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"Prefeitura joga problemas da cidade para debaixo do tapete"

Voltar para listagem de Eleição Inserida em: 27/09/2012

O ambientalista Nelson dos Santos Rodrigues, candidato à Prefeitura de Santos pelo PSL, em entrevista ao Espaço Aberto, se diz preparado para assumir a administração do município que detém um dos vinte maiores orçamentos do Brasil, e pronto para promover as mudanças que entende necessárias para “evitar que milhares de santistas  continuem sendo prejudicados pela especulação imobiliária, pela falta de planejamento e pela visão unilateral das possibilidades do pré-sal”.

Ele chegou à  redação se desculpando pelo adiantado da hora. Exatos 30 minutos antes do horário agendado (uma raridade). Nelson Rodrigues, funcionário público estadual, formado em Gestão Pública, pós-graduado em Sistemas de Gestão Integrada é diretor executivo do Sindicato dos funcionários da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Conhecido como defensor intransigente da preservação do meio ambiente, projeta o futuro de Santos sob o prisma do turismo ambiental e diz que tudo começou no MDV- Movimento em Defesa da Vida há 30 anos, quando seu passado de campista, ainda era presente.

Ele praticava camping e a qualquer momento podia ser encontrado com uma mochila às costas, por trilhas e praias semidesertas. Começou a observar a degradação do meio ambiente provocada pela insensatez do homem e passou a pesquisar tudo sobre o assunto, dando início em 1984, à organização do PV- Partido Verde em Santos. Dois anos depois o partido já estava organizado no Brasil e a fundação oficial (1986) aconteceu no Rio de Janeiro. Nelson foi duas vezes presidente do partido em Santos, do qual saiu em 1995, três anos depois ingressou no PDT onde permaneceu por 8 anos e em 201l, foi convidado para o PSL, cujos ideais, garante que se identificou.  

EA - Por que o senhor quer ser prefeito de Santos?

Nelson - Não se trata de uma decisão pessoal e sim de um processo de discussão do partido. Por termos outra visão do governo que aí está nossa intenção é mostrar que a realidade é bem diferente da apresentada na mídia que aponta 80% de aprovação do atual governo. Vamos mostrar que o governo joga os problemas da cidade para debaixo do tapete. Aponto os problemas e dou a solução.

EA- Aponte um problema e a solução.

Nelson - O transporte, diretamente ligado ao desenvolvimento da cidade, se apresenta como um grande e grave problema que precisa de solução objetiva. Pretendemos implantar o transporte interligado pois o sistema circular já foi esgotado. O sistema a ser implantado, envolvendo, inclusive o VLT, prevê a interligação de todos os modais. Primeiro começa com a lição de casa, implantando o bilhete único, a volta dos cobradores, porque além de sermos contra o desvio de função do motorista, não podemos admitir a sobrecarga a este profissional que além de ter sua saúde física e psicológica comprometida. Ele termina, por conta das paradas mais demoradas para cobrar passagem, dar troco, liberar a catraca, dar informação, ajudar no embarque de pessoa s com necessidades especiais, atrapalhando o trânsito, pois o ônibus fica parado por mais tempo, e atrás forma-se uma fila de carros. Entre outras ações vamos eliminar o estacionamento ao lado esquerdo dos canais, enfatizando sempre que a cidade precisa de um projeto que atenda a entrada da cidade. O conjunto de medidas que pretendemos passa por uma discussão metropolitana, pois o futuro será interligado ao VLT.

EA - O transporte é a prioridade de Santos?

Nelson - Várias são as prioridades, destaquei o transporte porque ele está diretamente ligado ao desenvolvimento da cidade. Mas, Saúde, Educação  são sem sombra de dúvidas, prioridades.

EA - Santos é uma cidade sustentável?

Nelson - Não. Sou o único candidato que defende outro projeto que não o pré-sal como indutor para a sustentabilidade de Santos. Eu defendo o turismo profissional como sendo o indutor para a cidade, não o desenvolvimento ecológico simplesmente, mas o desenvolvimento ecologicamente sustentável. Precisamos reformular a Secretaria de Turismo que em Santos é pífia: precisamos trazer euros, dólares e yens; trazer a indústria não poluente, precisamos da indústria limpa desenvolvendo o turismo histórico. Analise o que temos para atrair o mercado turístico europeu a partir da nossa área continental, rica pela Mata Atlântica. O estrangeiro que visitar coisas novas, diferentes das que ele conhece no seu país, e nós temos o que ele quer. É preciso construir um hotel na Mata Atlântica (área preservada), fazer o transbordo desse turista que vem para os hotéis na praia. Esse turista quer ver a exuberância de nossa mata. É esse turismo contemplativo, não poluente que precisamos para o desenvolvimento da cidade. Não tem lógica falar em sustentabilidade e pré-sal, esquecendo que temos outras possibilidades, e não poluentes. Não podemos esquecer que, quando se fala em sustentabilidade, vem à tona a questão do lixo que pode se tornar  fonte de renda com a reciclagem, gerando o maior aproveitamento dos resíduos e criando cooperativas.

EA - O porto tem alguma participação nesse viés?

Nelson - É claro, mas de forma diferente da que ocorre atualmente. Milhares de turistas chegam ao porto de Santos, mas não ficam aqui. É preciso de forma concreta mudar esta situação, pois temos um manancial através do porto e não o exploramos. O porto está dentro da cidade, vamos usá-lo melhor. É preciso trabalhar junto às outras esferas de governo para que o município participe da administração portuária através de uma administração tripartite (município, Estado e União), para que a Cidade também possa usufruir das riquezas geradas pelo porto.

EA - Seu discurso sobre Meio Ambiente passa pela questão da educação. Qual é a proposta para a Educação que tem sido constantemente citada pelo atual governo, como um de seus pontos altos?

Nelson - Temos um projeto de Educação Ambiental para a cidade capaz de resolver através da educação, a evolução ambiental para a balneabilidade das praias. Quanto à  educação na rede municipal prefiro que a nossa candidata a vice-prefeita, professora Renata Benetti, que vive o dia a dia do ensino municipal, responda.

Renata - A Educação na rede municipal não está boa. Na mídia é estampada uma realidade que foge do nosso dia a dia. Estamos vivendo um modelo de escola antiquado. O professor ainda trabalha de forma tradicional se valendo do modelo GLS- Giz, Lousa e Saliva, quando os alunos vivem na era da tecnologia. Enfrentamos superlotação de classes, ventiladores barulhentos, falta de material e mais, sem capacitação, os docentes tem que trabalhar com a inclusão. Aliás, muito bem vinda, mas sem planejamento por parte da rede de ensino. Imagine uma sala de aula com 38 a 40 alunos, entre eles alunos especiais e uma única professora, lembrando que raríssimas foram capacitadas. A situação é angustiante. Não basta reformar a escola e até aparelhá-la. É preciso capacitar os profissionais para atuar de forma adequada para o desenvolvimento do aluno. A Administração não pode esquecer que o professor, antes de ser um profissional é um ser humano que vivencia situações diversas e adversas

EA- Professora Renata, como está a saúde do docente?

Renata - A qualidade de vida do professor é péssima, tanto na rede municipal, quanto na estadual e não é muito diferente na rede particular. Sem tempo e condições financeiras para financiar e freqüentar cursos de atualização e reciclagem, o professor sente tolhido. Somado a isso vem o problema de doenças físicas e psicológicas. Sem capacitação para administrar as novas tecnologias e desafios profissionais, contamos, quase todos, apenas com as possibilidades de nossa resistência física e psicológica. Os responsáveis pela Educação têm que lembrar que o professor precisa ter condições de saúde para lecionar. Não adianta comprar computadores e outros equipamentos é preciso dar condições aos docentes para sua utilização visando uma educação de qualidade.

EA – Voltando ao candidato Nelson Rodrigues: qual sua proposta para a Saúde?

Nelson - Se eleito, a primeira providência será uma auditoria em todas as secretarias para que possamos ter um quadro real e na Saúde não será diferente, pois é gritante a necessidade de valorização do profissional; da busca de convênios em âmbito estadual e federal para uma melhor remuneração dos profissionais da área e para melhorar a estrutura física das unidades. O estado de deterioração dos prédios das policlínicas de Santos é preocupante. Mesas quebradas, macas enferrujadas, paredes rachadas, deprimem qualquer pessoa que, já fragilizada pela doença, tem seu estado de saúde agravado pela degradação do ambiente e pela longa espera pelo atendimento. Isso tem que mudar. 

EA - Como analisa os debates na campanha?

Nelson - Os debates ajudam o eleitor a ter uma idéia de quem está pedindo seu voto e não raro tenho me surpreendido com o desperdício desse tempo e espaço preciosos para a exposição das idéias para o futuro de Santos.

EA - Sua campanha é modesta em termos de recursos. A falta de recursos prejudica a campanha?

Nelson - Nossa campanha é propositiva, correta, sem cavaletes nas ruas. Com poucos recursos, o PSL tem conseguido apresentar uma proposta de governo baseada nos anseios dos santistas que pretendem uma sociedade melhor.

*Ao final da entrevista, o candidato Nelson Rodrigues disse que orgulha de ter originado o tombamento dos Canais de Santos. (Foto: Helena Silva)