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Portuário e estiva paralisarão o porto e a entrada de Santos

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2013-11-02 -03:14

Portuário e estiva paralisarão o porto e a entrada de Santos

Os sindicatos dos operários portuários (Sintraport) e dos estivadores paralisarão as duas margens do porto de Santos e a entrada da cidade, na terça-feira (5), das 7h às 13h.

A decisão foi tomada na tarde desta sexta-feira (1º), pelos presidentes dos dois sindicatos, Claudiomiro Machado ‘Miro’ (Sintraport) e Rodnei Oliveira da Silva ‘Nei’ (estiva). Em reunião com outros diretores e trabalhadores das duas categorias, os sindicalistas já começaram os preparativos para as duas atividades reivindicatórias, entre eles a divulgação.

Será um protesto contra a intransigência da Empresa Brasileira de Terminais Portuários (Embraport) e um alerta ao prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB).

A manifestação programada foi decidida pelas lideranças dos trabalhadores portuários, tão logo terminou mais reunião com os representantes da Embraport e autoridades do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e da Casa Civil da Presidência da República, na última quinta-feira (31/10). Como era de se esperar, o encontro terminou sem acordo entre as partes. Tão logo chegaram a Santos, os sindicalistas se reuniram com os demais trabalhadores e a decisão foi ratificada.

Miro e Nei explicam que, com a paralisação dos operários portuários e dos estivadores, os demais segmentos portuários serão paralisados também, pois dependem das atividades de carga, descarga e estivagem. Segundo eles, o fechamento dos acessos a Santos paralisará também a boa parte das atividades do município. Os sindicalistas argumentam que as cidades da região sofrem prejuízos por causa da Embraport.

Além da greve de seis horas, os estivadores prometem uma série de protestos que serão realizados no portão de acesso do terminal da Embraport e na entrada da cidade. Segundo o presidente do Sindicato dos Estivadores, serão manifestações pacíficas e ordeiras com o objetivo de chamar a atenção das autoridades.
 
Apesar do anúncio, o sindicalista ressalta que a paralisação poderá ser suspensa caso a direção da Embraport aceite a proposta dos portuários. "A empresa está navegando no sentido contrário não apenas dos trabalhadores, como também dos seus próprios pares, e o acordo coletivo de trabalho que firmamos com os demais terminais do seguimento é a prova maior de que o nosso pleito é possível de ser atendido". 

A paralisação das atividades será total afetando inclusive os terminais que compõem a Câmara de Contêineres de Terminais Especializados (Santos Brasil, Libra Terminais, Rodrimar, Tecondi e Brasil Terminais Portuários). Sindicato e representantes das cinco empresas fecharam um inédito acordo coletivo de trabalho prevendo a contratação mista dos estivadores. O acordo será assinado no mesmo dia da greve, no período da tarde.

Nei da estiva salienta que, “após a decisão da Embraport de segregar os avulsos, os demais terminais se sentiram no direito de também trabalhar com mão-de-obra própria, os demais terminais tiveram a dignidade de fazer acordos com o sistema misto de trabalho, 50% avulso e 50% com vinculados”.

“A intransigência da administração desse terminal não prejudica apenas os trabalhadores avulsos do porto, mas também a economia regional. A perda do mercado de trabalho e do poder aquisitivo dos avulsos, iniciada com a Embraport, tem um efeito cascata sobre os demais terminais, que passam a agir da mesma maneira” ressalta Miro, presidente do Sintraport.

Miro e Nei ponderam que a Embraport vem trabalhando exclusivamente com empregados vinculados, desde terça-feira (29), quando venceu um acordo que mantinha com os sindicatos. Esse acordo estabelecia o sistema misto de 50%, que os sindicatos defenderam em reunião na quinta-feira (31), no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em Brasília.

Essa proposta valeria até junho de 2014, quando as partes ficariam livres para agir com base na nova lei dos portos. Segundo eles, a Embraport não aceitou a proposta.

Os dois explicam que a empresa propôs o sistema misto até março de 2014, depois do que passaria a operar apenas com trabalhadores vinculados. Na quarta-feira (6), haverá outra reunião, na capital.

Protesto - Miro e Nei frisam que a paralisação no porto e o protesto na entrada da cidade, por um período de seis horas, é única e exclusivamente contra a intransigência da empresa.

Os sindicalistas lembraram que o prefeito que Paulo Alexandre vem tomando medidas contra a poluição provocada pelos terminais de granel da Ponta da Praia, demonstrando que a administração municipal tem poder sobre o porto.

Ao impedir o acesso à cidade, os sindicalistas esperam que o prefeito santista tome medidas contra a Embraport. Eles preferem, no entanto, não dizer que medidas seriam essas.

“O prefeito sabe muito bem o que pode fazer. O terminal fica na margem esquerda do porto, em área continental de Santos, sujeito, portanto, a fiscalização da prefeitura”. adianta Miro.
 
"Chegamos ao nosso limite e cedemos em tudo o que foi possível na tentativa de viabilizarmos um bom acordo com a empresa, que a cada dia se mostra mais inflexível e intransigente, não nos deixando
alternativa a não ser a greve. Contamos com a compreensão dos empresários e demais usuários do porto, mas temos a obrigação de defender o nosso mercado de trabalho." justificou Nei, presidente dos Estivadores. (Foto: Divulgação)