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Terceirizadas prometem pagar salários e merendeiras descartam greve

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2014-04-09 -00:17

Terceirizadas prometem pagar salários e merendeiras descartam greve

As 289 merendeiras que prestam serviços terceirizados às creches e escolas municipais de Guarujá, e atendem 35 mil crianças e jovens, suspenderam a greve que estava programada para esta quarta-feira (9).

Isso porque as empreiteiras ERJ Administração de Restaurante e Denadai Convida garantiram o pagamento dos salários de março, que não foram depositados na segunda-feira (7), quinto dia útil de abril.

Na manhã desta terça-feira (8), um grupo de merendeiras protestou, diante da prefeitura, junto com o Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Refeições Coletivas de Cubatão, Baixada e região (Sintercub).

Seu presidente, Abenésio dos Santos, uma comissão das empregadas e dirigentes da federação estadual da categoria foram recebidos pelo secretário municipal adjunto de educação, Juarez Mendes de Azevedo. Assessorado pelo diretor financeiro da secretaria, Rafael Vizaco, Juarez se comprometeu a ligar para as empresas e interceder pelo pagamento dos salários imediatamente.

Na reunião, munidos de três grossos processos, eles negaram a informação do departamento de recursos humanos da ERJ, de que a Prefeitura lhe deve R$ 10 milhões.

Juarez e Rafael explicaram que a Prefeitura tem passivos calculados em R$ 1 milhão e 700 mil com cada uma das duas empresas, totalizando R$ 3 milhões e 400 mil. Os contratos vencerão em fevereiro de 2015.

Segundo eles, a Prefeitura fez acordo com as empresas para apresentar, até esta quarta-feira (9), os cálculos desse passivo e acertar as datas para parcelamento. Rafael ponderou que a Prefeitura voltou a pagar R$ 640 mil mensais à Convida, após a empresa reclamar que esse valor contratual havia sido reduzido, em fevereiro de 2013, para R$ 400 mil.

O secretário e o diretor financeiro explicaram ao sindicato e às merendeiras que as mensalidades contratuais, com exceção dos passivos, estão rigorosamente em dia, inclusive as de janeiro e fevereiro.

Números - A empreiteira Convida tem 147 merendeiras. A ERJ, 142. Elas atendem 26 escolas de ensino fundamental, 19 de ensino infantil, 14 creches e 20 unidades conveniadas.

As 35 escolas estaduais em atividade no município, com 30 mil alunos, são atendidas por cerca de 200 merendeiras concursadas da Prefeitura. Os números foram fornecidos por Juarez e Rafael.

Abenésio adianta que cobrará juros e correção monetária, em benefício das merendeiras, pelo atraso de pagamento: “O comércio e os serviços cobram juros por atrasos e elas não podem ser prejudicadas”.

Algumas merendeiras disseram que diretoras de escola pagaram R$ 70,00  para que algumas colegas trabalhassem nesta terça-feira (8), para não suspenderem as aulas e atendimentos nas creches.

 “As merendeiras e a população não merecem que empreiteiras de outras cidades venham aqui prejudicar a categoria, as mães e principalmente as crianças e jovens”, diz Abenésio.

Barato e cansativo - As merendeiras têm salário de R$ 839,00  registrado em carteira, mas recebem apenas R$ 680, após os descontos legais. Têm jornada das 7h às 16h48, mas, eventualmente, saem mais tarde, sem ganhar hora extra.

O horário de almoço, de uma hora, não é respeitado. Muitas vezes, interrompem as refeições para receber produtos, atender professores, alunos e diretoras.

São servidas cinco refeições por dia: café da manhã, suco, almoço, lanche da tarde e janta. Algumas creches têm quatro merendeiras, mas outras têm apenas duas.

O trabalho é cansativo: elas recebem mantimentos, lavam, cozinham, servem, higienizam a louça e fazem faxina na cozinha: “Às vezes, chego em casa e dou apenas ovo ao meu filho, de tão cansada”, diz uma delas.

As refeições dos alunos são fracas, baseadas mais em frango do que carne. Peixe, nunca. Manteiga, também não. Há diretoras que compram margarina de seu próprio bolso, pois há apenas doce de leite para o pão.

Repercussão - A paralisação parcial desta terça-feira repercutiu no Facebook. O jornalista Reginaldo Pacheco Gonçalves, por exemplo, morador na cidade, postou que o “ruim sempre pode piorar”.

Segundo ele, “escolas como a Lucimara Jesus Vicente dispensaram os alunos, na hora do recreio”, pois não haveria condições de servir o almoço, o lanche da tarde e a janta.(Redação e foto: Paulo Passos)