Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Notícias

Faleceu nesta segunda-feira, o jornalista Roberto Peres

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2014-11-04 -02:39

Faleceu nesta segunda-feira, o jornalista Roberto Peres

O diretor artístico,  jornalista e crítico de arte Roberto Fernandes Peres, 69 anos, faleceu na tarde desta segunda-feira (3), vítima de infarto do miocárdio. Santista, ele era diretor da Escola de Artes Cênicas Wilson Geraldo, da Secretaria de Cultura de Santos (Secult), desde a sua fundação em 2010. O velório ocorre na Santa Casa da Misericórdia de Santos, e o corpo será cremado nesta terça-feira (4), às16h, na Memorial Necrópole Ecumênica.

Roberto Peres, jornalista, crítico de artes foi editor e crítico (arte, teatro, cinema e dança) do jornal Cidade de Santos, entre 1967 e 1987. Também foi colaborador do jornal Última Hora, de 1969 a 1970, e crítico de dança do jornal A Tribuna entre 1988 e 1989. Diretor do Corpo Estável de Dança da Secult entre os anos 1991 e 1996. Em São Vicente, no ano 2000, dirigiu a encenação da ‘Fundação da Vila de São Vicente’. Assinou a direção do espetáculo ‘Kasato Maru’, comemorando os 100 anos da Imigração Japonesa no Brasil, em 2009, no Teatro Coliseu. Também atuou junto aos grupos teatrais Tescom e Theatrum.

Foi curador das Bienais de Artes Visuais de Santos, em 1993 e 1995, conquistando prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) de melhores mostras fora da Capital. Também atuou como coordenador cultural da Pinacoteca Benedicto Calixto, de 1993 a 1995, e coordenador cultural do Salão de Arte Jovem e da Galeria de Arte do Centro Cultural Brasil-Estados Unidos (CCBEU), de 1998 e 2004.

Professor titular do curso de Teatro do Centro Universitário Lusíada (1985 a 1993), diretor e professor do Centro de Arte e Decoração de Santos – Cades (desde 1997) e professor das disciplinas de História da Arte, História do Teatro e História do Cinema. Foi jurado do desfile oficial das escolas de samba de Santos e no município de Franca. Também ministrou cursos em parceria com a Liga Independente das Escolas de Samba de Santos (Licess) e foi carnavalesco da escola de samba Unidos dos Morros em 2008 e 2009. 

Peres deixa a mulher, Maria Alice, os filhos Lucas (que mora na Europa) e Roberta, e a neta Rosa

Foto:Reprodução

‘A insustentável leveza do ser ditada pelo Criador’

Noemi Francesca de Macedo

Nem bem se foi e já deixa saudades, característica do Beto Peres que conheci no início de 1973, no setor de Variedades do extinto jornal Cidade de Santos. Sua mesa, logo à entrada da redação, ao lado de Maria José, um dos ícones do jornal, parece ter sido colocada ali de propósito.  De sua mesa, Beto tinha uma visão privilegiada da redação e com seu humor sarcástico, era uma das figuras mais marcantes daquela escola de jornalismo.

E foi ali que pela primeira vez, em 1968, fui, em companhia da saudosa professora de Artes, Dulce Noronha, do Ginásio Estadual da Vidrobrás (SV), falar a um jornalista sobre Teatro de Marionetes; na sequência vieram entrevistas sobre espetáculos montados pelo Tema – Teatro Estudantil Martim Afonso, pelo GAL – Grupo Artístico Liberal, depois sobre festivais.

Cinco anos mais tarde, sentava pela primeira vez diante de uma máquina de escrever (o computador ainda estava distante da nossa realidade) para os primeiros passos, para as primeiras letras como futura jornalista. Era abril em1973, terceiro mês do curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação da Universidade Católica de Santos (UniSantos), à frente de Beto Peres estava uma estagiária que tremia diante do mestre. Foi uma passagem rápida pelo setor para o qual voltei no ano seguinte (para alguns plantões), já como contratada e a missão que recebi do Beto foi escrever sobre o espetáculo “O efeito dos Raios Gama nas Margaridas do Campo”, de Paulo Zindel, com a atriz Nicette Bruno.

Desde então, o companheirismo de redação virou uma amizade, daquelas que cultivada pela admiração (de minha parte, com certeza) se torna para sempre e que nos permite guardar na lembrança momentos hilários e deliciosos que se fechar os olhos, ouço o estalar de dedos (típico do Beto) e sua voz saudando e ao mesmo tempo anunciando que eu chagara à Redação: “Chegou Mulher Maravilha?!!!”

Beto Peres, neste adeus...até um dia...bem lá na frente.. repito o que disse um dia, em companhia de Hery Moura e dos saudosos Greghi Filho e Celso Ramires à saída do extinto Cine Teatro Jangada (SV), onde Regina Duarte, a então namoradinha do Brasil, ao final do espetáculo foi  aplaudida de pé: “Me sinto pequenina diante de sua capacidade de traduzir a essência de um espetáculo”. E hoje, Beto, só posso dizer que continuo pequenina diante do imponderável que lhe escolheu para transportar a linha imaginária da vida, desafiando a “insustentável leveza do ser” – sem referência ao romance de Milan Kundera, mas à vontade Criador.