Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Notícias

Estado reverte fechamento do PS da Santa Casa de São Paulo

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2014-07-24 -01:07

Estado reverte fechamento do PS da Santa Casa de São Paulo

Escancarando a crise que atinge os hospitais filantrópicos e consequentemente a maior parte da população brasileira, na manhã desta quarta-feira (23), por falta de recursos para a compra de material e medicamentos, a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo fechou as portas do seu Pronto-Socorro.

A Santa Casa de São Paulo é uma referência no bairro Santa Cecília e no atendimento a pacientes do SUS-Serviço Único de Saúde. A faixa no portão do PS informando o fechamento deixou pacientes desesperados, pois no local são atendidos diariamente, cerca de 6 mil pessoas.

Estado reverte situação - No início da tarde, o secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Davi Uip anunciou o a liberação de R$ 3 milhões para a reabertura da unidade. Na ocasião anunciou também a criação de uma comissão para promover uma auditoria nas contas do hospital, salientando que o governo estadual tem auxiliado as santas casas e hospitais filantrópicos com verbas extras.  Disse mais: que a liberação de novos recursos será condicionada ao resultado da auditoria nas contas  da Santa Casa. Davi Uip considerou aumento expressivo das dívidas da instituição. A auditoria será realizada por representantes dos governos estadual, federal e municipal.

Renegociação – No ano passado o governo federal lançou o programa de renegociação das dívidas das santas casas, possibilitando que as dívidas desses hospitais sejam abatidas, desde que mantenham as demais contas em dia e aumentem o número de atendimentos  a pacientes do SUS. O programa deve começar ainda em 2014. Segundo informações, a decisão da Santa Casa em fechar o pronto atendimento não havia sido comunicada ao Ministério da Saúde que garante não apenas “o pagamento de procedimentos da tabela do SUS e incentivos”.

Posicionamento – A Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Estado de São Paulo (Fehosp), emitiu nesta quarta-feira, nota oficial sobre a medida tomada pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, medida essa que segundo a direção, não foi surpresa.

“Santas Casas pedem socorro

Posicionamento Oficial da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Estado de São Paulo

É com pesar que a Fehosp recebeu o comunicado sobre a interrupção do atendimento de urgência e emergência no Hospital Central da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo devido à falta de recursos para aquisição de materiais e medicamentos. Infelizmente, a Federação não vê com surpresa essa notícia, pois conhece a fundo o cenário dos filantrópicos e a crise vivenciada há anos por todas as instituições que atendem o SUS.

Para entender o que leva uma Santa Casa a fechar suas portas para a população é preciso considerar que estas instituições hospitalares destinam mais de 60% de suas capacidades assistenciais ao SUS, cuja contraprestação é pública e notoriamente conhecida como deficitária, na ordem de R$5,1 bilhões/ano, consolidado no país. Em média, a cada R$ 100 empregados pelos filantrópicos nos convênios e contratos com o SUS, os hospitais são remunerados com R$ 65. Os maiores problemas estão localizados na assistência de média complexidade, onde as diferenças entre o pago e o efetivamente gasto, em alguns casos, superam os 200%. Esta realidade já gerou dívidas acumuladas superiores a R$15 bilhões.

“Diante de tal custeio hoje deficitário é possível sobreviver? Fechar é o caminho a ser indicado? O que fazer com 150 milhões de brasileiros que só tem o SUS como seu sistema de saúde, diante da insolvência e do fechamento da maioria das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos? É hora do bom senso e da prevalência do interesse maior da sociedade brasileira, especialmente aquela dependente do SUS”, diz o diretor-presidente da Federação, Edson Rogatti. Segundo ele, o único caminho é injetar dinheiro novo na Saúde. “A questão é simples de entender, nossa conta não fecha. Gastamos mais do que recebemos. E o Governo precisa abrir os olhos para essa situação. Estamos sustentando o SUS desde sua criação, uma obrigação que não é nossa, mas assumimos com muito orgulho e esforço. Porém, de uns tempos para cá, o peso está maior do que podemos carregar. Precisamos do suporte daqueles que deveriam por lei oferecer assistência gratuita à população. Há anos, as Santas Casas e hospitais filantrópicos estão pedindo socorro”, completa.

Pensando nisso, no encerramento do 23º Congresso da Fehosp, realizado no último mês de maio no Guarujá, litoral paulista, foi divulgada a Carta São Paulo, documento elaborado pela CMB (Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos) com as principais reivindicações do setor, sob risco de colapso no processo assistencial. A carta foi direcionada à Presidência da República, aos ministérios da Saúde, da Fazenda e do Planejamento, às presidências da Câmara dos Deputados, Senado Federal, Frente Parlamentar de Apoio às Santas Casas, Frente Parlamentar da Saúde e à Secretaria de Assistência à Saúde, do Ministério da Saúde.

Confira os principais pontos:

- Ampliação do custeio da  média complexidade –  estabelecer  nova  recomposição do IAC correspondente a 100%  do valor contratado com o SUS, para todos os  hospitais do  segmento,  nos  moldes  da  Portaria  GM/MS  nº.  2.035/2013,  com aperfeiçoamentos a serem condensados e garantindo-se a continuidade do fluxo dos recursos como política de Estado;

- Ampliação  do  IAC  cumulativo  para  os  Hospitais  de  Ensino  para  20%,  tal  como previsto na Portaria GM/MS nº. 2.035/2013, bem como, destinação de recursos para pagamento  da  integralidade  de  bolsas  de  residências  médicas,  hoje  sob responsabilidade destas instituições;

- Extensão  do  PROSUS  e/ou  criação  de  alternativa  para  soluções  de  dívidas  com  o sistema financeiro, alcançando juros máximos de 4% ao ano e prazos mínimos de 120 meses, com  carência  de 2 anos,  tendo  como parâmetro políticas  atinentes ao  setor da agricultura e/ou setores da indústria brasileira;

- Criação  de  linha  de  recursos  de  investimentos,  a  fundo  perdido,  aos  moldes  do REFORSUS, tanto para tecnologias como para adequações físicas.

No documento entregue à época, o setor pedia uma solução até a data de 15 de junho. Mais de um mês já se foi desde o fim do prazo, e pouca coisa foi de fato resolvida. Vale ressaltar que sem a atenção necessária, muitas outras Santas Casas e hospitais filantrópicos seguirão o caminho da Santa Casa de São Paulo e fecharão suas portas à população, não por própria vontade, mas pela força das circunstâncias. A Santa Casa de São Paulo tem relevância para se reerguer dessa situação, mas no interior de São Paulo, e em tantos outros lugares mais afastados do país, muitas instituições estão declarando falência sem tanta atenção da mídia e o pior, sem a expectativa de retorno. A situação se agrava ao lembrarmos que em quase mil municípios brasileiros, as Santas Casas e hospitais beneficentes são os únicos a oferecerem leitos.

Por isso, a Fehosp conta mais uma vez com a compreensão da população brasileira que sempre esteve ao seu lado nessa luta por mais recursos pela saúde pública e, principalmente, com a celeridade dos governantes, para que não deixem morrer um setor que tanto fez pela história desse país”.

 (Fotos: Divulgação)