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ONU fará, no Brasil, conferência internacional de segurança no trânsito

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2015-05-31 -23:38

ONU fará, no Brasil, conferência internacional de segurança no trânsito


A ONU – Organização das Nações Unidas, que congrega 193 nações, fará, em novembro próximo, no Brasil, sua segunda conferência mundial de segurança viária. A primeira, em 2014, foi em Moscou, capital da Rússia.

A diferença entre a primeira e a segunda conferência é que agora os trabalhadores do setor participarão, em Brasília, apresentando propostas que reduzam os acidentes nas estradas, avenidas e ruas do mundo.

A chamada ‘carta de Moscou’, assinada por representantes de 52 países, compromete-se a reduzir os acidentes de trânsito em 50%, até 2020, por meio de sugestões que serão aprimoradas na ‘carta de Brasília’.

Para o presidente da Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado de São Paulo (Fttresp), Valdir de Souza Pestana (foto), os profissionais do setor “não podem perder a oportunidade”.

“Num ano em que a câmara federal aprovou e a presidente Dilma sancionou a lei nº 13103/2015 (dispõe sobre o exercício da profissão de motorista e altera a Consolidação das Leis do Trabalho - CLT) altamente prejudicial à segurança no trânsito, essa conferência da ONU vem a calhar”, diz ele.

Descaso - Também presidente do Sindicato dos Rodoviários de Santos (SP), Pestana articula a participação das demais federações estaduais e da confederação nacional da categoria (Cnttt) no evento.

“Será a oportunidade para mostrarmos ao mundo o descaso com que os poderes legislativo e executivo no Brasil tratam a segurança viária e as condições de trabalho dos motoristas”, desabafa o sindicalista.

Pestana diz que os rodoviários chamam de ‘lei da morte’ a nova legislação, assinada pela presidente  Dilma em 2 de março passado: “Além de aumentar a carga horária dos caminhoneiros para 12 horas, diminuiu o tempo de repouso”.

Auditores  - A presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), Rosa Maria Campos Jorge, concorda com Pestana: “É de extrema importância a participação dos trabalhadores na conferência. A meta global pactuada servirá para impulsionar políticas públicas a partir dos compromissos de Estado, que transcendem governos, para a redução do fator causador das mortes e mutilações no trânsito”.

Rosa destaca “a responsabilidade dos profissionais brasileiros com todos os rodoviários do mundo, apontando os motivos determinantes de tantos acidentes do trabalho no trânsito”. A auditora espera que os resultados das conferências “sejam reconhecidos pelos estados, com políticas públicas que garantam vida digna aos motoristas profissionais”.

Inclusão do MTE - Rosa destaca a importância da inclusão do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) na comissão organizadora da conferência: “Era o único órgão que lida com segurança viária que estava fora da coordenação”.

“O Sinait conversou com representantes da ONU e OIT (Organização Internacional doTtrabalho) e conseguimos a inclusão do MTE na comissão. É uma vitória dos trabalhadores”, pondera Rosa

Pestana concorda com a sindicalista, lembrando que a ‘carta de Brasília’ será assinada também pela presidente da República: “Espera-se que, dessa forma, ela reformule a legislação brasileira”.

Rosa aponta “um grande desafio” à categoria: “O MTE não é ‘os trabalhadores’. Se não houver pressão, a fala do MTE na comissão ficará esvaziada e a luta, silenciada”.

A representante do Sinait agenda reunião com representante do ministério das relações exteriores (MRE), para tratar da conferência e ser o redator da ‘carta de Brasília’, “que será assinada por todos os chefes de estado”. (Foto: Paulo Passos)