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Operação Martim Afonso assombra São Vicente

Voltar para listagem de notícias Inserida em: 2016-03-10 -22:50

Operação Martim Afonso assombra São Vicente

A segunda-feira (7 de março) não foi um bom dia para São Vicente. A cidade foi sacudida pela notícia de que integrantes do governo Luis Claudio Bili, um vereador e outras pessoas relacionadas ao transporte público do município foram apontadas como suspeitas de envolvimento na 'Máfia das Lotações', um esquema ilegal no setor de transporte público e com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O prefeito e os funcionários nem haviam chegado ao Paço “Martim Afonso”, quando três viaturas da Polícia Civil pararam à entrada do local, por volta das 6h. Apesar da curiosidade, os funcionários que iam chegando para mais um dia de trabalho na Prefeitura tiveram que esperar por mais de uma hora para entrar.

Pouco mais de duas horas da chegada dos policiais, chegou ao local, o chefe de gabinete da administração, Ivo Oshiro, o primeiro funcionário do alto escalão a chegar à Prefeitura levando os policiais para o segundo andar do prédio, longe dos olhares curiosos. Por volta das 9h45, os policiais civis saíram do prédio da Prefeitura de São Vicente carregando computadores e documentos.

Geral – Os mais de 30 mandados de busca e apreensão que os policias tinham em mãos, ocasionaram, ações não apenas na Prefeitura de São Vicente, mas também na casa do prefeito Luis Claudio Bili, no bairro Boa Vista, na Câmara de São Vicente e na sede da Cooperlotação. Além dos mandados de busca e apreensão, pedidos de prisão foram executados.

Assim, vicentinos estupefatos tomaram conhecimento da prisão de 18 pessoas em São Vicente, Praia Grande, Mogi das Cruzes, São Paulo, entre outras cidades do Estado de São Paulo. Entre pessoas estão o secretário de Assuntos Jurídicos de São Vicente, Sinval Braz de Moraes, o vereador Eronaldo José de Oliveira, o Ferrugem (Solidariedade), primeiro secretário da Câmara de São Vicente e o ex-chefe de gabinete da Subprefeitura da Área Continental e diretor da Secretaria de Transportes, Leandro Cofane Gonçalves, que foram detidos em suas residências. Na casa do secretário Sinval, a polícia encontrou uma arma. Os detidos foram encaminhados ao Palácio da Polícia em Santos.

Crime - De acordo com a Polícia Civil, os detidos fazem parte de uma organização criminosa que atua dentro e fora dos presídios do Estado de São Paulo. A ação dessa organização, o Primeiro Comando da Capital (PCC),envolve diretamente em um esquema de lavagem de dinheiro, através de cooperativas de transporte público alternativo de São Vicente. Ainda segundo a Polícia, o vereador Ferrugem atuava como lobista dentro da Câmara Municipal, enquanto o secretário Sinval Braz seria o responsável por alterar as regras para os profissionais do transporte alternativo.

O esquema criminoso está sendo investigado há 4 meses, a partir de denúncias anônimas junto ao Ministério Público (MP), gerando um inquérito.

 

O delegado Luiz Ricardo Lara, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Santos, a polícia já identificou como o grupo operava. As denúncias iniciais chegaram de forma anônima ao em novembro do ano passado, e, desde então, um inquérito foi instaurado. “O crime é de lavagem de dinheiro para ocultar crimes antecedentes, como o tráfico de drogas, por meio do sistema de transporte alternativo na cidade de São Vicente” explica o delegado detalhando que as cooperativas atuam no transporte público por meio de alvarás, o que facilita ações criminosas e dificulta investigações policiais. O núcleo de operações possuía duas pessoas jurídicas que lavavam o dinheiro.

Segundo a Polícia Civil, o secretário de Assuntos Jurídicos Sinval de Moraes e o vereador Ferrugem participavam de um esquema ilegal que envolvia as lotações de São Vicente. Entre as mudanças realizadas por Braz, está a obrigatoriedade da troca dos veículos por modelos mais caros, o que obrigou muitos cooperados que não faziam parte do esquema a venderem seus alvarás para integrantes da quadrilha.

A situação do vereador Ferrugem, parece mais complicada porque esta é a segunda vez que ele é preso. Em 2013, ele foi detido pela Polícia Federal, sob a acusação de onerar os cofres do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em pelo menos R$ 3,5 milhões. O caso foi considerado como o maior já cometido contra a Previdência Social e na Baixada Santista, o esquema, segundo a polícia, envolvia auxílios-doença e aposentadoria por invalidez e ocorria no Sindicato dos Rodoviário, onde Ferrugem era um dos diretores. Ao ser libertado, Ferrugem que sempre negou sua participação no esquema, reassumiu o posto na Câmara.

Colaborando – O prefeito Luis Claudio Bili não se pronunciou sobre a prisão do secretário Sinval Braz de Moraes, mas se colocou à disposição da polícia para auxiliar no processo investigativo e para novos esclarecimentos, se forem necessários, inclusive com a quebra de sigilo fiscal, telefônico e bancário. (Foto: Divulgação/MS)