Jornal Espaço Aberto

Página Inicial

Notícias

Teatro que virou novela

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2015-05-28 -01:57

Teatro que virou novela

A Câmara de São Vicente vai instalar nos próximos dias, uma CEI – Comissão Especial de Inquérito para tratar da paralisação das obras do teatro municipal, desde 2011.

O vereador Júnior  Bozzella  (PSDB), presidente da Comissão Especial de Vereadores criada para acompanhar o desenrolar da construção, encaminhou à Mesa da Câmara, pedido para instalação da CEI para a qual já obteve as assinaturas necessárias.

Novela - A construção do teatro municipal de São Vicente é uma novela que se arrasta há no mínimo, quatro décadas e ainda está longe do epílogo.

A obra iniciada em 2009, ao lado do Centro de Convenções, no Parque Bitaru, virou um espetáculo de péssima categoria, um exemplo de como dinheiro público e compromisso com a população pouco valem e não têm dono.

Aqueles que nos anos 70 se reuniam com políticos na expectativa de conquistarem um espaço não para ensaiar, mas para apresentação de espetáculos acreditaram que finalmente teriam o sonho realizado. Se enganaram, por enquanto. A obra foi iniciada em 2009 com previsão de entrega para 2011, ano em que foi paralisada.

Sem muita convicção, o prefeito Luiz Cláudio Bili (PP), que ao assumir a administração a obra já estava paralisada, diz que espera entregar o teatro até o final dessa sua gestão, ou seja, no próximo ano. Anteriormente, junho do ano passado, foi o prazo que ele deu para a conclusão da obra que não recebeu qualquer complemento.

Mas agora, Bili diz que a esperança é obter recurso adicional da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo para atualização das planilhas de custo devido a atualização de valores. O prefeito diz que pretende retomar a obra ainda neste ano e para isso está negociando com o Dade – Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias, órgão da Secretaria de Turismo, responsável pela verba, cerca de R$ 5 milhões já injetados na obra que parece não ter fim.

O contrato firmado (na administração anterior - prefeito Tércio Garcia) com empresas para a obra vem sendo questionado, inclusive, pela Câmara. Segundo Bili, o contrato não foi encerrado em sua administração para evitar prejuízo ao contribuinte, por elas (empresas) “receberam mais do que fizeram”.

Se isso aconteceu, porque o prefeito não rescindiu o contrato e não recorreu à Justiça contra as empresas Codesavi – Companhia de Desenvolvimento de São Vicente e Termaq? Ele não respondeu, voltando a afirmar que está negociando com o DADE, na expectativa de atualização de valores para fazer frente aos reajustes das planilhas e que espera entregar o primeiro teatro da Cidade em 2016.

Investigação - O vereador Júnior Bozzella, presidente da CEV que trata das obras paralisadas do teatro e que pediu a instalação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), diz que a cidade virou um “cenário de guerra” e o teatro é uma das obras paradas que formam esse cenário.

“É preciso apurar as responsabilidades por este estado de abandono verificado em toda a cidade. A CEV do teatro foi criada quando as obras já estavam paralisadas. Eu assumi uma cadeira na Câmara em 2013 e as obras já estavam paradas há dois anos. Aliás a paralisação dessa obra era um dos temas criticados pelo então vereador Luis Cláudio Bili, hoje prefeito. Agora com a instalação de uma CEI nos próximos dias daremos início à uma investigação que envolverá, também, naturalmente, as administrações anteriores. Vamos apurar pagamentos, custos e responsabilidades, porque verbas estaduais foram liberadas, mas não sabemos como foram aplicadas porque elas acabaram e a obra aí está, parada. Não permitiremos que ela se torne um “elefante branco”. (Foto: Luiz Vicente Filho)

 

Sonho antigo – Apesar da preocupação com os órgãos de repressão que continuavam, especialmente na calada da noite acompanhando a curta distância os militantes das artes, atores amadores e profissionais, bailarinos, músicos e outros “elementos perigosos”, em 1977, a direção do GAL – Grupo Artístico Liberal, que ensaiava e discutia cultura em uma residência no Catiapoã, marcou com os políticos, a primeira reunião para tratar da construção de um teatro.

Nesse primeiro encontro, apenas o prefeito Koyu Iha compareceu. No encontro seguinte, dois vereadores e três representante. No terceiro e último, um vereador e dois representantes, que assustados com a presença de uma ‘baratinha’ como era chamada a viatura policial, parada na esquina, bateram no portão dos fundos da casa e um deles avisou que não participaria mais daqueles encontros, pelo menos até a situação (ditadura) amenizar.

A partir de então às reuniões compareciam apenas os mais interessados, os menos poderosos, os menos nocivos, mas os mais apaixonados pela Pátria. Alguns já não estão mais nesse plano, como Celso Ramirez e Roberto Saturnino, mas os que ainda estão por aqui, esperam um dia se não pisar, ver alguém pisando no palco do Teatro Municipal de São Vicente, mas sabemos que antes disso, muita água vai rolar por baixo da plateia do teatro que ainda está em obra. Sob o local passa um rio que pela estrutura do solo e da obra, um dia vai aflorar. Só espero que não seja sob meu sapato, se é que o tempo me preservará até a estreia, ou melhor, o epílogo desse ato. (Noemi Macedo)