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Incêndio na Localfrio em Guarujá assusta a Baixada Santista

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2016-01-16 -17:06

Incêndio na Localfrio em Guarujá assusta a Baixada Santista

O incêndio na última quinta-feira (14), provocado por um vazamento de ácido de cloro isocianúrico de sódio no pátio do terminal de cargas da Localfrio, no Guarujá, à margem esquerda do porto de Santos, tem levado centenas de pessoas aos prontos socorros.

Segundo informações o fogo teria começado por volta das 15h30 e logo, uma nuvem de fumaça podia ser vista até em Santos, onde pessoas de diferentes bairros sentiram dificuldade para respirar.

Cerca de 30 contêineres que armazenam produtos químicos no terminal da Localfrio pegaram fogo. Mesmo com as chamas controladas, a fumaça tóxica continuava pairando no ar mudando a rotina da cidade de Guarujá, especialmente os residentes no Distrito de Vicente de Carvalho, onde está localizada a empresa.

Os bombeiros tiveram muita dificuldade no combate às chamas, porque, mais uma vez se depararam com a falta de organização das empresas no tocante a natureza dos produtos armazenados. Até a manhã deste sábado (16), a informação ainda era imprecisa.

Desencontro – Em meio ao temor pela propagação do incêndio e receio das consequências da fumaça tóxica que tomou conta do ar, moradores de Vicente de Carvalho ficaram tontos não apenas pelo cheiro tóxico no ar que provocou mal estar, vômitos, ardência nos olhos e garganta, falta de ar e tontura, mas com as informações sobre a melhor atitude a ser tomada naquele momento.

A prefeita de Guarujá orientou os moradores para que ficassem dentro de suas casas, porque as equipes de Defesa Civil, Guarda Municipal, Meio Ambiente, Saúde e Trânsito estavam mobilizadas, ao mesmo tempo que pedia para a população se trancar em casa, orientava que os serviços de atendimento também poderão ser solicitados por meio das chamadas pelo Samu, pelo telefone 192. Depois a orientação para que as pessoas procurassem abrigo na casa de familiares fora de Vicente de Carvalho e proximidades. Enquanto a orientação era passada, algumas pessoas encontravam dificuldade de sair de Guarujá porque os acessos, entre elas a Bertioga estavam fechados.

Apesar das orientações desencontradas muitos procuraram os postos de saúde. Moradores de santos, principalmente do bairro Ponta da Praia também foram afetados pela fumaça tóxica e alguns foram atendidos no Pronto Socorro da Zona Leste.

Barril de pólvora – A Baixada, especialmente as cidades de Cubatão, Guarujá, Santos e São Vicente, continuam a assustar por ser um verdadeiro barril de pólvora. O maior Porto da América Latina (Santos) e o maior Parque Industrial  (Cubatão), a exemplo do que acontece nas cidades vizinhas, continuam sem estrutura para o enfrentamento dos grandes acidentes provocados por  incêndios originados por vazamentos de multi produtos inflamáveis armazenados.

Um exemplo disso foi o incêndio de gigantescas proporções registrado em abril do ano passado no terminal da Ultracargo, na Alemoa/Santos que por cerca de 10 dias mobilizou bombeiros até do exterior e levou medo à toda região. Felizmente não houve mortes, mas os prejuízos ao meio ambiente foram incalculáveis. Nesse incêndio, também não sabiam os responsáveis pelo terminal, quais produtos estavam armazenados. Os órgãos competentes continuam acionando a empresa, da mesma forma que farão com a Localfrio.

A grande expectativa é que os governos (municipais, estadual e federal) tão competentes, adotem em conjunto, uma política de segurança em toda área industrial e portuária, para no mínimo, minimizar o receio da população de em algum momento, reviver tragédias como a da Vila Socó, hoje Vila São José, em Cubatão, na madrugada de 24 de fevereiro de 1984.

(Foto: Reprodução youtube)