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"Sem identidade, Santos vive meias verdades"

Voltar para listagem de Eleição Inserida em: 28/09/2012

Sempre polêmico, o engenheiro civil e administrador de empresas José Antônio Marques Almeida (Jama), candidato à Prefeitura de Santos pelo PRTB diz que, sem identidade “Santos não exala o perfume de sua riqueza”. O candidato afirma que embora tenha  apenas 66 anos de idade, tem 84 anos de porto, razão pela qual seu programa de governo se baseia na relação Porto/Cidade. Por metáforas Jama tenta explicar essa difícil equação, dizendo que a cidade vive meias verdades, portanto, precisa de um choque de administração.

Engenheiro civil, há 40 anos atuando no porto e em defesa dele, José Antônio Marques de Almeida, Jama, três vezes vereador, foi presidente da Câmara de Santos, diretor estadual do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, administrador de empresas, pós-graduado em Gestão Ambiental Costeira, diz que na política partidária só tem interesse em um cargo: prefeito de Santos. De acordo com as pesquisas, Jama não vai para o segundo turno, mas isso não o esmorece, pois entende que a escolha é do povo e que a Cidade vive um momento político muito pobre, e que suas propostas contidas num enxuto programa de 16 linhas não são para uma Nova Iorque, mas para Santos “que embora tenha tudo para ser uma Nova Iorque, tenta resolver seus problemas com clichês, sem pla nejamento, mesmo que seus dirigentes atuais saibam que não se cura uma dor de cabeça com guilhotina”.  Metaforizador, o candidato que realiza há 25 anos um trabalho voluntário de apoio a dependentes de drogas, diz que se eleito, no seu governo, o voluntariado será desenvolvido na escola.

EA – Por que o senhor quer ser prefeito de Santos?

Jama - É o sonho de todo santista administrar a cidade. Santos tem muitos desafios e  brilhantes a serem vencidos e lapidados,  e na política ser prefeito desta cidade é um sonho inevitável. É o encanto de uma cidade (imaginemos Santos pequena) pequena com energia de gigante. É ou não um grande desafio?

EA - Seu programa de governo é voltado para o porto. Tem outras prioridades?

Jama - Meu foco prioritário é gerar riqueza, trabalho e conhecimento; fazer chover dinheiro na cidade como em outros tempos e o porto é a principal porta do Hemisfério Sul e de Santos, naturalmente. Minha ligação com o porto vem do berço e eu acredito que é através dele que a cidade cresce, portanto, nada mais justo que lhe seja dado o destaque que merece. Claro que temos outras prioridades, afinal santos está uma cidade conflitante consigo mesma: por um lado rico e por outro pobre demais.  Com urbanização do século passado, a cidade não tem identidade, por isso é preciso um choque de gestão. É necessário traz er à descoberta o grande potencial. A cidade é o porto.

EA- O senhor falou que tem outras prioridades. Quais são?

Jama - Existe meia dona de casa?Não, porque a boa dona de casa administra de forma que tudo na casa anda nos conformes. Por isso a primeira coisa que Santos precisa é de metas, de planejamento. A cidade não tem parâmetro, precisa de reengenharia para que a administração tenha o controle de tudo. Exemplo: vou fazer calçadas de boa qualidade com vida útil de 10 anos. É preciso planejamento e controle.  Um dos nossos projetos diz respeito a um Plano Diretor dos bairros para resgatar a cultura de cada bairro. A Prefeitura é responsável pela construção e manutenção de equipamentos e aos vereadores cabe a fiscalizaçã o. A transparência de todas as ações é necessária para que a sociedade tome ciência. A sociedade que ver acontecer; as coisas realizadas com harmonia, prazos e qualidade. Assim é a boa dona de casa.

EA – E as prioridades com base na reengenharia?

Jama – Saúde é a primeira. Se a cidade tiver um bom projeto, com credibilidade, pode ter uma saúde tipo a de Barretos (cidade do interior de São Paulo). A segunda prioridade é Educação. Para sermos melhores que os asiáticos temos que ser criativos e competitivos,  desde a mais tenra idade. Uma boa educação elimina o absurdo de polícia nas escolas. Temos que desarmar as pessoas e motivar o aluno, criando centros de ciências e tecnologia onde eles aprendam brincando. Outra prioridade é a necessidade de estabelecer a mobilidade urbana a partir do pedestre. Hoje são skatistas, ciclistas que fogem do transporte coletivo por várias razões, desde a carestia das tarifas à lentidão do trânsito. É preciso coletivos de qualidade e incentivar o uso de táxi, transporte que a cidade deveria subsidiar como ocorre em Buenos Aires (Argentina). A questão da mobilidade não é uma equação de uma única variedade. O que não se pode é usar clichê para tapar o sol com a peneira.

EA – O senhor disse que se eleito transformará Santos em uma mini China. O que significa?

Jama – O sucesso de uma cidade portuária depende de seu porto, entrada e saída de riquezas. Se não nos organizarmos e atentar para a real importância do porto nos depararemos com um elefante em uma casa de louça. Se eu vou concorrer com alguém, no caso, a cidade com outros portos, precisa dominar os dois pilares: competitividade e produtividade, levando em conta o conceito de produzir na melhor condição logística. Um exemplo disso é a questão dos cortiços em Santos. Cansados de esperar, ao invés de pedir,os moradores estão se superando, construindo em mutirão, transformando em riqueza a pobreza do local. Os governos têm que participar com cessão de áreas e profissionais. Essa é a socialização do trabalho.

EA – Onde entra em seu programa de governo a questão do pré-sal que começa a modificar e movimentar a região atraindo novas empresas?

Jama – O pré-sal é um grande desafio para a cidade e precisamos qualificar a mão de obra para os novos tipos de trabalho. Vamos incentivar a criação de cursos de formação,  aperfeiçoamento e especialização e consolidar o Parque Tecnológico de Santos, atraindo mais centros de pesquisas e empresas. O refrão “vamos qualificar mão de obra” que temos ouvido nos últimos tempos tem que se tornar realidade de forma adequada, porque não adianta mão de obra qualificada se os  empregos não forem de qualidade. Temos que abrir as portas aos novos empreendimentos, mas precisamos exigir qualidade naquilo que se propõem. Tem que ser uma via de mão dupla. Não podemos esquecer que a Petrobrás e outras empresas estão aqui, assim como está chegando o pré-sal por causa do porto.

EA - O seu trabalho voluntário de combate às drogas recebe ajuda do governo?

Jama – Droga e felicidade são como azeite e água. Não andam juntas. É um trabalho de paciência e perseverança para o qual não recebemos ajuda dos governos, apenas de um pequeno grupo de amigos. São 25 anos batendo na mesma tecla, porque afinal, o avanço das drogas é um problema social. Contamos com voluntários num trabalho tão importante, que no meu governo será inserido nas escolas e será tão importante quanto Língua Portuguesa e Matemática. A violência tem raízes nas drogas e eu quero criar um programa de paz. Vou mudar esta cidade.

EA - Quando esteve na Câmara de Santos, o senhor dizia que era um vereador sem salário, o que sempre discordamos porque de doá-lo à instituições, não deixava de recebê-lo. Como prefeito vai abrir mão do salário?

Jama - Não porque nesse caso terei que abrir mão de minha fonte de renda que o trabalho no porto. Mas sempre me considerei um vereador sem salário porque não usava o pagamento para meus proventos, mas para atendimento a instituições filantrópicas da cidade.

Ao final da entrevista o candidato Jama explicou porque embora tenha 66 anos de idade, 40 trabalhando e defendendo o porto (é funcionário da Codesp), tem 84 anos de atividade portuária. “Vivo o porto intensamente Meu pai trabalhava no porto, conheceu minha mãe que o admirava pelo encantamento com que ele falava do cais. Eu nasci desse meio, nasci político, crítico, quero sempre o melhor para o porto e consequentemente para a cidade. Hoje quero discutir o Porto Valongo. A cidade de Santos é e sempre será porto. Porto é vida, é riqueza. Vou mudar esta cidade”.

 Jama conclui a entrevista dizendo que está preparado para administrar a cidade, mas que deve ganhar a eleição, aquele que o povo considerar o melhor, arrematando com a frase: “O povo de Santos neste momento está despolitizado”. Gustavo Santiago dos Reis é o vice de Jama.