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Negociação não avança e ferroviários do porto entram em greve na 2ª-feira

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2015-06-26 -22:22

Negociação não avança e ferroviários do porto entram em greve na 2ª-feira

Em mais de duas horas de negociação, nesta sexta-feira (26), a Portofer Transportes Ferroviário, responsável pela carga e descarga de granéis, contêineres e outros produtos de exportação e importação pelo porto de Santos, não apresentou nova contraproposta, ao Sindicato dos Operários Portuários (Sintraport), para renovação do acordo coletivo de seus 300 empregados.

Com data-base em março, os trabalhadores participarão de assembleia, às 16 horas de domingo (28), na sede do sindicato, para acertar detalhes da greve, por tempo indeterminado, a partir das 7h, de segunda-feira (29). A greve foi decretada em assembleia na noite de terça-feira (23). O pessoal reivindica 9% de reajuste salarial, mas a empresa oferece 8,19%.

O presidente do sindicato, Claudiomiro Machado ‘Miro’, saiu “desapontado” da negociação, iniciada às 10h30 e encerrada por volta das 13h: “A empresa, infelizmente, mantém sua tradição de regatear misérias nas campanhas salariais. Dificilmente suas ofertas superam o índice inflacionário, o que vem achatando os salários ao longo dos anos”.

Para o sindicalista, “só há um meio de romper essa mesquinhez: a greve. Infelizmente, por insensibilidade de um grupo acostumado apenas a ganhar, sem nunca compensar o esforço dos profissionais, as demais atividades portuárias terão reflexos negativos com a paralisação. De qualquer forma, estamos abertos ao diálogo até a assembleia de domingo”.

Miro diz que “se a Portofer apresentar um documento garantindo os 9%, nem que seja a poucos minutos do começo da assembleia, ou mesmo durante ela, a greve será suspensa. As portas do sindicato estarão abertas à boa vontade que está faltando à empresa. Caso contrário, deflagraremos o movimento e iremos à Justiça do Trabalho”.

A assembleia de terça-feira recusou a correção inflacionária de 7,69% mais 0,5% de aumento real. A diferença que separa a greve do acordo, agora, é de apenas 0,81%. A categoria está em ‘estado de greve’ desde 27 de maio, quando recusou os 7,69% nos salários e benefícios.

“Pelo visto, a Portofer não acredita na nossa disposição de luta”, diz o vice-presidente do sindicato, Robson Gama dos Santos. “Primeiro porque demorou quase um mês para mandar a proposta. Segundo porque ela não é satisfatória, o que levará os companheiros à greve. E terceiro porque continua intransigente”

Defasagem - O tesoureiro do Sintraport, Albino Calixto de Souza, aposentado do setor ferroviário do porto, pondera que, “há 11 anos, a empresa concede apenas a reposição inflacionária, deixando os ganhos bem defasados. As propostas ridículas da empresa não refletem a inflação real dos supermercados e do comércio em geral. Se considerarmos os preços dos serviços, então, a situação piora”.

O presidente do sindicato, Claudiomiro Machado Miro, por sua vez, lembra que a empresa suprimiu as horas extras sem a indenização que deveria ter sido paga imediatamente após a medida.

Efetivo e movimento - A Portofer tem 80 maquinistas, 80 operadores e 140 empregados em funções como supervisores, líderes e auxiliares de pátio e de operação, escriturários, pessoal de manutenção, rondantes e ‘olhos vivos’.

A empresa opera 800 vagões por dia na margem direita do porto, em Santos, e 600 na margem esquerda, no Guarujá. A maioria das cargas são granéis sólidos e contêineres.

* Locomotiva e trabalhador da Portofer, em atividade no porto de Santos. (Foto: Paulo Passos