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Trólebus, descaso com o dinheiro público

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2014-01-18 -01:17

Trólebus, descaso com o dinheiro público

A Prefeitura de Santos acaba de publicar decreto no Diário Oficial do Município declarando de interesse público os seis trólebus pertencentes à concessionária do transporte na Cidade, Viação Piracicabana, para fins de desapropriação. A justificativa é que os ônibus elétricos continuem circulando em Santos, na medida em que se aproxima o processo licitatório para renovar a concessão do transporte coletivo. Segundo a Prefeitura, o receio é que se a Piracicabana não sagrar-se vencedora, o serviço de trólebus pode ser extinto.

A argumentação da Prefeitura não se sustenta. Primeiro porque pode muito bem incluir no edital de licitação a manutenção dos trólebus e até mesmo a ampliação dos elétricos.

Ao que tudo indica não fará isso porque a obrigatoriedade já constava de contratos anteriores e a Prefeitura não teve autoridade para exigir da concessionária o cumprimento contratual. O contrato anterior com a mesma Piracicabana previa que a empresa renovasse a frota de trólebus até atingir 20 veículos. A empresa também deveria providenciar nova rede elétrica para possibilitar a movimentação dos novos veículos.

Mesmo constando de cláusula contratual, o então prefeito Beto Mansur não exigiu o cumprimento do contrato, com base em parecer do então presidente a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Santos), João Paulo Tavares Papa, que acatou justificativa da empresa para não comprar os trólebus. Segundo a empresa, os ônibus elétricos eram muito caros e, por isso, seriam substituídos por ônibus movidos a óleo diesel.

Não deixa de ser paradoxal. A municipalidade contava com uma frota de trólebus. Com a concessão das linhas, estes veículos foram transferidos para a iniciativa privada, e agora a Prefeitura anuncia a recompra dos mesmos bens. Negócio melhor não há em nenhum mercado do mundo e não importa quanto a Prefeitura pretende pagar pelos veículos. A situação bem demonstra o descaso com o dinheiro público.

E tudo isso porque dois gestores públicos, primeiro Beto Mansur, e depois seu sucessor, João Paulo Papa, cederam aos caprichos de uma empresa que não tem o menor respeito pelos seus usuários e presta um serviço de péssima qualidade.

Importante lembrar que Mansur foi reeleito para a Câmara dos Deputados e Papa foi eleito deputado federal em outubro último. (Eraldo José dos Santos)