Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Notícias

Tomie Othake deixou sua marca em Santos

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2015-02-13 -14:59

Tomie Othake deixou sua marca em Santos

O corpo da artista plástica Tomie Ohtake é velado nesta sexta-feira (13) no Grande Hall do instituto que leva o seu nome, na Zona Oeste de São Paulo. Ela tinha 101 anos e morreu na tarde de ontem (quinta-feira, 12), devido a um choque séptico causado por broncopneumonia.

O velório é aberto ao público e o instituto Tomie Ohtake seguirá fechado ao longo do dia. Depois das 14h, o corpo será levado para o Crematório do Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, em cerimônia reservada à família.

Nascida em 1913, Kioto, no Japão, Tomie veio para o Brasil em 1926, aos 23 anos, desembarcando no Porto de Santos, seguindo para o interior de São Paulo para casa de parentes.  Conta a biografia  da artista que ela ficou encantada  com a intensidade da luz amarela, do calor e  da umidade, ao desembarcar em Santos.

Ela que veio ai Brasil para visitar um irmão, devido ao desfecho da Segunda Guerra, ficou em São Paulo, onde mais tarde se casou e teve dois filhos: Ruy e Ricardo Ohtake. Residindo no bairro da Mooca, somente aos 39 anos começou a se dedicar às artes plásticas, através da pintura.

Incentivada pelo pintor japonês Keisuke Sugano, que deu aulas de passagem pelo Brasil, Tomie se tornou uma das mais consagradas escultoras. Conhecida internacionalmente pelo gigantismo de sua obra, a artista mudou a paisagem urbana de São Paulo. Várias cidades têm monumentos assinados por ela, reconhecidos internacionalmente. A cidade de Santos é um exemplo.

Imaginação -  Em Santos, o monumento  criado por Tomie Ohtake, inaugurado em 2009, no Parque Municipal Roberto Mário Santini, no emissário submarino na praia/bairro José Menino, mudou a paisagem da orla.

A escultura que instiga a curiosidade e desperta as mais variadas interpretações, não tem nome. Vista de longe, durante o dia e a noite, quando é iluminada por 32 refletores de 150 watts de potência cada,  brilha imponente  de onde quer que seja visto.  É possível que tenha sido proposital por parte da artista não dar nome ao monumento, porque segundo dizia, uma obra que ocupa espaço público “tem necessariamente que conversar com o espaço e com o público. Isso é fundamental para um painel, uma escultura ou outro trabalho” . E assim é a escultura de Tomie no emissário.  A gigantesca escultura em forma de onda, será uma onda?,  ou em forma de dragão, será? Quem vai saber... Não importa com que pareça, que nome tenha a escultura  em aço pintada de vermelho. O que importa é que Santos, primeira cidade brasileira em que Tomie Ohtake pisou, tem em seu solo fincado a sua marca. (Fotos: Divulgação)