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Portuários denunciam descarregamento de amianto e pó da China

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2015-06-24 -01:41

Portuários denunciam descarregamento de amianto e pó da China

Um requerimento do vereador Antonio Carlos Banha Joaquim (PMDB) - foto -  solicitando à Agência Nacional de Vigilância Sanitária em Santos (ANVISA) fiscalização do cumprimento da lei que proíbe o descarregamento de produtos proibidos como amianto e  pentacloreto de sódio-hexaclorobenzeno (conhecido como pó da china) no Porto de Santos provocou uma ação do Posto da Vigilância vinculado à Coordenação dos Portos, Aeroportos, Fronteiras e Recintos Alfandegados do Estado de São Paulo (CVSPAF).

O vereador tomou conhecimento dos fatos a partir de relatos dos sindicatos e associações de trabalhadores da área portuária. As denúncias dão conta que portuários têm apresentado graves problemas respiratórios devido a inalação da poeira originada de produtos suspeitos de conterem os substâncias proibidas.

Segundo o vereador Banha, constantemente, importadores tentam trazer desinfetantes ou herbicidas (produto para destruir ervas daninhas) a base desses produtos químicos em função do baixo custo. Ele lembra a apreensão feita pela polícia federal, no ano passado, no município de Redenção, no sul do Pará, de um carregamento com quase 100 quilos do “pó da China”.

Em resposta ao requerimento do vereador, a responsável pela Coordenação de Vigilância Sanitária de Portos, Aeroportos, Fronteiras e Recintos Alfandegados, Massae Tanaka, considerou a denúncia grave e solicitou o imediato planejamento de uma ação para investigação numa articulação conjunta com a Secretaria Municipal de Saúde, para investigar, se necessário, intervir.

O objetivo da investigação proposta a partir do requerimento do vereador Banha, é eliminar os riscos à saúde da população causados pela inalação de partículas resultante da operação de descarga destes produtos.

Tristes lembrançashttps://ssl.gstatic.com/ui/v1/icons/mail/images/cleardot.gif- A denúncia dos portuários levada pelo vereador Banha à ANVISA é das mais graves e exige imediatas providências, pois a região já sofreu, e muito, com prejuízo ambiental e principalmente com a contaminação de trabalhadores e familiares pelo pó da China, produto manipulado pela multinacional francesa Rhodia em fábrica localizada em Cubatão.

Em 1978, surgiram as primeiras denúncias de problemas de saúde nos operários da unidade de produção do pó da China em Cubatão e os primeiros relatórios de descartes da Rhodia, sem que as autoridades competentes tomasse qualquer providência, permitindo a continuidade dos despejos clandestinos até o início dos anos 80.

A produção de pesticidas em Cubatão que deu origem a um dos maiores crimes ambientais da região teve início em 1965, com a empresa Clorogil, subsidiária da multinacional francesa PROGIL que quatro anos depois funde-se a estatal francesa Rhône-Poulenc, representado no Brasil pela Rhodia S.A, que por volta de 1974 começa a fabricação de solventes clorados nessa cidade, entre eles o tetracloreto de carbono, posteriormente proibido pela nocividade causada ao ser humano e ao meio ambiente.

De 1974 até 1993, milhares de toneladas de resíduos tóxicos foram enterrados nas proximidades da fábrica, lembrando que a partir de 1977, a Rhodia começa a recolher os resíduos tóxicos em caçambas e despejar no meio ambiente a céu aberto, em diversos pontos fora da fábrica. É interessante lembrar que foram encontrados resíduos tóxicos desde a cidade de Cubatão até a cidade de Itanhaém, cerca de 80 km do ponto de origem, onde o resíduo altamente nocivo era oferecido como adubo. Outra cidade bastante afetada pelo despejo clandestino foi São Vicente.

 Em 1979 a unidade de produção do pó da China em Cubatão foi desativada. A fábrica da Rhodia no município foi fechada por determinação judicial em 1993, mas acredita-se que ainda existem mais milhares de toneladas de solo contaminado, além de pessoas que sofrem as consequência da contaminação.

O caso Rhodia, como ficou conhecido é considerado um dos mais graves do mundo envolvendo poluição por organoclorados. Por esta razão espera-se por parte dos órgãos competentes, providências para que trabalhadores portuários e familiares não sofram o mesmo que sofreram os trabalhadores da Rhodia em Cubatão.

Doenças – Embora o descarte irregular do pó da China tenha sido registrado em Cubatão, Itanhaém e São Vicente, não elimina o risco de contaminação da população de outros municípios da região, pois trabalhadores da Rhodia residiam em diferentes cidades e com resíduo nas roupas eles levavam para suas casas e por onde passavam, substâncias nocivas. Além disso, o lençol freático das três cidades atingido pelo despejo irregular alcançam outras cidades da Baixada, deixando para sempre uma incógnita no ar: quantas pessoas foram contaminadas?

Comprovadamente os maiores níveis de contaminação por pentaclofenato de sódio, (pó da China) ocorrem na exposição ocupacional, principalmente por inalação e contato. A inalação causa problemas respiratório, garganta e olhos, produzindo sensação de queimação e lacrimejamento. Na exposição a altas doses geralmente ocorre febre alta, fraqueza, alterações respiratórias, da pressão sanguínea e urinária, convulsão e colapso. Na exposição crônica mesmo que em pequenas quantidades pode causar danos aos rins, fígado e sistema nervoso e alterações hematológicas. Evidências epidemiológicas sugerem abortos espontâneos, redução de peso ao nascer e outras malformações. A Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC) classifica o pentaclorofenol entre outros policlorofenóis e sais de sódio, cancerígenos para o ser humano.

O amianto também conhecido como a poeira assassina, proibido em alguns países, sendo que no Brasil, foi banido apenas parcialmente. A crisótila (amianto branco) ainda é explorada em vários estados brasileiros. Apenas Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul aboliram todas as formas de amianto. Esse produto pode levar o ser humano à falência respiratória, câncer de pulmão e ao mesotelioma maligno (um tipo raro de câncer que provoca o crescimento de um tumor nas membranas que cobrem os órgãos do tórax ou nas membranas que protegem os órgãos do abdômen). Foto: Luiz Vinagre.