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Experiência e maturidade são os trunfos de Telma de Souza

Voltar para listagem de Eleição Inserida em: 29/09/2012

Experiência e maturidade são os trunfos de Telma de Souza

Disputando sua 14ª eleição, a deputada estadual Telma de Souza (PT)diz que sua história de vida habilita-a a retornar ao Palácio José Bonifácio (sede da Prefeitura de Santos) para administrar a Cidade que segundo ela, ainda não assumiu o papel de liderança da Região Metropolitana da Baixada Santista.

Com a política no sangue, a pedagoga Telma de Souza, ex- vereadora, ex-prefeita de Santos, foi deputada federal e atualmente deputada estadual pela segunda vez, só não disputou os três mais altos postos: Governo do Estado, Senado e Presidência da República. Uma das fundadoras do PT, em entrevista ao Espaço Aberto Telma fez uma viagem no tempo e falou sobre a infância e adolescência vividas em meio às conversas sobre política. Filha dos ex-vereadores João Inácio de Souza (Joãozinho do Instituto) e Hilda Augusto de Souza, a candidata, que ainda reside na casa em que, menina, travou os primeiros contatos com a política, diz que o ambiente e seu amor por Santos são referências em sua história de vida.  Formada em piano, pós-graduada em Psicologia da Educação e mestre em Saúde Pública, Telma seguiu o exemplo de sua mãe, contrariando o que o pai costumava dizer quando percebia que ela ficava observando e anotando as conversas daquele grupo que se reunia na sala de visitas do sobrado em que moravam. “Política é coisa de homem”. Hilda, em 1969 ao ser eleita vereadora, provou que Joãozinho estava enganado e Telma em 1982, eleita vereadora, ratificou aquele engano, na certeza de que era apenas uma forma de proteção, especialmente naqueles tempos difíceis de perseguição e cassação aos políticos que ousavam discordar do regime.

EA – Porque a senhora quer voltar à Prefeitura?

Telma – Por vários motivos. Estou no meu momento mais agregador de mim mesma. Hoje tenho experiência, maturidade, maior capacidade, história de vida para assumir tamanha responsabilidade. Este é o momento mais elaborado no sentido de compreensão do mundo. São anos de luta com a política pública social. Estou pronta, preparadíssima para esse desafio.

EA - O que a senhora, quando prefeita (1989/1992), por falta de tempo hábil ou de condições, deixou de fazer naquela administração e que faria agora?

Telma - Aquele governo respondeu a demanda da época. Vínhamos de uma ditadura recente (foi a segunda prefeita eleita pós-ditadura – o primeiro eleito foi Oswaldo Justo).  Era muito pouco tempo para um Estado de Direito, de autonomia da cidade. A preocupação maior, ainda era trazer a democracia participativa, afinal anos de mordaça deixaram marcas profundas na população. Àquela época trabalhei com 180 milhões de cruzeiros novos e uma inflação de 120% ao mês. As demandas anteriores, bem como o cenário nacional, eram diferentes das atuais, mas há muito porque lutar.

EA - Faça uma breve análise sobre Santos, hoje.

Telma - Hoje Santos peca pela ausência de planejamento. As políticas públicas deixam a desejar. Na Saúde, a falta de planejamento é total. Não posso conceber o retorno da Aids, surto de dengue, a maior índice de mortalidade infantil. Santos não assumiu o papel de liderança da região, sequer conseguiu agregar os outros municípios da região. Não temos nem o bilhete único no transporte coletivo.

EA - O que falta a Santos?

Telma - As lacunas na cidadania são muito fortes. É necessário agir rapidamente porque a Administração municipal ainda não se deu conta de seu papel de protagonista no cenário nacional.

EA - No seu plano de governo, a senhora prioriza Educação, Saúde e Mobilidade Urbana. Detalhe cada uma dessas prioridades.

Telma - Primeiro um planejamento geral, depois detalhamento em Saúde, Educação, Segurança e Mobilidade.  Na Educação é preciso garantir a qualidade em todos os níveis e preparar os jovens para as novas perspectivas de emprego advindos da área portuária, do pré-sale do turismo. Na Educação Básica vamos ampliar o tempo de permanência na escola e melhorar as instalações das unidades, criaremos as versões municipais dos Programas Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e o Universidade para Todos (ProUni), já em desenvolvimento pelo Governo Federal, com sucesso. Nossa meta é atingir e ultrapassar a média 6 no Índice de Desenvolvim ento do Ensino Básico (Ideb). Com relação às creches garantir unidades próximas ao local de moradia ou trabalho dos pais.

EA – E na Saúde?

Telma - Santos apresenta dados negativos nesta área: alto índice de mortalidade por dengue e falta de leitos hospitalares entre outras falhas. Vamos resgatar as políticas de vanguarda com a eficácia das policlínicas e dos programas de Internação Domiciliar e Saúde Mental. É triste lembrar que da vanguarda na Aids, implantada no governo do PT, a cidade  disponibiliza hoje um programa decadente. É inconcebível que Santos não consiga absorver os programas federais apesar da grande oferta de serviços. Nossa proposta para a Saúde prevê a qualidade do atendimento e a realização de parcerias, especialmente com o Ministério da Saúde. Vamos integrar a rede hospitalar, adequando o Hospital dos Estivadores para os atendimentos e ampliar o SAMU. Vamos cobrar responsabilidade por parte do Governo do Estado com relação ao Hospital Guilherme Álvaro, que manteve fechada por 2 anos a UTI Infantil, período em que duas crianças morreram por falta desse tipo de atendimento.

EA -  E para a Mobilidade  Urbana?

Telma - Santos precisa de ações imediatas, pois vive um colapso no transporte e se não melhorar a qualidade do transporte coletivo integrando-o a malha viária metropolitana , não vai melhorar. O número crescente de automóveis reduz o espaço físico da malha viária obrigando as administrações a trabalhar com o conceito de mobilidade urbana, mas para isso é fundamental a qualidade do transporte coletivo. Vamos incentivar o transporte hidroviário e trabalhar para que grandes obras em parceria com os governos estadual e federal, como túnel ligando as zonas Leste e Noroeste, uma prioridade, assim como as obras na entrada da cidade saiam do papel e sejam concretizadas.

EA- Em seu governo houve uma mudança radical no transporte coletivo, ainda um dos entraves na cidade, pois de forma indireta ele voltou à iniciativa privada. Voltaria a municipalizar o transporte?

Telma - Se algum empresário tentar se sobrepor à Prefeitura como ocorreu na época, faria tudo outra vez. Naquela ocasião não tivemos alternativa, era preciso mostrar que a Prefeitura não podia ficar a mercê de empresários.  Respondi por 11 anos a um processo oriundo dessa situação, mas não me arrependo, pois entendo que maior que qualquer força política é a autoridade do voto que determina quem assume a Prefeitura.

EA – Há quase 30 anos a senhora falou sobre a riqueza submersa na cidade e região. Hoje, a região vive a expectativa do pré-sal. Se eleita, como tratará a questão que é vista como a grande salvadora da região?

Telma – Lembro muito bem. Fui execrada, até agredida verbalmente como se estivesse falando sandices. O tempo mostrou que eu estava certa e hoje o pré-sal, antes mesmo de sua concretização, mobiliza a Baixada, impulsionando o mercado imobiliário e em consequência gerando empregos; dá novas diretrizes aos cursos profissionalizantes, abrindo um leque de oportunidades e o Poder Público tem que acompanhar essas ações, na expectativa de ampliar as oportunidades para os santistas através de parcerias para projetos habitacionais, cursos e melhoria urbana.

EA – Pouco antes da entrevista a senhora falava sobre a necessidade de rever as questões do saneamento e da coleta do lixo. O que pretende fazer?

Telma – Independente de a cidade aparecer na liderança do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, ainda temos áreas que ainda não contam com este serviço, especialmente na Área Continental, lembrando que as moradias em áreas irregulares não contam nesse levantamento. Por estas razões, o Plano Municipal de Saneamento terá de ser revisto. Quanto ao segundo item da pergunta, vamos ampliar a coleta seletiva de lixo pulando dos atuais 3% para 35%, aproximando-se de índice considerado satisfatório pelos padrões internacionais. Também estão previstas a implantação e efetiva execução da política nacional de resíduos sólidos, objetivando a lada com a inclusão social dos catadores e expansão da coleta seletiva.

Telma de Souza relembrou a contribuição da mulher no processo de redemocratização do País e a participação das mulheres de Santos. “A coragem e atuação das mulheres foram decisivas para a redemocratização do País. Elas foram á luta, porque a maioria dos homens que lutavam pelo retorno da democracia estava exilada. As mulheres assumiram papeis antes dominados pelos homens. É preciso resgatar a importância da atuação feminina para que chegássemos ao momento atual. São muitos nomes que vem à mente. Lembro com emoção, as reuniões que fazíamos na Rua Campos Sales, onde conheci mulheres valorosas e compromissadas com a democracia e a quem devo muito, porque naqueles encontros se consolidaram as minhas convicções relacionadas ao PT”.

Uma das muitas lembranças de Telma, revividas naquele bate-papo, nos levaram ao início de sua vida parlamentar em 1982, quando assumiu uma cadeira na Câmara de Santos. Sua mesa ficava no corredor da antiga sede do Legislativo, no Palácio José Bonifácio (prédio da prefeitura) na Praça Mauá. Naquela época não tinha sala para todos os vereadores. O então presidente da casa, vereador Noé de Carvalho (falecido) em homenagem à vereadora, mandou construir um banheiro cor de rosa na Câmara.

* O vice da Telma é Wagner Pelonha (PSDC). (Foto: Helena Silva)