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"Baixada Santista está despreparada para acidentes assim"

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2015-04-07 -01:20

"A região não está preparada para acidentes desse porte. A questão está sendo tratada como assunto local de Santos, mas é regional, atinge a população de outras cidades. Dizem que há plano de evacuação, mas Cubatão estaria no raio dessa evacuação e o município não tem nenhuma informação", criticou a prefeita Marcia Rosa (PT), de Cubatão, ao convocar uma reunião em seu gabinete nesta segunda-feira (6) ao anoitecer, com representantes da OAB; do Centro de Capacitação e Pesquisa do Meio Ambiente (Cepema), ligado à USP; das comunidades; além do secretariado municipal e técnicos dosetor.

Mortandade de peixes - Nesta terça-feira, uma equipe do Ministério da Pesca chega a Cubatão, para tratar dos milhares de peixes mortos encontrados no Rio Casqueiro e verificar a situação junto com pescadores e técnicos da Prefeitura. O envio da equipe foi acertado após contato da prefeita com o ministro Helder Barbalho. Foi formado um comitê para acompanhar os possíveis impactos ambientais no Município, que deverá contar também com a participação do Ministério Público e da Cetesb.

"Não é apenas a Administração Municipal que está sem informações. Moradores e até órgãos ambientais, como é o caso da Cetesb em Cubatão que não está participando diretamente dos trabalhos. Estamos usando pessoal próprio para fazer o monitoramento ambiental, coletar amostras para exames e outras providências. O acidente foi em Santos, mas os impactos ambientais e na população estão sendo todos em Cubatão", explicou a prefeita aos participantes.

É regional - Marcia Rosa alerta sobre a necessidade de providências quanto à formulação de uma estratégia de prevenção regional conjunta para emergências como este incêndio e na cobrança dos prejuízos coletivos causados pelos acidentes.

"A poluição gerada pelo acidente tem impacto em toda a Baixada Santista. Comunidades que vivem da pesca e os consumidores de pescado estão sendo prejudicados pelas mais de 3 toneladas de peixes mortos encontrados somente em um dia (no domingo) nos manguezais de Cubatão. Pode estar ocorrendo contaminação do solo e da água e sequer há informações sobre que tipo de espuma está sendo usada no combate ao incêndio e que está sendo levada com a água para o mar, podendo ser uma das causas da mortandade dos peixes."

Assim, Cubatão está se mobilizando para analisar amostras de peixes mortos e da água do mar colhidas em vários pontos, para verificar a presença de metais e produtos tóxicos. A análise das amostras será providenciada pelo Cepema.

Pescadores - Representantes dos pescadores artesanais das comunidades da Ilha Caraguatá e da Vila dos Pescadores também relataram os problemas enfrentados. Com a maré, um derrame de combustível no mar na Alemoa pode em dez minutos estar sob as palafitas da Vila dos Pescadores, e ocasionar outra tragédia como a da Vila Socó, e os moradores não contam com informações sobre como agir em tais casos. Com a morte dos peixes, mais de 100 famílias de pescadores na Vila Esperança e 40 na Ilha Caraguatá estão sem saber como se manterão no futuro. (Divulgação/PMC)