser supridas para que a população santista se distancie da desigualdade social. Quais são e o que fará se eleita, para corrigir as falhas?

Eneida - A principal prioridade é instalar um governo que tome decisões políticas baseadas nas necessidades da população junto com alterações nos mais diversos setores para que estes realmente funcionem para os moradores e destaco entre eles:

Educação: Corrigir imediatamente a falta de professores e a superlotação em sala de aula acabando com a maquiagem no ensino. O atual quadro não permite que o aluno aprenda de maneira adequada ou tenha chance de recuperação. O que observamos é que concluem o ensino Fundamental e Médio sem conhecimento, até sem saber ler. Construir mais creches, inclusive unidades com funcionamento 24 horas, ampliar e reformular a escola total, promovendo a sintonia entre os docentes e reformular a Escola da Família. Atenção especial ao ensino técnico que está permeando todos os níveis de educação. As políticas elaboradas na Seduc são criadas sem a participação dos diretores e supervisores. Isso tem que acabar. Também, promover a democratização no Conselho de Educação que não conta com representantes dos trabalhadores e a participação dos pais, naturalmente.

Saúde: Falta investimento. Apesar de Santos ser a sétima cidade em economia do Estado de São Paulo, não investe o suficiente na Saúde e o resultado é a realidade atual: faltam leitos e médicos. O Hospital Conselheiro Nébias (antigo Estivadores), deverá ser inteiramente público, inclusive em sua gestão, e entre outras ações investiremos na valorização dos profissionais e na reestruturação das Unidades Básicas de Saúde, principalmente nos bairros periféricos. Trabalharemos com saúde preventiva que envolve saneamento, coleta de lixo e educação. No governo do PSOL a saúde não será privatizada.

Transporte: Neste setor, a primeira ação do governo do PSOL, será a revisão do contrato com a Empresa Piracicabana e uma auditoria em seus demonstrativos e planilhas. Entendemos o transporte como uma questão essencial, assim como saúde e educação. A tarifa do transporte público em Santos é uma das mais caras do país, principalmente se levarmos em conta as distâncias percorridas e sua topografia plana. Essa equação é um mistério que pretendemos desvendar. A falta de atuação do governo municipal que aceita os reajustes apontados pela empresa que explora o serviço prejudica toda população. Contratar cobradores, gerando emprego e devolvendo aos motoristas a saúde física e mental que o desvio de função e pressão lhes tirou, é outra medida a ser adotada.

Meio ambiente: A questão ambiental está diretamente ligada à saúde envolvendo a questão do tratamento de esgoto e a poluição das nossas praias é crucial. Até hoje não temos um centro de tratamento de esgoto, ainda jogado via emissário. São muitas situações a serem tratadas, algumas, diretamente ligadas ao porto, entre elas a água de lastro, cuja poluição prejudica a população que registra um crescimento do índice de câncer na cidade. Neste setor relaciono também a questão da coleta de lixo cujo contrato com a empresa Terracom será revisto.

EA - Se eleita, o que fará para melhorar o já caótico transito da cidade?

Eneida - Lutaremos pela concretização do túnel de ligação das zonas Leste e Noroeste e para a construção de viadutos na entrada da cidade (Zona Noroeste).

EA- A candidata falou que a atual administração deixou a cidade à mercê das construtoras e que a questão habitacional está longe de ser equacionada, tecendo severas críticas à política que gerou o boom imobiliário que destaca Santos nesse mercado.

Eneida - Estamos vendo a especulação imobiliária sufocando a cidade. Os poderes Executivo e Legislativo alteraram o gabarito dos prédios para beneficiar o setor em prejuízo da qualidade de vida da população que está sendo expulsa para outros municípios, em virtude dos altos preços dos aluguéis e da carestia em geral. Santos é uma cidade rica e quem se beneficia é a população que vem de fora com salários mais altos. A especulação imobiliária continua sob a complacência do Poder Público e um exemplo é a área degrada da Vila Nova e do Paquetá, propositalmente abandonadas. Quanto mais abandonadas, mais degradadas, mais baratas, portanto mais atrativas para as construtoras. Quando estas áreas estiverem livres dos atuais moradores, aí então o Poder Público vai fazer melhorias. O investimento em habitação popular é mínimo. É preciso moradias dignas para substituir os cortiços e não empurrar os moradores destas áreas para novas favelas. As decisões do poder público tem sido em favor dos grupos investidores.

EA- A senhora disse que o Poder Público de Santos está distanciado da população. Pode exemplificar.

Eneida - Não há por parte do Poder Público, preocupação com rede de esgoto, abastecimento de água, nem com a precariedade do trânsito, muito menos com o custo de vida. Assim, não há preocupação para com a habitação popular. Falta planejamento. E para mudar é preciso investir pesado em habitação popular, para evitar que o santista continue sendo expulso de sua cidade.

EA - Apesar das críticas à atual administração, a candidata afirmou que Santos está bonita. Na sua opinião o que falta à cidade?

Eneida - Santos não está bonita. Eu disse que Santos é bonita. O que lhe falta são políticas públicas eficientes com atenção aos setores da população que tem menos acesso as riquezas que ajudam a gerar, a produzir.

EA – A senhora disse que a qualidade de vida em Santos está comprometida. De que forma?

Eneida - Santos, apesar de todo o desenvolvimento, ainda tem problemas básicos para que se possa dizer que a cidade tem qualidade de vida.  Exemplo: é o baixo percentual que a cidade apresenta com relação à reciclagem do lixo. Não basta apenas coletar e para que o trabalho nesta área seja benéfico à população é necessário dar condições e preparo à população. Acesso à Educação em todos os níveis, também reflete em qualidade de vida. Para essa qualidade propalada, há que se discutir com o Governo do Estado, a questão da segurança pública, cujo contingente é mal remunerado e mal classificado. O município precisa cobrar do Estado a responsabilidade da segurança para que possa pensar em qualidade de vida que exige um conjunto de ações.

EA - Os candidatos à prefeitura apostam nos debates para melhorar suas posições nas pesquisas de opinião. A candidata Eneida, segundo pesquisas, ocupa a última posição na preferência popular. A senhora acredita que sua participação nos debates pode melhorar essa posição?

Eneida - Pelo fato de não termos ocupado cargos políticos e não estarmos na mídia, há uma dificuldade maior para expor nossas idéias ao eleitorado. Nossa campanha é financiada unicamente pelos militantes do partido. Isso faz a diferença em meio a massificação das campanhas. Nosso interesse é mostrar à população nosso projeto de gestão democrática desenvolvendo um processo de descentralização político-administrativo, aproximando governo e população.

Eneida Koury, que tem como vice, o professor José Sobreira Barros Júnior, o Bera, falou também sobre Cultura ressaltando que este setor é de extrema importância pois dá oportunidade  ao ser humano para desenvolver o senso crítico, olhar o outro de forma mais abrangente, além de estimular a opinião.

“ É preciso apostar na Cultura, descentralizando o oferecimento a seu acesso. Por isso queremos  criar centros de cultura em diversos bairros,  opções para todas as idades. Não adianta só criar quadras esportivas, é preciso aliar o Esporte à Cultura contribuindo  para com a formação crítica envolvendo corpo e mente”.(Foto: Helena Silva)