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Chuvas provocam alagamentos, deslizamentos e transtornos na Baixada

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2016-03-01 -23:39

Chuvas provocam alagamentos, deslizamentos e transtornos na Baixada

Nesta terça-feira, 1º de março, grande parcela dos moradores da Baixada Santista, passaram o dia na cansativa e triste tarefa de limpar e contabilizar os estragos provocados pelo forte temporal que atingiu na noite de domingo (28) e madrugada desta segunda-feira (29). A forte chuva provocou alagamentos em diversas ruas da região, movimentando as Defesas Civis das nove cidades que registraram além de desmoronamentos, queda de barreiras, também queda de árvores e muitos transtornos e prejuízos.  Até o momento não há registro de vítimas.

Santos – Alagamentos atingiram ruas de vários bairros: Aparecida, Boqueirão, Campos Grande, Embaré, Marapé, Macuco, Ponta da Praia, Vila Belmiro e grande parte da Zona Noroeste. Nos morros José Menino e Santa Terezinha, houve deslizamento de terra, sendo que neste último, uma adutora da Sabesp rompeu e a água desceu levando muita lama, atingindo, inclusive, algumas moradias localizadas no pé do morro. Na parte mais alta do ‘Santa Terezinha’, onde faltou energia elétrica, teve mansões destelhadas.

O caos em santos se verificava desde a entrada da cidade, com a Av. Martins Fontes totalmente alagada, distribuindo água para quase todas as ruas do bairro Saboó. Emendando pistas e calçadas, assim também ficou a Av. Nossa Senhora de Fátima, via de ligação com o município de São Vicente, passando por vários bairros da Zona Noroeste.

No Embaré, o entorno da Basílica Santo Antônio foi tomado pelas águas. As ruas Nascimento e Padre Visconti pareciam uma extensão da praia. Foram tomadas pelas águas que invadiam quintais e garagens dos prédios, situação que vem se repetindo desde que o calçamento de paralelepípedo foi trocado por asfalto, tipo fuljet (atualmente, bastante remendado) no governo do então prefeito João Paulo Papa.

Em diversos bairros da Zona Noroeste as águas tomaram conta de ruas, quintais e residências. No Conjunto Costa e Silva, uma dona de casa quando tentava entrar em sua residência com água à altura do joelho, se deparou com uma cobra à entrada da cozinha. No bairro Chico de Paula, segundo Mario Farina que reside na Av. Jovino de Melo, teve, a exemplo de outros moradores, a casa invadida pelas águas. O canal desta avenida transbordou impossibilitando a passagem de pequenos veículos, como o Fiat Celta, da vendedora Flora Gurgel, obrigando-a a deixar o veículo em um posto de gasolina da Av. Nossa Senhora de Fátima. Diante dos estragos provocados pelas chuvas e da perspectiva de novos temporais, a Prefeitura de santos decretou estado de atenção.

São Vicente – Nesse município, as ruas ficaram intransitáveis e moradores das proximidades dos canais, como o da Av. Alcides de Araújo, no Catiapoã, reviveram momentos de pânico, com as casas inundadas por água suja, lixo, ratos e baratas. As ruas Luiz Panzoldo Neto, Blumenau, Joinvile, São Roque, eram a visão do caos, o mesmo acontecendo com um trecho (as duas últimas quadras) da Rua Piquerobi invadidas pelas águas da chuva e do canal que alagavam também, trechos da Rua tenente Durval do Amaral, uma das principais vias do bairro.

No bairro vizinho, o Jardim Nosso Lar, a situação não era diferente, com alagamento da Av. Penedo e várias outras ruas cheias de águas. Na Vila Cascatinha a situação se repetia, especialmente próximo ao canal da Av. Alcides de Araújo, cujas obras exaustivamente anunciadas pelos governos Estadual e Municipal, não passaram de palavras ao vento e muitas fotos de políticos ao lado de máquinas e placas. O centro da Cidade também ficou alagado. A principal avenida do município, a Presidente Wilson, parecia um mar com altas ondas, se formando quando um ônibus passava pelo local. Jockey Clube, Vila Fátima, Vila Margarida, México 70, Esplanada dos Barreiros, Vila Voturuá, Japuí, várias ruas da Vila Melo e no Itararé teve deslizamentos no morro.

Cubatão – Nesse município a Defesa Civil informou entre a noite de domingo (28) e manhã de segunda (29), choveu mais da metade do previsto para todo mês de fevereiro. Foram registrados alagamentos de vias públicos que dificultaram a passagem de veículos e também a queda de uma árvore sobre um carro estacionado, sem ocupantes, no bairro Água Fria. Pessoas internadas no hospital municipal da Cidade denunciaram a situação caótica: chove dentro do hospital. Funcionários colocando macas nas janelas para evitar que a chuva caísse direto em um dos quartos.

Bertioga – Alfredo Correia, morador no bairro Caiubura, por telefone disse que as ruas ficaram intransitáveis, com a cheia do rio provocando a saída de algumas famílias de suas casas.

Praia GrandeDevido aos alagamentos, inclusive em residências em vários pontos da cidade, alguns moradores foram atendidos pela Defesa Civil. A Secretaria de Trânsito de Praia Grande (Setran) informou que quatro semáforos sofreram pane durante a madrugada de hoje (29), ficando no amarelo piscante. A situação foi normalizada logo pela manhã. Em alguns pontos mais críticos de alagamento, onde motoristas utilizaram rotas alternativas, a Setran atuou para orientar e normalizar a fluidez do trânsito.

A situação vivida nesses municípios se repetiu em Mongaguá, onde, segundo a Prefeitura, todos os bairros tiveram ruas alagadas e algumas pessoas ficaram ilhadas. Situação mais delicada foi vivida por moradores próximo à encosta dos morros com a queda de árvores e diante da possibilidade de deslizamento de terra. Em Itanhaém, os bairros mais atingidos pelos alagamentos foram Bopiranga e o Gaivota. Em Guarujá muitos pontos de alagamento, sendo que em Vicente de Carvalho, várias ruas da Vila Áurea ficaram intransitáveis. Peruíbe também sofreu com os alagamentos, queda de árvores e deslizamento de terra.

O temporal de domingo à noite e manhã de segunda-feira foi uma mostra do que está por acontecer neste mês de março que se inicia. Março, tradicionalmente tido como o mês que registra o maior índice de chuvas e consequentemente os mais fortes temporais, deixa a região em sobreaviso, pois as chamadas ‘águas de março’ sempre trazem consigo lágrimas de quem perdem móveis, casas e até familiares para a força da natureza, nesta época travestida de enxurrada. Isso se repete em todos os anos. O mesmo acontece com as autoridades competentes que repetem o mesmo discurso enfatizando obras de contenção ou eliminação de enchentes... que nunca acontecem.

(Foto: Divulgação)